Uma super quarta nas Manchetes Esportivas

Postado em: 23/11/2016

Criciúma na contagem regressiva para a sua despedida da temporada. Atlético Mineiro e Grêmio começam a decidir a Copa do Brasil. Dia histórico para a Chapecoense na Copa Sul Americana. Duas desistências na edição 2017 da Primeira Liga. Ouça no podcast as Manchetes Esportivas desta quarta-feira.

Próximas gerações, e não próximas eleições...

Postado em: 13/10/2016

Corria 1993. João* assistia televisão. Passou um comercial, com conotação política, anunciando soluções "para as próximas gerações, e não para as próximas eleições". O tempo passou. Aquele conceito, encoberto pela poeira do tempo, não deixou de existir. Continuou pulsando no coração do João*. Noite de quarta-feira, feriado de 12 de outubro. João* e sua antiga paixão de infância pelo Internacional de Porto Alegre (justificada por sua procedência) sofria duplamente diante da TV. Com o fraco time em campo, que se arrastava muito longe do que já fora aquela camisa vermelha, e uma pedra no rim direito que insistia em maltratar. João* lembrou da conversa de bar, reproduzida depois por um médico - aí em ambiente formal de consultório -, de que pedra nos rins dói mais que parto. João* não sabe, nunca dará à luz para poder comparar. Intervalo de jogo, 0 a 0 e uma sofrível partida tornou ainda mais aguda a dor fina que rompia do baixo ventre. João* não teve saída. Tomou o rumo de um posto 24 horas que serve a cidade onde mora. Lá chegando, deparou-se com um simpatico guarda, que o conhecia de nome, de vista. Depois de cinco longos minutos, mais agudos pela latência da dor - a pedrinha tem apenas 4 milímetros, mas pesa como um chumbo -, João* foi atendido por uma jovem senhora, cuja maior preocupação era o fim dos créditos em seu celular, que inviabilizava continuar a animada conversa que a mantinha distante de seu posto de trabalho - a recepção do tal posto 24 horas -. Findo o crédito, veio atender João* e sua dor. Não contente em faze-lo esperar, ainda zombou do estado de sua carteira de identidade. Mal sabe ela o quão atarefado é João*, vem faltando-lhe tempo para ir retirar uma via mais apresentável do documento. E a dor continua. O posto está vazio. João* espera caminhando e suando frio. E tenta responder às várias perguntas e comentários do simpático guarda. Corre o jogo no segundo tempo. Dramaticamente sutil. O segundo tempo se esvai. Eduardo derruba Sassá, este cobra o pênalti e converte, Botafogo 1 a 0. O Internacional vai cair. A pedra até dói menos a essa altura. O tempo inteiro, 45 minutos, equivale à incompreensível espera, em um posto de saúde vazio. Ou quase. Apenas uma jovem era atendida, nebulizando para respirar melhor. A atenciosa enfermeira, a bonita médica fizeram a melosa triagem. Ganhou três soquinhos nas costas ainda o João*, na altura do rim dilacerado pela dor resultante da presença da minúscula pedra. Quase uma hora depois de chegado ao posto, foi finalmente conduzido à salinha onde, na sua veia, seriam inserido o insípido coquetel que acalmaria aquela dor. À esquerda de João*, enquanto o líquido descia lacrimonoso e mínimo da fina mangueirinha, um leito. Lembra João* em outra crise aguda de já ter deitado nele. O "colchão" está nú. Sem um lençol sequer. Um bilhete no mesmo explica. "Cuidado", avisa. "Cama quebrada", ou algo assim. João* fotografou.

"No Brasil, equipamento quebrado em saúde não se remove para conserto, se deixa ali como que um troféu", fez pensar João*. À direita, em um corredor próximo, alguém larga sobre um banco um conjunto de travesseiro, cobertor e lençol. Não eram, naturalmente, do "colchão" nú antes fotografado. Até porque deitar naquele "colchão" era uma temeridade, já que o mesmo se tratava de uma espuma encrostrada, obviamente, de colônias dos seres microscópicos que engalfinham-se por suas vítimas humanas ali. O tal enxoval, tem outra foto a provar, é de algum funcionário público que ocupa as lacunas de atendimento dormindo. Isso é voz corrente, todos sabem, e ninguém toma providências.

Enquanto João* massacrou-se no suor frio, no jogo ruim do Internacional na pequena TV (na foto, a tal TV pendurada em um pilar), no fustigar da pedra que produz a dor cortante, alguém dormia lá por dentro do posto. Ele não sabe quem, mas é fato. Alguém dormia. Essa virtualidade do atendimento em saúde, simbolizada por esta prosaica história real, fez João* esquecer a dor da pedra, esquecer a derrota que encaminha o Internacional à Série B, e lembrar que o papel cidadão é denunciar. Muitos, tantos e milhões sofrem muito mais do que João* nesta noite de revolta da pedra no rim. E precisam aguardar por servidores que dormem no expediente, pagos com o dinheiro público. E pensar que João*, lá em 1993, acreditou na política para as próximas gerações, e não as próximas eleições... Talvez se a pedra tivesse o atacado com tal intensidade semanas antes, quando o voto ainda não estava na urna, o atendimento tivesse diso diferente. O sono de quem atende poderia estar em dia, desperto pelo pipocar das urnas, dos votos, dos interesses... Sabe-se lá.

Ah, o João* sou eu, o colchão citado de fato é horrível, as roupas de cama no corredor foram um acinte, a pedra dói bastante de vez em quando, o meu time é o Criciúma mas nasci no Rio Grande do Sul e lá, sabem bem como é... E eu não sei quem dorme em serviço, mas que alguém dorme, ah dorme. Até a próxima dor. E boa sorte a você que dá uma chance à rede pública de saúde. Quem um dia ela deixe de servir às próximas eleições, e sirva às próximas gerações. Tal qual a TV me mostrou em 1993. As fotos? Mostro no Facebook.

Os 38 anos da TV Eldorado

Postado em: 10/10/2016

Em 10 de outubro de 1978 entrava no ar a TV Eldorado de Criciúma, canal 9. Ali, nascia o embrião da primeira rede de TV catarinense. A TV Eldorado, que tomou seu nome emprestado da Rádio Eldorado, à época propriedade do empresário Diomício Freitas, que avançou do rádio para a televisão, com alto investimento. Foi de uma ideia do saudoso Antônio Luiz, comunicador de sucesso e que dirigia a emissora de rádio, que veio a iniciativa para a TV. A construção do prédio que abriu a TV Eldorado, hoje sede da RBS TV Criciúma, já foi um avanço extremo para a época. Em formato circular, e visto de cima com o mesmo desenho da estrela que consagrou a emissora enquanto logomarca, o prédio é extremamente funcional, e até hoje não foi 100% ocupado pela RBS, tão grande é o espaço físico, e tão adequado às funções para a qual foi concebido.

