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  Câmara nega 13º salário de vereadores

commentJornalismo access_time17/10/2017 17:05

Jurídico da Câmara de vereadores de Içara alega ilegalidade na lei que propõe o benefício

Internacional vai a Minas Gerais para continuar na ponta

commentEsporte access_time17/10/2017 14:00

Terça com rodada cheia pelo campeonato da série B

  Tigre indefinido para pegar o Vila Nova

commentCriciúma EC access_time16/10/2017 17:50

Técnico Beto Campos terá cinco desfalques, mas nem todos os substitutos foram confirmados

Denis Luciano

Sou Denis Luciano, jornalista e radialista, 38 anos, natural de Rio Grande (RS). Estreei no rádio em 1995, e atuo em Criciúma desde 2007, quando cheguei para coordenar o departamento de esportes da Rádio Eldorado. Apresento os programas Café da Tarde e Eldorado Futebol Clube, mais o Preliminar e o Apito Final em dias de jogos do Criciúma. Aqui, trataremos de tudo um pouco, do cotidiano de Criciúma e região.

Últimas postagens de Denis Luciano

E o povo?

access_time17/10/2017 21:30 personDenis Luciano

Há uma briga pesada nos bastidores da saúde opondo médicos e enfermeiros. Cansados do que consideram uma “invasão ao ato médico”, profissionais da Medicina foram à Justiça contra os enfermeiros visando limitar a atuação deles. E conseguiram. A partir de uma liminar, a turma da
enfermagem está proibida de indicar medicamentos e encaminhar exames em atos que agilizavam o atendimento ao povo, já tão castigado no atendimento. Essa medida, que visa proteger mercado dos médicos, criou embaraços em pleno Outubro Rosa, quando as mulheres são chamadas para seus preventivos que eram colhidos por enfermeiros, que agora não podem mais fazê-los. Na falta de médicos em quantidade suficiente, criou-se um verdadeiro caos, com gente dando com o nariz na porta dos postos de saúde Brasil afora. Proteger o mercado é um fator, importante e decisivo, mas para isso privar milhões de pessoas de um atendimento resolutivo, isso beira a insanidade. Baixem as armas e achem uma solução, por favor.

Olha a hora

Por quatro anos tive a feliz oportunidade de ser professor no curso de Jornalismo da Faculdade Satc. Foram oito anos e meio de muitas felicidades naqueles corredores. Primeiro, como acadêmico, depois, como facilitador. Mas qual a razão de tratar de professores dois dias após a data a eles dedicada? Pensei nesses felizes tempos, de interação com nossos futuros (e muitos atuais) jornalistas, ao contemplar brevemente o fim de tarde ontem. E pensar nesse “brevemente” que conferimos a momentos que poderiam ser tão especiais não fôssemos tão ditados por relógios e rotinas. A velocidade da vida nos impede de vivê-la como deveríamos, eternizando os instantes. O primeiro fim de tarde “útil” do horário de verão – ao qual muito aprecio – nos brindou de novo com um lindo entardecer, que me acompanhava naqueles tempos de chegada na sala para preparar tudo à espera dos alunos. E servia de pano de fundo para pensamentos. Memórias agora associadas, unidas, e sempre nos bonitos fins de tarde de verão lembrarei dos tempos em que começava a hora berrando um sonoro “olha a hora” para indicar aos meninos e meninas que era chegada a nossa hora.

Vergonha

Por falta de R$ 553 mil ao mês, o DNIT do Rio Grande do Sul está em vias de suspender as operações de manutenção de dois túneis na BR-101 na altura do município de Maquiné. Ponto obrigatório de passagem para milhares de passageiros aqui da região que tomam o Sul como destino ou
origem, o Morro Alto deverá ficar sem o tráfego a partir de novembro e, por falta da verba, os motoristas serão obrigados a tomar um desvio que aumentará a viagem em 11 quilômetros, pela antiga estrada que servia ao trecho. A crônica falta de planejamento, que reeditou um exemplo mancheteado ontem pelo DN, no impasse das verbas para a Serra da Rocinha, desnudam a forma inconseqüente como se administra um país. Lança-se obras ao sabor do improviso e, claro, dos apelos das urnas, dos
empreiteiros, dos lobbistas e oportunistas de ocasião.

Publicada simultaneamente com a coluna Gente da Gente do Jornal Diário de Notícias.