São inúmeras as histórias que remontam a fundação da TV em Criciúma. Personagens como Antônio Luiz, Milioli Neto, Clésio Búrigo, Adilamar Rocha, Sebastião Farias e outros foram recrutados na Rádio Eldorado para fazer o cotidiano da televisão. E o fizeram com tanto sucesso que logo a audiência foi um estouro. Para preencher a grade, uma parceria com a TV Bandeirantes que, por muito tempo, reconheceu a Eldorado como a sua principal afiliada Brasil afora. A partir de Criciúma, ganhar Santa Catarina foi um salto. Com a incorporação da TV Cultura de Florianópolis, em 1982, o sinal da Eldorado chegava à capital, e ali ela passava a se designar RCE, Rede de Comunicações Eldorado. Em 1986, a TV Vale do Itajaí garantiu o sinal da RCE para as regiões de Itajaí, Blumenau e Joinville com qualidade. Depois, o oeste foi integrado, com a TV Xanxerê.

Entre os grandes momentos da história da RCE, as coberturas esportivas, com a campanha do Criciúma campeão da Copa do Brasil de 1991 e, no ano seguinte, o acompanhamento da Taça Libertadores da América, já em parceria com a Rede OM de Televisão, a nova rede a qual pertenceu a RCE até sua dissolução, em 1995. O fato é que Santa Catarina começou a se ver na televisão a partir da iniciativa do Antônio Luiz, do Diomício Freitas e de tantos e tantas que, a partir de Criciúma, ousaram sonhar um sonho. A RCE foi a grande grife catarinense na história da TV regional em rede. O que veio depois, foi consequência.

Vereadores: Os novos titulares e suplentes

Postado em: 04/10/2016

Câmara de Criciúma renovou 8 dos 17. Abaixo a lista de eleitos a suplentes de cada bancada. Prefeito Clésio Salvaro arrancará com bancada governista de 9 (PSDB, PSD e PSB), com possíveis acréscimos de PSC e PRB. A destacar ainda os sumiços de PT e PDT...

PP/PMDB
Eleitos = Daniel Freitas/PP, Paulo Ferrarezi/PMDB, Tita Beloli/PMDB, Miri Dagostim/PP, Toninho da Imbralit/PMDB e Ademir Honorato/PMDB.
Suplentes = Ângela Mello/PP, Vanderlei Zilli/PMDB, Edson Paiol/PP, André de Luca/PP, Neri Xavier/PP e Toninho da Saúde/PMDB

PSDB/DEM/SD
Eleitos = Arleu da Silveira/PSDB, Júlio Kaminski/PSDB, Dailto Feuser/PSDB, Geovana Benedet/PSDB e Moacir Dajori/PSDB
Suplentes = Roseli Pizzolo/PSDB, Allison Pires/PSDB, Marcos Meller/PSDB, Edson Aurélio/PSDB, Diego Goulart/DEM e Daniel Cipriano/PSDB

PSB/PSD
Eleitos = Salésio Lima/PSD, Camila do Nascimento/PSD, Júlio Colombo/PSB e Zairo Casagrande/PSD
Suplentes = Solange Barp/PSD, Juarez de Jesus/PSD, Izio Hulk/PSB, Nereu Tinelli/PSD, Paulo Pavei/PSD e Cesinha Faraco/PSB

PSC/PDT/PCdoB
Eleito = Pastor Jair Alexandre/PSC
Suplentes = Amaral Bitencourt/PCdoB, Duda Manenti/PDT, Gelson Fernandes/PDT, Padre Hélio Furlan/PDT, Xande de Boit/PDT e Gelson Professor/PCdoB

PRB/PPS/PTdoB/PEN/PTC/PR/PSL/PSDC/PMB/PRP
Eleito = Aldinei Potelecki/PRB
Suplentes = Indaiá Pacheco/PPS, Professor Daniel/PPS, Gentil Francisco/PTdoB, Riva Rosso/PPS, Sidney Machado/PRB e Daniel Bonifácio/PEN

São Paulo, Falcão e Zico nos destaques

Postado em: 14/07/2016

O São Paulo está fora da Taça Libertadores da América. Ontem à noite, perdeu para o Atlético Nacional, 2 a 1 em Medellín, na Colômbia. O Nacional fará a final contra o classificado de Boca Juniors e Independiente Del Valle, do Equador, que se enfrentam hoje na Argentina. Na ida, deu Del Valle, 2 a 1.

Pelo Brasil, destaque para a apresentação, ontem, de Paulo Roberto Falcão como novo técnico do Internacional. Ele assume no lugar de Argel Fucks, demitido no domingo. É a terceira vez que Falcão assume o Inter, e sua reestreia será domingo, diante do Palmeiras.

Por aqui, destaque para a palestra de Zico ontem à noite no Centro de Eventos Flor de Lis, na iniciativa da Satc e Rádio Eldorado. Ele revelou que o maior gol da sua vida não foi o A, B ou C, mas sim saber que tantos pais, Brasil afora, batizaram seus filhos de Arthur em homenagem a ele. O ídolo revelou que esta é uma grande emoção da sua vida.

Ouça mais detalhes no podcast abaixo.

A expectativa pela próxima pesquisa

Postado em: 20/05/2016

O jornal Diário de Notícias publica, no fim do mês, a próxima pesquisa de intenção de voto para a Prefeitura de Criciúma. Me contou o diretor do DN, Edson da Soler, que a metodologia e o questionário já estão registrados na Justiça Eleitoral, como é de praxe. E um tópico chama a atenção: a pesquisa vai indicar apenas um candidato por partido, e vai montar cenários com as prováveis parcerias de candidatos a prefeito e vice. Será uma fina sintonia do atual momento visando a eleição.

O prefeito Márcio Búrigo, do PP, deverá estar emparceirado na pesquisa com o vereador Pastor Jevis, pré-candidato do PDT a vice-prefeito na chapa de situação. O deputado estadual Cleiton Salvaro, pré-candidato do PSB, deverá aparecer na pesquisa aliado à vereadora Tati Teixeira, pré-candidata do PSD a vice-prefeita.

Uma das incógnitas é a parceria entre PMDB e PSDB. Tanto que a pesquisa deverá vir com dois cenários. O primeiro tendo Acélio Casagrande (PMDB), na cabeça, com Flávio Spillere (PSDB) como vice, e a segunda opção com o contrário. Vão aparecer, ainda, os pré-candidatos Fábio Brezola (PT) e Cíntia dos Santos (PSTU). A aguardar. Será uma pesquisa crucial para os rumos das coligações, e sem os eventuais desvios de rota da proliferação de nomes de pesquisas anteriores. O filtro é necessário.

Nove anos sem vencer o JEC na Arena

Postado em: 19/05/2016

"Lateral já foi cobrado, Clodoaldo invadiu a área, cruzou, Athos vai marcar, preparou, virou, bateu. Balançou". Assim o narrador Jotha Del Fabro anunciava, às 20h48min de 11 de abril de 2007, o gol da última vitória do Criciúma sobre o JEC na Arena Joinville. Lá se vão nove anos, um mês e uma semana. Depois daquela, já aconteceram 14 encontros na casa do Joinville, com quatro empates e dez derrotas. Na história na Arena, foram 19 confrontos, com o JEC ganhando 13, com quatro empates e apenas duas vitórias do Criciúma: esta de abril de 2007 e outra em fevereiro de 2006, por 2 a 1.

Na última vez que ganhou na Arena, o Criciúma era treinado por Gelson da Silva, e o Tigre jogou com Zé Carlos, Rodrigo (Odair), Sílvio Criciúma e Cláudio Luiz, Alex Sandro, Filipe, Matheus, Athos e Fernandinho, Athos (Nenem) e Delmer (Carlos Magno). Nova chance para o Criciúma derrubar este tabu, um dos maiores da sua história, na noite desta sexta-feira. Ouça, no podcast abaixo, o gol da última vitória do Criciúma sobre o Joinville na Arena.

Brasil corre risco de ter 92 partidos políticos

Postado em: 17/05/2016

Hoje, o Tribunal Superior Eleitoral registra 35 partidos políticos em pleno funcionamento, com diretórios e comissões formadas, com direito a participar de eleições e abocanhar o Fundo Partidário, e participar do fatiamento dos tempos de rádio e televisão. Certamente que tantas siglas servem para controlar o apetite ideológico de uma nação continental como o Brasil, certo? Errado. Uma breve pesquisa no TSE e nos TREs nos permitiu saber que existem, em andamento, processos para criação de 57 NOVOS PARTIDOS POLÍTICOS no Brasil. Mais do que uma excrecência, trata-se de um verdadeiro crime lesa pátria. Afinal, está evidente que o interesse está longe de oferecer, com raríssimas exceções, uma nova opção ideológica, uma nova bandeira consistente aos castigados eleitores brasileiros. E o pior, eles chegam lá com amparo legal. Logo, mude-se a lei!

A grande maioria desses 57 que tentam nascer ainda estão distantes do cumprimento do que exige o TSE. Mas outros já batem na trave, casos do PL (Partido Liberal, que já existiu), PMB (Partido Militar Brasileiro, com a mesma sigla do Partido da Mulher Brasileira, vai dar confusão) e o MB (Muda Brasil).

Há os que se apegam à tradição cristã na política, hoje representada pelo PSDC de José Maria Eymael, casos do PC (Partido Cristão), PCN (Partido Cristão Nacional), PLC (Partido Liberal Cristão), PPC (Partido Progressista Crsitão), PRC (Partido Republicano Cristão), PRCB (Partido Republicano Cristão Brasileiro) e o PEC (Partido Ecológico Cristão). Talvez o PCS (Partido Carismático Social) possa se encaixar aí, se o "carismático" fizer alusão ao segmento católico que vem em franco crescimento.

Com o gancho do PEC, tem os ecológicos, tais como PMA (Partido do Meio Ambiente), PEP (Partido Ecológico Progressista), ECO (Ecológico) e PUMA (Partido Universal do Meio Ambiente). Os humanitários: Partido Humanista do brasil (PHB), Partido Humanista Democrático (PHD). Ah, tem os esportivos também: PE (Partido do Esporte) e, o cúmulo, o PNC (Partido Nacional Corinthiano). Se a moda pegar, juntamos a torcida do Criciúma e vem aí o novo PT (Partido do Tigre)...

O resto da lista: IDE (Igualdade), PJS (Partido da Justiça Social), PMM (Partido do Mérito Municipalista), PTS (Partido da Transformação Social), PS (Partido Social), PDN (Partido do Desenvolvimento Nacional), PPB (Partido Pacifista Brasileiro), PSPP (Partido dos Servidores Públicos e Privados), PEC (Partido Educação e Cidadania), PLS (Partido da Liberdade Solidarista), PMP (Partido da Mobilização Popular), PSN (Partido da Solidariedade Nacional), NOS (Nova Ordem Social), PACO (Partido Conservador), PAT (Partido Alternativo dos Trabalhadores), PCJ (Partido da Cidadania e Justiça), PDD (Partido da Democracia Direta), PF (Partido Federalista), PISC (Partido da Integração Social e Cidadania), PLB (Partido Liberal Brasileiro), PLD (Partido Liberal Democrata), PNS (Partido Nacional da Saúde), PODE (Partido de Organização Democrática Estudantil), PRR (Partido Renovador da República), PSPB (Partido dos Servidores Públicos do Brasil), RNV (Renovar), PCD (Partido de Combate ao Desemprego), ARENA (Aliança Renovadora Nacional), PAI do BRASIL (Partido dos Pensionistas, Aposentados e Idosos do Brasil), MDC (Movimento em Defesa do Consumidor), PCI (Partido da Cidadania), PRV (Partido Renovar), PSPC (Partido da Segurança Pública e Cidadania), PE (Partido dos Estudantes), PBF (Partido Brasil Forte), PCD (Partido Consciência Democrática), PGT (Partido Geral do Trabalho) e PAR (Participação).

O resumo de Brasília

Postado em: 14/05/2016

Este foi um segundo tempo de três tempos. Agora inicia uma terceira batalha, da presidente Dilma, para tentar retornar via Senado. E como foram 55 votos pelo impedimento, e são necessários 54, embora todo o clima instalado, Dilma acredita piamente na possibilidade de retornar. O mandato de Dilma não está concluído, é um alerta que quem tem ligação com a petista faz.

Brasília teve, em relação a manifestantes, embora um que outro instante mais barulhento, mas em termos de ruído foi muito menos do que se esperava. Os próprios brasilienses imaginavam uma repercussão maior. Houve um instante de população alheia, cansada ou bestializada na expectativa dos resultados e um pouco sem entender o que estava acontecendo. Embora tenha nos parecido lento, o episódio no campo psicológico correu rápido. Faz poucos meses e as pessoas não imaginavam que pudesse haver um impeachment.