Camarada Prestes

access_time13/10/2017 13:15 personDenis Luciano

Não conheci meu avô paterno. Faleceu no começo dos anos 60, bastante jovem. Guaracy de Oliveira era um homem sábio. Estudioso. De origem muito humilde, chegou a professor, um brilhante salto social à época. Contemporâneo de Luiz Carlos Prestes, conheceu o capitão da Coluna Prestes nos debates políticos dos anos 30 na efervescente Porto Alegre de onde Getúlio Vargas havia saído não fazia muito para liderar o golpe e subir as escadas do Catete. E Prestes sofreu perdendo sua Olga, mas perseverou na defesa do comunismo soviético. Corriam os anos 40 e a militância clandestina se dava por bilhetes. Os meninos eram recrutados para, de forma insuspeita, os carregarem nas barras dos calções enquanto corriam ruas da capital gaúcha. Um deles, o menino mais velho do Guaracy, meu pai, também levou e trouxe bilhetes de Prestes. A quem optar pelo simples ataque ao comunismo por eles defendido, uma singela lembrança: esses homens defendiam um mérito hoje extinto, o idealismo. Seja qual for, tenha um ideal. Defenda algo, não somente você.

Debater

Oscar Niemeyer, pela reconhecida afinidade com Prestes, o acolheu por um tempo em sua casa no Rio de Janeiro. Já nos tempos em que o líder comunista trocava ideias com meu avô e seus camaradas em Porto Alegre. Fruto dessa amizade, já nos últimos anos da sua fantástica existência, Niemeyer desenhou uma homenagem ao amigo Prestes: um Memorial, para o qual a capital gaúcha doou uma área no começo dos anos 90. Ele foi erguido. Está lá, de pé, vizinho à Federação Gaúcha de Futebol perto da Avenida Beira Rio, e será aberto ao público no dia 28. Um vereador quer demoli-lo, sob o argumento de que Prestes era um traidor e o comunismo “faz de Hitler um bandeirante”. Ranços à parte, viva o debate
ideológico. Muito melhor que o fedorento debate fisiológico tão em moda hoje em dia.

Educar

Ontem fez 45 anos que Vila Sésamo entrou no ar. O velho programa, uma co-produção da Rede Globo com a TV Cultura, significou o primeiro passo efetivo da televisão brasileira rumo ao gênero infantil. Pensei em Vila Sésamo enquanto, na quarta-feira, batia um animado papo com duas intelectuais: as amigas Iris Guimarães Borges e Sandra Meyer Silvestre, que me presentearam com a Revista Acadêmica de 2017 da Academia Criciumense de Letras, da qual ambas fazem parte com mais 32 ilutres figuras. O
português bem pontuado e articulado tanto da Sandra quanto da Iris me fizeram lembrar o quanto é decisivo e imponente o papel da mídia ao oferecer recursos de boa expressão, ou não, para a nossa gente. Basta perceber o quão rápido os jargões geralmente bastante pobres das novelas se esparramam por todos os cantos. Esse potencial, se bem usado, causa revoluções. Eis a educação querendo pedir passagem. Por mais Vilas Sésamo e menos repetecos chulos imprestáveis, por
mais uso correto do bom português e menos abandono do intelectual em prol da preguiça. É por aí que passa o verdadeiro salto do Brasil rumo à velha promessa de “país do futuro”.

Publicada simultaneamente com a coluna Gente da Gente do Jornal Diário de Notícias.

Adubando, dá!

access_time11/10/2017 12:25 personDenis Luciano

Quando uma criança sai do ambiente escolar para curtir uma historinha infantil em um ambiente como a Feira do Livro a minha esperança no mundo simplesmente se multiplica. Ainda mais levando em conta que, do alto dos seus cinco anos, com a cabecinha aberta para tudo de bom – e de ruim – que somos capazes de transmitir, aquele pequeno está ali, diante de um pequeno palco, maravilhado com o casal que conta alguma aventura de algum bichinho com algum menininho em algum lugar encantado por aí. Não está aquela criança apenas diante de um celular multiplicando as verborragias cotidianas apinhadas de frivolidades quando não de más intenções. Ou não está diante da televisão e suas luzes que via de regra inundam com conteúdo extremamente duvidoso. Não, eles estão na feira, perto dos livros, curtindo uma história infantil e ocupando suas horas com o ócio mais produtivo que pode haver para uma criança, o ócio de curtir o que é bom enquanto nada se faz sentado em um tablado. Se conquistamos um leitor com a feira, ela está ganha. Mas, pelo visto, conquistamos vários.

Melhor presente

Faça isso no Dia das Crianças. Tire seu filho de rotinas repetitivas de entrega dele a qualquer terceiro. Não faça do vídeo game ou da TV o melhor amigo. Assuma este papel. Se o cotidiano não permite, mas o feriado lhe der esse tempo, apanhe-o pela mão e vá até a praça Nereu Ramos. Em vez de gastar R$ 50 com a cerveja do fim de semana, separe esse dinheiro, ou menos, o que você puder, e libere para seu filho comprar livros. Pois ele vai multiplicar isso como o investimento mais sagrado da hora. Ele vai chegar em casa, sentar na sua cama e começar a folhear seus presentes, e a viajar nas ondas divertidas, leves e construtivas daquelas obras. A partir de R$ 5, tem livrinhos para todos os gostos. Como diz uma conceituada empresa do circuito nacional em comerciais bem produzidos, faça uma criança ler. E pode crer que este será um presente perene, cuja validade não termina na simples mudança dos gostos e idades. É para a
vida.

Reunião da reunião

O poder público é uma máquina gigantesca onde as correntes pequenas, médias e grandes se entrelaçam de maneira inexplicável. Elas se enredam
com naturalidade constrangedora. Que o digam as reuniões que se proliferam para marcar reuniões, em uma falta de objetividade irritante. Faz semanas que a JBS anunciou a triste notícia do abandono de Morro Grande, deixando para trás um rastro de prejuízo para a pequena cidade que perderá 60% em impostos. Uma verdadeira tragédia. E nesta terça, lotando um ônibus, prefeitos e autoridades foram ao governo, pedir engajamento ao Estado. Desta reunião se agendaram mais duas reuniões, com o tempo passando e a agonia aumentando. Muito verbo e pouca solução, embora o sorriso amarelo do prefeito líder da causa tenha sido escondido por algum ar de animação. Que não tenha sido para inglês ver, pois essa morosidade é mais um golaço da iniciativa privada contra o surrado poder público.

Publicada simultaneamente com a coluna Gente da Gente do Jornal Diário de Notícias.

Das profissões difíceis e raras

access_time09/10/2017 19:15 personDenis Luciano

A semana que vem será da Ciência e Tecnologia na Unesc, e nela está anunciado um interessantíssimo workshop de Arqueologia. Quão fascinante e ao mesmo tempo pouco difundida é a profissão do arqueólogo. Nos falta dar efetivo valor ao sujeito que se ocupa de estudar o passado com, muitas vezes, escassas heranças que posicionam o presente, antecipam o futuro e, claro, explicam o que já se foi. Pense em uma obra que requer escavação. Criciúma vem sendo, nos últimos anos, rasgada pelos empreendimentos de esgoto que a Casan nos dá, finalmente, de contrapartida. E houve o Canal Auxiliar ainda, cuja intervenção por sinal continua e está em vias de atravessar a Avenida Centenário. Em cada uma dessas operações foi indispensável a presença de profissionais que se ocuparam de recolher itens raros que se encontravam misturados naquela massa de terra. Você faz pouco caso do que chama de “cacos de xícaras e potes velhos sem uso?”. Não seja. Viemos daí. O seu pouco caso agora apenas multiplica a postura arrogante que tivemos ao dizimar os primeiros donos dessas terras. À rica trajetória dos que fazem o cotidiano da Arqueologia, o nosso integral respeito.

Limpador de esgoto

No embalo de valorizar quem faz e pouco vemos, impressionante a atividade daqueles que colocam seus braços e mãos para fazer o esgoto fluir. Literalmente. Outro dia, a Rede Globo, em um desses inícios de dia de reportagens interessantes, exibiu a rotina de trabalhadores que descem galerias da rede de esgoto de São Vicente, no litoral de São Paulo, e mostrou a atividade braçal daqueles que removem dejetos sólidos do que o esgoto traz das casas. Preservativos, absorventes, outras sujeiras e cabelos, montanhas de cabelos, que enviamos pelos ralos sem nos importar com mais nada depois do sumiço disso tudo. Mas tudo isso segue uma viagem e qualquer barreira nesses caminhos nos fará prejudicados, revoltados, furiosos. Aí entra o cidadão que expõe até a sua saúde em ambientes insalubres para garantir o bem estar dessa vida urbana que gera tanto lixo. Somos desenfreados na arte de poluir e mais ainda na de viver do descuido do empenho e sacrifício alheio. Aos que dedicam seus dias a limpar o nosso esgoto, o nosso maior reconhecimento.

Fruta imperfeita

No mesmo espaço de TV onde exibiram o dia a dia dos limpadores de esgoto, uma excelente oportunidade de negócios ganhou ênfase. Amigos reuniram-se em São Paulo para criar uma empresa que recolhe, das feiras livres, aquelas frutas, aqueles legumes e verduras cujo aspecto não é o mais bonito. Por estarem com visual não tão reluzente, não chamam a atenção dos clientes e viravam lixo. Viravam. Partindo da estatística mundial de que 30% dos alimentos gerados viram lixo, e essa conta sobe para 50% quando se trata de frutas, legumes e verduras, uma verdadeira empresa, e potente, formou-se a partir dessa premissa, de reaproveitar. Pois esses itens são selecionados, limpos, acondicionados e viraram um baita negócio. Questão de visão!

Publicada simultaneamente com a coluna Gente da Gente do Jornal Diário de Notícias.