Ouvi, no Senado, uma comparação um tanto curiosa. Brasília vive uma situação meio "vaticanesca", digamos assim. O Vaticano conta com um Papa e um Papa emérito. O Brasil conta com um presidente, interino e que manda, e uma presidente que é eleita, mas está afastada e nada manda. Ela está, inclusive, no Palácio do Alvorada, com meia dúzia de funcionários, pode ter funcionários e avião oficial, mas poder zero. Dilma, nesse instante, vive o ostracismo que Collor vivia em 1992, despachando da garagem da Casa da Dinda e esperando algum telefonema. O PT diz que vai carregar Dilma pelo Brasil inteiro, mas a falta de entusiasmo de Lula, o abatimento dele, isso preocupa os petistas. Há um sentimento de que Lula teria jogado a toalha. Ele estaria muito mais preocupado em se manter solto do que lutar pelo mandato de Dilma.

E já ouvi de peemedebistas que Michel Temer poderia ser a salvação partidária para a sigla ter um nome competitivo em 2018. Já tem gente do PMDB fazendo consulta para saber se Temer poderia ser candidato em 2018. Hoje ele não teria densidade eleitoral, mas e se ele fizer um bom mandato, arrumar a economia, organizar a casa, ele não se tornaria competitivo? Estão todos consultando a legislação eleitoral para saber se isso é possível.

E outra, Michel Temer terá os cem primeiros dias de governo para suas primeiras realizações. Perguntas que ficam e as respostas virão nas próximas semanas. Essa cobertura não se esgota aqui. Ouça o comentário de Denis Luciano direto de Brasília no podcast abaixo.

Dilma vive dias de Collor

Postado em: 11/05/2016

Conversei por um minuto, ou menos, no Salão Azul do Senado, com o ex-presidente Collor de Mello. O hoje senador é o único brasileiro que viveu o que Dilma Rousseff enfrentará hoje. "Vou cumprir o meu papel", resumiu Collor, sem mostrar os dentes nem abrir o voto. O 11 de maio de 2016 é daqueles dias que vão para os livros de história. Vamos a ele então.

PISOU NA BOLA

Campanha de Combate ao Trabalho? O ministro lançou? Brincadeiras à parte, prefeito Márcio Búrigo foi testemunha da terra arrasada no ministério Dilma. Foi à ministra das Cidades cumprir seu papel e cobrar providências sobre convênios, recursos e obras, e ouviu dela o argumento, que se impõe, de que o governo está acabando, e ela e muitos outros limparão gavetas a partir de quinta-feira. Dura realidade...

E O CLIMA?

Não tem clima de impeachment nas ruas de Brasília. Há dois acampamentos, um dos favoráveis e outro dos contrários, porém pequenos. O grupo aglomerado na Esplanada também é mínimo em relação a 17 de abril. No máximo vimos placas como esta da foto que postamos no Facebook e Instagram: "Tchau Querida", com a foto de Dilma abaixo da frase...

MÁRCIO EM BRASÍLIA

Prefeito Márcio Burigo visita ministérios, confere a Marcha dos Prefeitos, reúne-se com os deputados Esperidião Amin e Jorge Boeira e espera acertar coligação com o PSD até o dia 20. Sobre o impeachment de Dilma, considera "necessário".

Tradição respeitada na nova camisa do Tigre

Postado em: 05/05/2016

O Criciúma já deverá pisar o gramado do Heriberto Hülse, no dia 14, com a sua nova camisa. Vencido o impasse dos últimos meses com a Kappa, que deixou de ser a fornecedora de material esportivo do Tigre por não cumprimento de contrato, o Criciúma está fechando parceria com a Embratex, de Içara. O contrato está por ser assinado entre hoje e amanhã.

O diretor da Embratex, Beto Spillere, mantém a nova camisa em sigilo. Aos comentaristas João Nassif e Reginaldo Corrêa, da Rádio Eldorado, Spillere antecipou apenas que o padrão tradicional tricolor será mantido, "e o amarelo será o amarelo mesmo, ouro", enfatizou, sem entrar em detalhes. Ou seja, aquele amarelo "desmaiado", tão criticado em versões anteriores da camisa, vai perder espaço para um padrão mais coerente com a real tradição do clube.

Pelo acordo com o Criciúma, a Embratex tem o compromisso de fornecer 11,5 mil peças anuais, entre camisas e outros itens, para o uso do clube no futebol. Há, ainda, a parte comercial, para vendas nas lojas. O Criciúma está na expectativa, também, de conseguir em breve regular os estoques da Loja Tigremaníacos, prejudicados pela falta de observância do contrato pela parceira anterior. Fora que, quaisquer e eventuais problemas, poderão ser resolvidos muito mais rapidamente, com o novo fornecedor tão próximo. E, de mais a mais, há que se lembrar o bom histórico do Criciúma, no passado, com parceiros locais. E, ainda, a frisar o investimento que o empresário tem feito para dar conta das necessidades do Criciúma. Parece que um bom negócio está sendo feito, com gosto local.

E o Próspera deixa de ser profissional

Postado em: 03/05/2016

A decisão anunciada nesta terça-feira, de não voltar ao Campeonato Catarinense nesta temporada, cria uma enorme dor de cabeça para o Esporte Clube Próspera. Acontece que o Time da Raça está perdendo o registro de clube de futebol profissional, pois ficará mais de cinco anos licenciado de competições da Federação e CBF. E somente isso já cria, por si só, uma grande dívida. Acontece que, para voltar às disputas oficiais, precisará pagar uma "jóia" à FCF, hoje de R$ 60 mil, e outra à CBF, de valor semelhante. Ou seja, já terá um custo de R$ 120 mil de pronto. Levando-se em conta que atualmente, precisando de R$ 45 mil mensais para tocar o futebol, o Próspera só conseguiu R$ 20 mil mensais, por um semestre, o cálculo é simples. O recurso que o clube alcançou até agora, com todo o calor e boa repercussão de um pretenso retorno, chega a R$ 120 mil fracionados em seis meses, justamente o valor que será necessário para resgatar o Próspera ao profissionalismo no ano que vem ou em outro.

Mas havia uma encruzilhada no caminho dos dirigentes, e eles tomaram a decisão mais sensata. Seria muito mais prejudicial à imagem e ao futuro do clube um ingresso agora, açodado, sem a verba mínima necessária, criando dívidas e fazendo acumular problemas. Assim, o Próspera continua sua reorganização, que vem sendo bem feita, e então prepara a casa para um retorno em melhores condições. Mas terá uma dificuldade a mais e, talvez, este passo responsável de hoje seja o início de um caminho tortuoso, difícil de admitir mas inerente a todo o custo que o futebol tem: o início do fim do Próspera.

Nossa torcida é incondicional para que isto não aconteça, e seguimos vendo na região condições para a manutenção de mais um clube profissional em Criciúma. E a viabilização do Próspera, a partir do resgate da sua credibilidade, o que está sendo feito agora, poderá passar pelo estádio Heriberto Hülse. Sempre julgamos adequado que o Criciúma pudesse estabelecer uma relação mais íntima com o Próspera, no intercâmbio de atletas inclusive. Certa vez, em uma conversa com o então presidente Antenor Angeloni, chegamos a deixar tal sugestão, mas o mesmo, mais preocupado, e com razão, com os enormes problemas do Tigre, não deu muito ouvidos.

O Próspera precisa de soluções, e não de problemas. E uma solução momentânea foi encontrada hoje. Recua-se estrategicamente, coloca-se temporariamente a viola no saco, mas continua-se a montagem de um clube, com o estádio gradualmente remodelado, a criação de fontes de renda, a manutenção de categorias de base em competições amadoras, a montagem gradual de um caixa, e então vai chegar um dia que o Time da Raça poderá voltar, em um melhor cenário. O risco era muito alto. Mas a decisão, necessária, traz uma cruel constatação: oficialmente, o Próspera não é mais um clube profissional. É amador. E só não começa do zero pois tem uma diretoria empenhada, um torcida apaixonada, um estádio em razoáveis condições e um potencial de atletas que poderão, no tempo certo, serem captados. Nem tudo está perdido.

A temporada dos adversários do Tigre na B

Postado em: 26/04/2016

Dos 19 adversários do Criciúma na Série B do Brasileiro, que começa nos dias 13 e 14 de maio, cinco estão nas finais dos seus Estaduais, e outros seis estão ou já estiveram envolvidos em semifinais.

Os melhores desempenhos são do Bahia (que decide o Baiano contra o Vitória), Goiás (finalista no Goiano contra o Anápolis), Joinville (na final de Santa Catarina frente à Chapecoense), Paysandu (que vai disputar o título paraense com o São Francisco) e o Vasco (finalista do Carioca contra o Botafogo).

O Sampaio Corrêa está na semifinal do Maranhense. Vila Nova, Atlético Goianiense, Náutico, Paraná e CRB foram eliminados nas semifinais em Goiás, Pernambuco, Paraná e Alagoas, respectivamente.

O Avaí foi oitavo colocado no Catarinense. O Bragantino, parou nas quartas de final da Série A-2 do Paulista. O Brasil de Pelotas caiu na segunda fase do Gauchão. O Ceará não chegou nem na semifinal, terminando o Cearense em quinto lugar O Londrina foi eliminado na segunda fase, e fechou o Paranaense em sétimo. O Luverdense ainda disputa o Matogrossense, e está na liderança da primeira fase. O Oeste caiu para a Série A-2 do Paulista, terminando a Série A-1 em antepenúltimo lugar. O Tupi de Juiz de Fora fechou o Mineiro na nona colocação.

Neste sentido, o Criciúma foi um destaque, fechando o Catarinense em terceiro lugar.

O melhor dos últimos oito anos

Postado em: 25/04/2016

Colocando os números da constatação esclarecida na postagem de ontem, de que o Criciúma conclui o Campeonato Catarinense de 2016 com um aproveitamento positivo - superior ao de três títulos e de um vice-campeonato estadual -, trazemos abaixo os índices propriamente ditos, de pontos ganhos, jogos, aproveitamento e classificação final no Estadual a cada temporada. O Criciúma fechou um Catarinense em terceiro lugar pela oitava vez na história.

Com 59,2% dos pontos conquistados, o Criciúma fez o melhor Campeonato Catarinense dos últimos oito anos. No vice-campeonato de 2008, teve 70,8% de desempenho. Conforme o Meu Time na Rede, em 39 edições de Campeonato Catarinense o Criciúma dispoutou 1.285 jogos, conquistando 601 vitórias, obtendo 368 empates e sofrendo 316 derrotas, com 1.918 gols anotados e 1.256 sofridos. Confira a tabela abaixo.

ANO    PG    JG    APROV    POS   
2016 32 18 59,2%
2015 18 19 31,5%
2014 23 15 51,1%
2013 35 22 53,0%
2012 27 18 50,0%
2011 35 22 53,0%
2010 23 18 42,5%
2009 28 24 38,8%
2008 51 24 70,8%
2007 55 24 76,3%
2006 13 10 43,3%
2005 31 20 51,6%
2004 15 10 50,0%
2003 20 12 55,5%
2002 24 16 50,0%
2001 44 26 56,4%
2000 34 22 51,5%
1999 61 34 59,8%
1998 61 33 61,6%
1997 20 18 37,0%
1996 27 24 37,5%
1995 81 46 58,6%
1994 53 44 60,2%
1993 58 76 76,3%
1992 41 34 60,2%
1991 53 39 67,9%
1990 58 40 72,5%
1989 72 52 69,2%
1988 50 38 65,7%
1987 59 48 61,4%
1986 54 40 67,5%
1985 65 56 58,0%
1984 61 51 59,8%
1983 62 58 53,4%
1982 62 54 57,4%
1981 72 55 65,4%
1980 74 55 67,2%
1979 58 50 58,0%
1978 66 58 56,8%

Um aproveitamento histórico do Tigre

Postado em: 24/04/2016

A despeito de todas as dificuldades vividas neste Campeonato Catarinense, o Criciúma tem números a comemorar. O Tigre encerra a disputa em terceiro lugar na classificação geral. É a oitava vez, em 39 participações no Estadual desde 1978, que o Criciúma é terceiro. Foi terceiro, também em 78, 79, 83, 88, 2002, 2003 e 2014.

Por aproveitamento, fechou com 32 pontos em 54 disputados, um desempenho de 59,2% dos pontos conquistados. E um detalhe curioso. O aproveitamento foi melhor que de várias campanhas, entre as quais em três títulos e um vice-campeonato. Ao ser campeão de 2013, por exemplo, o Tigre conquistou 53,0% dos pontos. No título de 2005, teve desempenho de 51,6%. E no campeonato de 95, faturou 58,6%. E de quebra, no vice de 2001 fez 56,4%. Ou seja, o aproveitamento deste ano superou o de três títulos estaduais e o de um vice-campeonato catarinense.