Boas notícias

access_time07/10/2017 17:57 personDenis Luciano

Outro dia uma boa amiga nos provocou, via redes sociais, a fomentar as boas notícias. Sou um entusiasta delas, mas infelizmente vivemos numa ilha cercada de tragédias por todos os lados. É triste que seja tão verdadeiro o fato de o ruim pautar o cotidiano, como que a nos contagiar com o negativismo. É uma dura realidade para a qual devemos estar blindados. Não queremos notícias ruins, mas são as que mais consumimos e as que mais repercutem. Experimente: vá ao Facebook e poste o link de uma reportagem sobre o voluntário que ajuda ceguinhos e outro de um estuprador fascínora e vagabundo. O segundo terá muitas vezes mais interações. É um fenômeno social mais que estudado e comprovado. Refleti a respeito ouvindo as boas novas nos trazidas no Café da Tarde desta sexta
na Eldorado pelo inquieto Nilson Olivo. Ouvi-lo contar das obras sociais resultantes dos mais de 98 mil exemplares dos 14 livros que escreveu na vida é mais que notável, é a certeza que o ser humano tem jeito sim! A destacar: ele é o criciumense que mais vendeu livros na história.

Viajando

E talvez seja o criciumense que mais viajou também, ou esteja entre eles. O Nilson anda com uma lista na qual relaciona os 99 países pelos quais já viajou, e vem programando com esmero a sua centésima viagem. O destino ele não conta nem sob tortura, até porque a sua amada esposa, que é quem deve saber – e dar o passe livre – ainda nem sabe o rumo. Dos 99 destinos já percorridos, os tradicionais e infalíveis como França, Inglaterra e Estados Unidos, aos insólitos, como Omã, Suriname e Tibet. Me peguei a pensar nas façanhas do Nilson Olivo ao tomar ciência, horas antes, na manhã de sexta, do menino, mais um de tantos, que não tinha calçados para usar nos pés para ir à aula. Mas lá estava ele, estudando. E certamente ele terá os seus calçados, comprados com o suor honesto do seu rosto, se
continuar assim, pavimentando seu ainda imaturo e jovem caminho com a força do estudo. Daí vem um dos conselhos de um vitorioso como o Nilson que hoje viaja o mundo graças ao seu trabalho: acorde cedo, tome banho (do corpo e da alma) e estude e trabalhe muito. Eis o sucesso. Ele vem!

Vereador profissão?

Impagável a entrevista do vereador Pedro Mazzuchetti ao João Paulo Messer justificando, na Eldorado, a indecente intenção de instituir décimo terceiro salário e indenização de férias para os vereadores de Içara. Não bastassem os absurdos políticos que a Capital do Mel já nos protagonizou não faz muito, agora essa para cereja do bolo. Diz o vereador que política para ele, e para outros, é profissão, pois não contam com outros ganhos e vivem dos salários – R$ 6 mil em Içara – e se dedicam 24 horas à função,
trabalhando mais que muita gente. Deveria ser regra, lei, ordem que o vereador, para ser vereador, possua um trabalho, uma profissão, uma renda, e que o salário de vereador torne-se uma ajuda de custo para indenizar enquanto serve ao município, e não serve-se do município. Vamos de mal a
pior.

Publicada simultaneamente com a coluna Gente da Gente do Jornal Diário de Notícias.

Vida dura

access_time06/10/2017 14:51 personDenis Luciano

O Edvaldo Corrêa é deficiente visual. Não enxerga. É cego. Mas é desses ceguinhos destemidos que, de bengala à mão, vai cutucando os caminhos em busca dos atalhos para ir e vir. Não se rende para a escuridão da mente, e por essa coragem se faz vítima de um verdadeiro banditismo que protagonizamos, todos nós, em maior ou menor escala, no cotidiano. Vivemos colocando entraves nos caminhos dos que não enxergam, desde calçadas com sinalizadores táteis que só servem para decoração e terminam ou em postes ou no nada, a telefones públicos que são convites ao cabeceiro forte e dolorido dessa gente, ou ainda essas lixeiras assassinas penduradas para fora de gradis, ou os desníveis de calçadas, ou, no caso do Edvaldo, as placas que superpovoam a Avenida Universitária, lá pelas bandas da Santa Luzia. Ele mal anda um metro sem tropeçar numa, derrubar outra, sem que ninguém fiscalize ou dê atenção. Somos uma terra que trata muito mal os nossos amigos ceguinhos. Somos maus com eles.

Indecente

Aprovado o fundo partidário. Serão R$ 2 bilhões de dinheiro público destinados a financiar campanhas políticas. Uma das medidas mais esdrúxulas, pouca coisa de tão podre e incoerente se viu na história deste país. Que o eleitor analise bem a ficha de cada um que, detentor do voto, trabalhou em Brasília para garantir essa indecência. É o biombo mais caro que este Brasil já nos impôs, afinal se usa o pueril argumento do combate à corrupção, ao desequilíbrio das campanhas , à lavagem de dinheiro, às custas do dinheiro do povo brasileiro. Como se não fossem continuam sendo aplicados rios de verba podre, desviada, achacada, roubada para eleger os representantes desses mesmos assaltantes do povo. O Brasil ficou de cócoras de novo, de joelhos diante da bandalheira, do
inescrupuloso, do desvio de princípios. Onde já se viu empregar dinheiro público, que deveria ser utilizado no bem estar do povo, para bancar campanhas de candidatos. O atual fundo já é indecente, este então trata-se da oficialização da propina, da bandalheira, do caos. Uma vergonha.

Criança operária

Pense você acordar todo o dia ali pelas seis da manhã e chegar em casa às sete da noite. Nem chance de dar aquela passadinha em casa ao meio dia para um reconfortante almoço com aquela encostadinha no sofá. Pois é. Esse é o duro cotidiano de algumas centenas ou um tanto mais de crianças de 4 e 5 anos de idade em Criciúma que frequentam o ensino infantil em tempo integral. Elas ficam 12 horas dentro das escolas, e já submetidas a ensino regular, não é recreação não, é a turma do pré, que se prepara para a primeira série. Pois a prefeitura, com razão, está reduzindo esses turnos para dez horas, quando a Lei de Diretrizes e Bases da Educação estipula sete horas. E há muitos pais reclamando da medida, alegando que não tem o que fazer com as crianças. Oras, escola não é depósito, nem babá, e creche é outra coisa. Como disse um amigo, se não consegue ter filho adote um gato. Tem vários órfãos por aí.

Publicada simultaneamente com a coluna Gente da Gente do Jornal Diário de Notícias.

Troca o povo

access_time05/10/2017 11:49 personDenis Luciano

O João Nassif é um camarada que eu respeito. Com uma trajetória fantástica na crônica esportiva, é um orgulho para nós ter um cidadão com o conhecimento dele por aqui. Quando nossos debates, seja nos microfones ou fora deles, enveredam para as questões da sociedade no Brasil, em geral ele encerra com o seu clássico “troca o povo”. Algo como a solução para nossos mais graves problemas reside em uma mudança plena de cidadania resumida com simplicidade pelo “troca o povo”. Essa máxima retumbou na memória ontem ao tomar conhecimento do ato contra a placa anti-esmolas posta pela prefeitura lá nas bandas do Pinheirinho, perto de um semáforo de grande fluxo de esmoleiros nessa Criciúma tão multifacetada e cada vez mais metropolitana. Pois um casal que vive esmolando, ao ver a placa, a fez vir abaixo, demoliu a placa, a atacou com a ira de quem se via, pelo alerta ali escrito, desprovido da sua fonte de renda. Em um país com tantas alternativas, desde os mais variados empregos aos mais espraiados programas sociais, é difícil entender o sentido da esmola. Há sim saídas para todas as necessidades. Lembrei sinceramente do Nassif e do seu clamor pela troca do povo.

Anti-vadios

Nem tudo o que se faz em Brasília é ruim. É o que nos permitiu concluir a Comissão de Constituição e Justiça do Senado ao aprovar uma medida importantíssima, que cria regras para demitir servidores públicos providos de estabilidade em caso de “desempenho insuficiente”. Em todas as esferas, seja município, Estado ou União, o funcionário público será avaliado, no que produz e na qualidade do que faz. Vem em excelente hora, já que a vassoura está precisando ser empunhada pelo povo para limpar, via urnas, nosso país dessa gente irresponsável que detém mandatos, será hora também de fazer valer alguma lei que defenda o povo de servidores ruins, vadios e incompetentes, escorados na espúria e antiquada estabilidade. Obviamente que a politicagem não poderá lançar seus tentáculos para fazer das suas aprontadas com algo de mérito tão bacana. Que o terno na cadeira, que a esperteza nojenta do Brasil que passa a perna no próprio Brasil esteja com os dias contados. Eu acredito.

Escola x praça

Como tudo é sujeito a polêmica nesta Criciúma que gosta de um debate, a vinda de uma escola adventista para o bairro Santa Bárbara ainda vai dar o que falar. A eles foi sugerido pelo prefeito comprar o terreno dos campos de futebol vizinhos ao União Operária, perto da igreja da Santa Bárbara, e ali fazer o educandário. Os investidores gostaram. Mas o terreno é público, e cedido está ao clube operário. Se a comunidade aprovar a ideia em reunião na semana que vem, a prefeitura vai à Câmara cancelar a cessão e fazer o trâmite para vender. Daí veio o barulho, do povo contrário ao negócio sob pena do fim de mais uma área pública de lazer na cidade. Já não temos tantas praças com tão pouco uso em Criciúma? Então que usem mais as praças para justificar a não venda delas. Simples.

Publicada simultaneamente com a coluna Gente da Gente do Jornal Diário de Notícias.