O Criciúma tem nove títulos estaduais. Foi outras nove vezes vice, oito vezes terceiro, três vezes quarto, duas vezes quinto, três vezes sexto, duas vezes sétimo, duas vezes oitavo e uma vez ficou na nona posição. A classificação ano a ano, bem como o aproveitamento de cada temporada, você confere na postagem de amanhã. Até lá!

A cautela de Michel Temer

Postado em: 18/04/2016

Estamos em Brasília desde sexta-feira. Vivemos nos bastidores as horas que antecederam, bem como o dia da votação da admissibilidade do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados. A vitória da tese do impedimento era certa, bastava saber por quantos votos. E ficou evidente a falta de poder de articulação do governo Dilma, um dos fatores que levaram a atual gestão à derrocada. E isso não é apenas opinião do articulista. Gente do PT concorda. Levantei este tema com alguns deputados e senadores petistas. Gleisi Hoffmann, a poderosa senadora do PT do Paraná que já foi ministra, concordou que o Planalto deveria ter se articulado melhor no Legislativo. E o deputado Vicentinho, de tanto barulho dos tempos da CUT, grifou este tópico para dizer que sim, cabia ao governo uma melhor linha de comunicação com a Câmara e Senado.

Concluída a votação na Câmara, pouco antes da meia noite, tive a oportunidade pessoal de estar com o vice-presidente da República por alguns minutos. Foi logo após da uma hora da madrugada, no Palácio do Jaburu, onde Michel Temer recebeu muitos deputados aliados, políticos das mais diversas esferas, amigos e empresários. Conversamos por cerca de dez minutos. De pronto, bastante cortês e solícito, Temer explicou que não gravaria entrevista para a Rádio Eldorado, desculpou-se mas explicou que só seria prudente qualquer manifestação pública após o Senado tomar a sua decisão em relação ao impeachment. Havendo a acolhida do processo dentro do regimento a ser seguido, aí sim Temer vai se pronunciar. Enquanto isso, manterá o silêncio e a discrição.

Na conversa com Temer, ouvi do vice-presidente um cuidado com as palavras no que tange a formação de um novo governo. Salientou que, de fato, o Brasil carece de uma gestão de união nacional, e que para tanto existem forças políticas suficientes para dar amparo e participar da gestão. Usou o termo "união nacional" repetidas vezes, para salientar o que vê como necessário para uma saída política da crise. Disse ainda que "vê disposição republicana" dos partidos em colaborar para que o Brasil saia das dificuldades, mas a cautela é a grande prioridade dos próximos passos de Temer.

Ficou claro, ainda, que o vice-presidente poderia, por seu perfil e estilo, ter colaborado mais com o governo Dilma. Se tivesse sido prestigiado e com espaço, seria inegavelmente um catalisador de quaisquer crise políticas, podendo manter o PMDB unido em torno do governo. Isso tanto é verdade que, dos 69 deputados do PMDB, 62 votaram com o impeachment, prova do respeito que a figura de Temer impõe à sigla, por mais rebelde e multifacetada que ela seja internamente. Apenas 10% da bancada, ou sete deputados, votaram "não" pelo impeachment.

Temer deixou Brasília na manhã desta segunda-feira. Apanhou um avião rumo a São Paulo, onde terá mais liberdade para articular, conversar e buscar ideias com políticos, interlocutores, juristas e gente do mercado. Destas searas deverão sair nomes para um futuro ministério que deverá, conforme pessoas próximas de Temer, ter um perfil misto, entre técnico e político, com muito menos ministros, no máximo vinte. Mas tudo isso no campo das especulações e impressões pessoais, já que Temer não se pronuncia sobre qualquer detalhe referente a um futuro governo.

Enquanto isso, o senador Romero Jucá, presidente nacional em exercício do PMDB, procura Renan Calheiros nesta segunda-feira para pedir ao presidente do Senado que apresse, na casa, a tramitação do processo do impeachment. Mas Temer se mantém, aparentamente, à margem.

Crise sobre crise

Postado em: 13/04/2016

Em 2013, o Criciúma fechava o turno do Campeonato Catarinense em Blumenau. Com a derrota para o Metropolitano por 2 a 1 em um domingo, 3 de março, o tricolor não apenas era sétimo colocado, à frente apenas de Atlético de Ibirama, Camboriú e Guarani, como também fechava um ciclo. Aquele resultado, como consequência de uma campanha instável e um início de ano difícil, derrubava o técnico Paulo Comelli. Comandante da campanha de acesso à Série A em 2012, acabou pagando o alto preço da permanência no clube, quando poderia ter seguido o conselho de muitos e, logo após a vitoriosa campanha, ter saído por cima. Preferiu ficar, tocou um time esfacelado em relação à temporada anterior e, em apenas nove jogos, viu ruir um trabalho exitoso de uma Série B inteira. E o pior, perdeu a chance de usufruir no Criciúma da Série A que ele havia ajudado a construir. Outra baixa importante daquela crise foi o preparador físico Márcio Corrêa, também competente, e da mesma forma tragado pela campanha ruim do Estadual. De resto, outras baixas não foram significativas. As de peso foram estas duas, Comelli e Márcio.

Por falar em Márcio, no mesmo dia em que o Criciúma derrubava sua comissão técnica pós derrota em Blumenau, os eleitores de Criciúma iam às urnas. Era a eleição suplementar, que consagrava a vitória de Márcio Búrigo, que tomaria posse dali a poucas semanas, para o mandato que ele segue a exercer. Estava, nos bastidores, sendo desenhado, sutilmente, o rompimento que dali a não muito tempo viria a abalar as estruturas da política criciumense, de Márcio Búrigo com Clésio Salvaro. Enquanto isso, o vereador Itamar da Silva vinha fazendo as vezes de prefeito, sem muita tinta na caneta.

Pois agora, três anos depois, quis o destino que o Criciúma voltasse a enfrentar o Metropolitano em um domingo com circunstâncias novamente dramáticas. Senão vejamos. Na bola, o Tigre vive uma transição que lhe exige a montagem de um time, com mais de dez novos jogadores, para fazer frente a uma Série B que promete ser dificílima. Está ciente o Criciúma, e o seu torcedor, que com o que conta agora, o Tigre não sai do chão. Com o time de hoje, o Criciúma é seríssimo candidato ao rebaixamento no Campeonato Brasileiro. Sem meias palavras, é esta, infelizmente, a verdade. E isso é tão admitido que, mesmo não planejando acesso, o Criciúma sabe que precisa receber ao menos dez reforços. E a partida diante do time de Blumenau, em Jaraguá do Sul, simbolizará isso. Um Criciúma esfacelado, sem ambições no campeonato, apenas esperando a chegada dos reforços e da Série B. Mas, desta vez, a comissão técnica não vai cair em caso de insucesso em Jaraguá do Sul. Seria até contraditório. Um técnico que tem pouquíssima mão de obra para montar um time não pode ser culpado pelas condições que não lhe são dadas.