Julga, não

access_time04/10/2017 10:14 personDenis Luciano

Uma coisa é certa: impossível se imaginar na pele de alguém que chega ao extremo que chegou o Luiz Carlos Cancellier. Todo juízo é equivocado, do aparentemente sensato ao radicalmente enfático. E cheira a oportunismo tentar colher alguma conclusão. Mas uma situação determinante precisa ser levada em conta: a força pessoal interna para o extremismo. Somente motivações muito fortes e, por isso mesmo, inexplicáveis, conferem tal nortear, ou desnortear, ao ponto de alcançar o triste desfecho registrado. Outra prova incontestável do quanto a saúde da alma, do coração e do espírito são essenciais. Longe de
enxovalhar a polícia por executar seu trabalho, ou crucificar o extinto reitor pela saída “alcançada”, buscamos espremer esses limões para no sorver da limonada concluir que a saúde é um pacote completo, que sim, passa por tudo o que a máquina corporal nos permite tocar, mas também pelo intangível, afinal, o pensamento é de uma fertilidade imensurável e a lógica torna-se ilógica se não administrada. Cuidemos de nossas almas e corações também.

Estudiosos

O André Blousfield é um jovem de 38 anos com três formações acadêmicas mais mestrado e doutorado. Um sujeito genial no seu conhecimento. È pastor da sua Igreja Presbiteriana e acabou de escrever um livro. O está lançando sábado, no Café Cultura do Nações Shopping. É gente como a gente, mas que optou pelo estudo. Conheci a sua primorosa publicação no Café da Tarde de ontem na Eldorado. Um intelectual de ponta, veio compartilhar conosco a fabulosa pesquisa sobre o pastor Richard Smith, um norte americano que viveu em Criciúma por três anos, na década de 60, evangelizando e trazendo uma valorosa contribuição estrangeira para cá. Cada qual ao seu tempo, dois homens de bem: Smith desmetido,v vindo de longe, e André da inteligência, nos presenteando. Vale a leitura!

Pressa

Você ainda está naquela fase notável da vida em que aguarda todas as respostas para ontem? E na qual um segundo é o tempo para que seus interlocutores lhe ofereçam as soluções dos seus problemas? Vou lhe dar uma notícia então. O “ando devagar porque já tive pressa” é cada vez mais verdadeiro, a cada dia que a sua vida conta a seu favor. Sim, o tempo conta a seu favor. Se ficamos mais velhos, o tempo talvez nos faça mais bonitos, se aprendermos o refinar que o olhar avançado do horizonte oferece. Se ficamos mais velhos, podemos ser mais sensatos, se executarmos de fato a arma que a vivência nos dá, de
calcular os verbos e saber ouvir, o que é uma arte nada simples de executar. Se ficamos mais velhos, não somos menos jovens, somos ainda mais jovens, somos os jovens que multiplicaram, e, querendo, colheram. E o passar dos anos tem o fascínio de oferecer de novo velhas passagens, com novas roupagens, mas na essência, os dejavus do cotidiano, encobertos pela névoa do mistério. Tudo isso para dizer que velocidade até rima com emoção, mas a razão requer um passo por vez, com paciência e quietude. O tempo será sempre senhor!

Publicada simultaneamente com a coluna Gente da Gente do Jornal Diário de Notícias.

Ignorância é crime

access_time30/09/2017 17:05 personDenis Luciano

Ou ignorância tinha que ser crime. Ignorância deve doer na alma, deve arder nos ouvidos, deve saltitar no peito. Se não o fizer, há algo de errado com quem encara a ignorância. Devemos ter em nosso peito aquele grito abafado contra a opressão de pensamento, a mais cruel ditadura dos tempos atuais. Ouvindo entrevista no rádio, uma senhora apanhou o telefone, acessou o WhatsApp e mandou um recado para a emissora com o seguinte teor: “eu preferia que meu filho fosse autista a ser homossexual”. Imagino a reação do colega que recebeu tal absurdo e, claro, democraticamente, o compartilhou com a audiência. O autismo não desqualifica qualquer ser humano. A homossexualidade também não. Se estamos tratando de dois fatores que a natureza impõe, é inquestionável que nos cabe lidar com eles. Aceitar. Se, no segundo caso, relacionar-se com pessoas do mesmo sexo for uma opção, cabe ao mundo aquilo que o bom senso melhor abraça: a compreensão. Enquanto o mundo não tratar como hediondo o crime da ignorância continuaremos pavimentando o caminho da intolerância. Que os
filhos autistas e gays sejam tão amados como todos. Eis o que um mundo melhor requer.

Vibra que é teu

Apaixonado pelas tradições que sou, sulista e regional de carteirinha também, vibrarei no início da noite de domingo quando chegar a notícia do acesso do Hercílio Luz à primeira divisão do Campeonato Catarinense. Falta pouco, até uma derrota por um gol basta para o velho alvirrubro de Tubarão. Será muito bacana ter o Hercílio com o Tubarão e o nosso Tigre marcando o espaço do Sul no futebol de Santa Catarina. Merecemos isso. Tubarão merece, pela cidade guerreira e honrada que é. Guardadas as
rivalidades regionais, elas não podem avançar para o perigoso campo da ignorância, sob pena de transitarmos no lodo da nota acima. Ter rivais faz parte, é da vida, é do campo, é de quem se posiciona. Mas não ver que é melhor ter os próximos por perto é no mínimo pouco inteligente. “Vibra que é teu, Leão do Sul”, repetiria o saudoso Sebastião Farias que tanto o fez até os anos 90, justamente na última época em que o Hercílio figurou na elite estadual. São 26 anos de ausência. Volta com tudo, Leão do Sul!

Esforçados

O Francisco Faraco é daqueles homens da cultura que toda cidade deveria ter. Ele passa a sacolinha, ele não poupa um sacrifício, ele corre para lá, abre mão daqui e com a sua turma se esforça de novo para que Criciúma repita, no final de novembro, o Festival Internacional de Corais. Com cada vez menos respaldo público, a cultura criciumense só não perderá esse maravilhoso evento pelo esforço individual dessa gente da Associação Coral de Criciúma. O Festival vai sair, com uns 15 corais, muitos da região,
alguns visitantes que pagarão tudo do bolso ao melhor sabor do amor à causa que, claro, deve haver, mas o poder público deveria ter recurso para patrocinar um evento desse. A cidade ganha demais. Por mais Faracos e menos gestores sem visão efetivamente cultural, voto sim!

Publicada simultaneamente com a coluna Gente da Gente do Jornal Diário de Notícias.

Esperança hoje!

access_time29/09/2017 12:29 personDenis Luciano

“As crianças são o futuro, mesmo vivendo o presente”. Li esta frase ontem nos turbilhões que a timeline oferece em suas constantes atualizações durante o dia. Afinal, o que mais fazemos, com rara, honrosa e invejável exceção, é fuçar o celular observando atentos ou nem tanto a enxurrada constante de marés das redes sociais e suas frenéticas entregas de conteúdo e “conteúdo”. Tal frase me levou aos tempos dos bancos escolares, em que as esperanças, ainda sem esse rótulo, escoavam entre lições das aulas de Matemática, Português, História, Geografia, Ciências... Sob a mesma inspiração tratei de descobrir o presente de algum colega de quase trinta anos atrás dos bancos escolares, e encontrei nessas memórias uma pós doutora, que já tinha talento para estudar muito e que venceu justamente assim, devorando livros. Sim, adultos de sucesso hoje foram crianças que viveram o seu presente infantil trilhando, mesmo sem saber, o caminho do trabalho e conhecimento. A esperança é hoje!

Guerreiro

O Manoel Pedro Agostinho é um desses amigos que fiz pelo rádio. Tem 77 anos, é cego desde os 30. Da esposa, dona Zenir, lembra do corpo dos 26 anos dela. A união prossegue, a memória visual se apaga, mas as motivações, depois de um breve crise de identidade, persistiram. Ele não desistiu de viver mesmo sem enxergar a vida e encontrou outras formas de sonhar e existir e conhecer. Uma delas, pela fé. Sem poder ler uma linha sequer, já consumiu a bíblia inteira, de capa a capa, onze vezes, seja ouvindo-a na voz de Cid Moreira, seja lendo pelas vozes emprestadas de terceiros. É de mais guerreiros como o seu Manoel e sua transbordante vontade de viver que o mundo precisa. Está em crise? Está mal? Te espelha em um homem como este, que aprendeu a ver sem os olhos.

Tartaruga

“Foi uma operação tartaruga na praça do Congresso”. A singela e ao mesmo tempo hilária e ao mesmo tempo dissecante definição do eficiente Marciano Bortolin, nosso premiado parceiro do DN, depurou o cenário testemunhado ontem à noite no coração da cidade. Centenas passaram por ali lembrando os tempos não tão antigos da caça aos pokemons. Desta vez, não se tratava de um fruto da imaginação tecnológica mas sim a vítima de uma pescaria abusiva. Não tenho provas, não sei o que houve, mas está um tanto evidente que qualquer exagerou na rede de arrastão em nosso litoral e, além dos peixes, do lixo, dos pneus e botas abandonadas, veio a simpática tartaruga verde dos mares e, com medo de lidar com a preciosa espécime, teve alguém a genial ideia de atirá-la no lago da praça. Tão curioso quanto foi saber que horas acabaram consumidas em uma caçada frenética em um lago que não é fundo, que não é tão grande assim, mas o suficiente para que o bichinho se escondesse até onde fosse possível. Eis a natureza, tentando respirar enquanto a estrangulamos com nossas lamentáveis peripécias. Pedimos perdão em nome do tresloucado que atirou o bicho para a morte na lagoa lajotada do Centro.