E neste mesmo domingo, o Brasil viverá um dia tenso, com a votação do impeachment. Enquanto Criciúma e Metropolitano estiverem correndo atrás da bola no João Marcatto, deputados federais de todo o Brasil estarão fazendo algo raríssimo para eles - trabalhar no domingo em plenário - e votando o impeachment da presidente. Será um domingo daqueles. De escolha de vias e caminhos para o Brasil, e para o Tigre.

Tigre x Operário: histórias de outros tempos!

Postado em: 11/04/2016

Quando Criciúma e Operário Ferroviário pisaram o gramado do Heriberto Hülse naquele 30 de setembro de 1979, o mundo era bem diferente. Era um domingo. A moeda era o cruzeiro - 150,8 mil cruzeiros foi a renda daquele jogo -. O presidente da República era o último dos militares, João Baptista Figueiredo - estava havia seis meses em mandato -. O Papa era o ainda jovem João Paulo II - no pontificado havia menos de um ano -. O governador de Santa Catarina era Jorge Bornhausen. Era o ano da volta dos anistiados pela ditadura - Miguel Arraes, Fernando Gabeira, Luiz Carlos Prestes e Leonel Brizola -. Em Criciúma, corria o governo Altair Guidi, a avenida Axial ainda era uma novidade cortando a cidade, e o Paço Municipal estava em construção.

Ah, e o Criciúma vestia azul. E se chamava Criciúma fazia pouco mais de um ano. E já disputava o seu primeiro Campeonato Brasileiro. Era a volta do futebol criciumense às competições nacionais. O Próspera havia ousado sonhar com uma vaga no Brasileirão em 73, mas ela ficou com o Figueirense. E antes, o Metropol havia levado Criciúma longe na Taça Brasil, nos anos 60.

Foi neste cenário que o árbitro goiano José Muniz Brandão autorizou o início de Criciúma x Operário naquele domingo. O jogo era válido pela terceira rodada do Grupo B do Campeonato Nacional, que naquela temporada viria a ter a maior edição de todos os tempos, com 94 clubes. Só de Santa Catarina, eram o Criciúma - que ainda não era Tigre -, e mais quatro: Avaí, Figueirense, Chapecoense e o campeão estadual, Joinville.

Embora pela terceira rodada, o confronto daquele domingo no Heriberto Hülse, que também ainda era bastante diferente do atual, valeu como a estreia do Criciúma. A tabela tinha desdobramentos um tanto estranhos para os perfis atuais do futebol. Já o Operário havia, na rodada anterior, empatado em casa com o Brasil de Pelotas, 1 a 1. Eis que o Criciúma não tomou conhecimento dos paranaenses. Venceu por 4 a 0 com extrema tranquilidade. Logo, foi contra o Operário que o Criciúma debutou em campeonatos brasileiros. E o melhor, com uma belíssima vitória. Helinho, aos 15 minutos da etapa inicial, fez o primeiro "gol nacional" da história do Criciúma. Depois, marcaram Ademir Patrício, aos 38 do primeiro tempo, Naldo, aos 18, e Helinho, de novo, aos 22 minutos da segunda etapa.

Vieira era o técnico do Criciúma, que estreou com o pé direito atropelando o Operário e jogando com Airton, Marco Antônio, Pradera, Isidoro e Edvaldo, Maringá (Valdeci), Helinho e Müller, João Carlos (Naldo), Ademir Patrício e Laerte. Paulo Leão treinava o Operário, que foi goleado em Criciúma jogando com Ewerton, Gracindo, Binha, Osni e Chicão, Raul Santos, Luiz Fernando (Líder) e Dagoberto, Paulo Borges, Paquito e Doquinha.

Depois de nove rodadas, era um turno só, aquele Grupo B foi encerrado com Criciúma e Operário eliminados. Na sequência, o Criciúma, e suas camisas azuis, ganhou mais três, empatou um e perdeu quatro jogos, fechando  em sexto com nove pontos. Classificavam cinco. Faltou um ponto para alcançar o São Paulo de Rio Grande, dono da última vaga. Figuraram na chave, ainda, Grêmio Maringá, Desportiva, Brasil de Pelotas e Caldense, classificados junto com o gaúcho São Paulo, mais Caxias, Operário, Colatina e Chapecoense. O Operário ficou em oitavo lugar com cinco pontos.

TEVE MAIS...

Em 1990, Criciúma e Operário voltaram a se encontrar. Desta vez, em outro nível. A competição não era a elite, mas uma Série B talvez mais forte que aquela primeira divisão de 79. Eram 36 clubes. Os dois passaram da primeira, e da segunda fase. Vieram a se encontrar em um quadrangular, na terceira etapa, cujo primeiro colocado subiria automaticamente para a Série A de 91. E brigaram bem, até a penúltima rodada, com o Atlético Paranaense, que acabou subindo junto com o Sport Recife, o campeão do outro grupo.

Encontraram-se na segunda rodada, 0 a 0 em Ponta Grossa, no Germano Kruger. E voltaram a se enfrentar na quarta rodada, com o Criciúma voltando a golear, como em 79: 5 a 1. Gonzaga Milioli treinava o Criciúma naquele 2 de dezembro de 1990, e o Tigre venceu com três gols de Jair, um de Gelson e um de Zé Roberto. O time foi a campo com Marola, Sarandi, Wilson, Evandro e Itá, Roberto Cavalo (Claudiomar), Gelson e Grizzo, Adilson Gomes (Zé Roberto), Jair e Jairo Lenzi. O Operário era treinado por Sérgio Ramirez, e o público naquele confronto foi de 1.643 torcedores, para uma renda de Cr$ 595,8 mil. O paulista Ulisses Tavares da Silva Filho apitou o jogo. Ao final das seis rodadas, o Atlético somou sete pontos, o Criciúma foi segundo com seis, o Operário terceiro, também com seis, e a Catuense da Bahia fechou na quarta posição, com cinco pontos.

Cabe lembrar que, a base deste time que goleou o Operário em dezembro de 90 seria, dali a pouco mais de seis meses, campeã da Copa do Brasil.

E O ÚLTIMO

O quarto, e último encontro entre Criciúma e Operário, foi um amistoso em 17 de fevereiro de 2000, no Heriberto Hülse, vencido pelos paranaenses por 1 a 0, gol de Macalé. Celso Teixeira treinava o Criciúma.

No podcast abaixo, uma breve lembrança referida pelo repórter Jota Éder sobre Criciúma e Operário juntos no Brasileiro de 1979.

Caiu o último invicto. O JEC agradece

Postado em: 11/04/2016

Em 1956, o time amador do Operário de Joinville sagrou-se campeão catarinense invicto. Façanha que nenhum outro conseguiu depois, nem os poderosos Metropol, Joinville, Criciúma, Figueirense e outros.

Pois a Chapecoense vivia essa expectativa. Que acabou às 20h19min deste domingo, quando o Metropolitano sacramentou os 2 a 1 que derrubaram os 15 jogos de invencibilidade do Verdão no Estadual. Eram 18 jogos sem perder em 2016.

Longe de ser terra arrasada, a Chapecoense segue tendo o melhor time de Santa Catarina, já está na decisão, mas tem um problema: o Joinville. Em ótima fase depois de trocar de técnico, ganhou do Inter de Lages neste domingo e alcançou 19 pontos no returno, contra 15 da Chapecoense. Um empate no domingo que vem em Chapecó e o segundo turno é do JEC. E se perder, bastará vencer o Brusque na Arena na última.

E a Chapecoense? Finalmente nos deixou a impressão de que o resto não é apenas o resto. Ah, e azedou ainda mais a vida do Avaí contra o rebaixamento. O JEC agradece. E muitos outros também, inclusive o Criciúma, que não viverá o desconforto de ver a Chapecoense campeã no Heriberto Hülse.

Trinta anos sem Paulo de Lima

Postado em: 01/04/2016

Se não quer que a Difa noticie, não deixe acontecer... Um dos mais consagrados bordões da história do rádio em Criciúma nasceu da inspiração, do talento apurado, do faro constante de Paulo de Lima. Pernambucano de Garanhuns, veio parar em Santa Catarina depois de tentar a vida no Rio de Janeiro. Descoberto seu nato jeito para a reportagem, foi exercer a profissão na Rádio Tubá, em Tubarão.

Não demorou para despertar a atenção dos criciumenses, e acabou importado para a extinta Rádio Difusora, em meados dos anos 60. Ali logo marcou época, com seu inseparável gravador, seu estilo inconfundível no ar e fora dele. Era um repórter na essência. Entrevistava dos mendigos aos delegados, dos assaltantes aos da alta sociedade, com a mesma desenvoltura e qualidade. Granjeou muito respeito na polícia, por logo enveredar para o caminho da reportagem neste ramo, praticamente criando a crônica policial em Criciúma. É do começo da sua carreira em Criciúma o despertar de programas que transitavam do noticiário policial para o cômico com clássicos como “O Sol Nasce Quadrado”, na Rádio Eldorado, e “Forró no Xilindró”, na Difusora. Os colegas apanharam as informações policiais, muitas das quais colhidas e apuradas pelo próprio Paulo de Lima, e delas encenavam pequenas radionovelas, com atores, atrizes e contra-regras. Os auditórios da Eldorado e da Difusora ficavam pequenos para as radiofonizações que, via de regra, beiravam o cômico. Mas Paulo de Lima foi além. Fez da arte de entrevistar para desvendar um verdadeiro sacerdócio. E foi muito fiel às causas que defendeu.

Militou na Rádio Difusora praticamente até o seu fim, em 1977, logo migrando para a Eldorado. E foi na Eldorado que fez, talvez, a cobertura da sua vida. Em março de 78, um prédio era explodido no centro de Criciúma, pela sanha insaciável de Raul de Oliveira, o proprietário da edificação que o pôs abaixo em busca dos recursos do seguro, que havia firmado não fazia muito. Paulo de Lima estava em casa, um tanto insone, às duas e meia da madrugada daquele 29 de março. Residia no Edifício Comasa, não muito longe do local da explosão. Ao ouvir o estrondo, correu à janela do seu apartamento, e percebeu que algo de errado acontecia do outro lado da praça Nereu Ramos. Jogou qualquer roupa por cima do pijama, tirou o filho que junto queria ir do seu pé, ordenando-o que aguardasse em casa, e às pressas desceu do prédio, ganhou a praça e logo foi o primeiro repórter a chegar ao local do sinistro. Com seu gravador em punho conseguiu, horas depois, no Hospital São José, o depoimento que mudou os rumos da investigação do rumoroso caso, a maior tragédia da história de Criciúma. Colheu de um dos filhos do parceiro de Raul na tramóia a confissão de como havia sido elaborado e executado o plano. O pai estava morto, o comparsa ileso e foragido, e o próprio à beira da morte, viria a falecer depois, não resistiu às investidas de Paulo de Lima e, no leito do hospital onde deixaria a vida horas depois, o comparsa do futuro réu contou tudo. Gravada a entrevista, e transmitida na Rádio Eldorado pouco depois, estava consumado o que faltava para a polícia entrar em ação e desfechar o caso.

Um, de tantos exemplos, em que a coragem e a capacidade investigativa de Paulo de Lima colaborou não apenas para um caso, mas para uma cidade inteira que clamava por justiça. Meses antes, Paulo havia convivido, em agosto de 77, com o drama do incêndio da Rádio Difusora, que tanto gostava. Ele testemunhou as chamas, sem poder noticia-las, pois era justamente a emissora onde atuava que acabara de ser consumida pelo fogo. O Correio do Sudeste, onde Paulo já havia militado, noticiara na edição seguinte ao incêndio, “a notícia que a Difa não deu”, um triste desdobrar do velho bordão de Paulo de Lima, já consagrado a esta altura. Paulo também esteve com seus companheiros no desaparecimento efetivo da Difa, em outubro de 77, quando ela virou apenas uma página da história, desempregando radialistas e deixando um vácuo. Em 1980, conforme registra a segunda foto, estava Paulo de Lima com o microfone da Eldorado nas coberturas do centenário de colonização de Criciúma, ao lado do prefeito Altair Guidi, de quem era assessor de comunicação neste período. Do Correio do Sudeste, antecessor do Jornal da Manhã, está o testemunho de um evento festivo, acusado na terceira foto. Em 1º de abril de 1986, enquanto o filho Christophe comemorava aniversário, o pai Paulo de Lima encerrava sua trajetória entre nós. Era a notícia que nem a Difa, nem a Eldorado, queriam dar, mas foram obrigadas. Há exatos trinta anos, partia Paulo de Lima, o gênio da reportagem policial do sul de Santa Catarina.

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