Publicada simultaneamente com a coluna Gente da Gente do Jornal Diário de Notícias.

Quebraram os Correios

access_time26/09/2017 22:18 personDenis Luciano

Sim, conseguiram quebrar os Correios. Ouvi o desabafo ontem do seu Nestor em um café por onde passei. Seu Nestor é dos tempos em que o Correio era a empresa mais acreditada do Brasil. Figurava no topo do ranking dos orgulhos nacionais, se acotovelava e vencia Exército e Igreja. Nesta fase de tanto descrédito a quebradeira dos Correios tem a marca digital de uma turma que por lá passou e vilipendiou, saqueou esse antes tesouro público que hoje se tornou o farrapo de uma empresa. Tentar
explicar que essa enorme máquina é deficitária é quase uma obra de arte de tão difícil. Somente a gestão perdulária de gente que só pensou em si e aparelhou o bem público em benefício próprio foi capaz de destruir um enorme patrimônio do povo brasileiro, assim como se fez com a Petrobrás e
outras estatais menos citadas. A luta de agora dos aguerridos trabalhadores é apenas mais uma braçada nesse oceano de dificuldades. Querem cortar o plano de saúde pois falta dinheiro. Ameaçam com corte de ponto na greve, que é constitucional, e a privatização bate à porta como grave ameaça. E
cadê os irresponsáveis que destruíram nossos Correios? Mereciam cadeia.

Morrer?

“Vida após a morte? Meu filho, vive bem, aproveita cada dia, cada instante, e espera morrer para ver se tem vida depois”. A frase, dita em tom sereno e em atmosfera super bem humorada, tem a autoria de um novo fenômeno da filosofia de vida levada sem pesos burocráticos nem teóricos pela monja Cohen, um verdadeiro fenômeno do Youtube com milhares e milhares de visualizações em seus ponderados comentários a respeito do cotidiano, da vida, das pessoas, das relações e do mundo em que vivemos sob a perspectiva zen budista. Longe de ser uma apologia religiosa, é filosofia de vida, com leveza e respeito. Esta jovem senhora de mais de 70 anos vive da meditação, das palestras, leituras e escritas, abdicou do sexo “pois tem coisas mais importantes para se ocupar” (sem negar a importância da
prática, claro) e dá na sua humildade a melhor lição: não é preciso ser arrogante nem subir em um pedestal para distribuir palavras, conceitos e conselhos. Ela admite erros, reconhece chatices, evoca limitações para citar que, mesmo as tendo – e todos temos – ela resolveu enxergar a vida com outros olhos, do otimismo. Vale a pena assistir as suas boas lições de vida.

Debutando

O Museu de Zoologia da Unesc completa hoje 15 anos de atividades. Fundado pela liderança da professora Morgana Cirimbelli Gaidzinski, começou reunindo acervo nos anos 90 com animais mortos apreendidos e preservados para se transformar em um incrível manancial de referência ao bioma regional. O menor e o maior tamanduá do mundo estão ali, bem como uma enorme baleia, e uma arara foi o primeiro bichinho acolhido na impressionante coleção que serve aos visitantes. Mas vi a Morgana com olhos brilhando ao apresentar um exemplar de “Pintado, o mascote do museu”, livro a ser lançado hoje, às 14h, no Auditório Ruy Hülse. De parabéns ela e a equipe.

Publicada simultaneamente com a coluna Gente da Gente do Jornal Diário de Notícias.

Teto é dignidade

access_time25/09/2017 12:35 personDenis Luciano

Eis o maior sinônimo de dignidade. Ter sobre a cabeça deveria, em letras garrafais, constar na Constituição. Se é que não consta. Reconheço a ignorância e a opção pela observação. Em tempo, tal reflexão brota de um triste cenário que os caminhos dos últimos dias exibiram. Ver gente, e não foi aqui, acomodada sob cabanas de papelão e tendo a frieza da calçada como colchão seria o necessário para uma convulsão em sociedades mais adiantadas. Porém, vivemos do lugar comum de entender que é assim, de priorizar nosso umbigo e entender simploriamente que aí reinam causa e efeito. Muito pouco para explicar o profundo fenômeno da exclusão social. Enquanto houver um ser humano em tais condições o sossego cômodo jamais deveria fazer morada mas aceitamos, impotentes e contemplativos, perante à miséria que só cresce. Temos casa, teto e cama quente mas padecemos da maior falência, a da complacência inexistente. Triste e definitiva conclusão: somos os miseráveis da alma dessa história.

Melhor cenário

Escrevo estas linhas em um cenário que não poderia ser mais inspirador. Olho à frente e observo 21 diferentes livros. Detalhe, em um ambiente apinhado, muita gente mesmo. Suficiente para tirar fôlego nas linhas? Pelo contrário. O flerte com “Memórias de Carlota Joaquina”, o namoro distante com “Getúlio Vargas, meu pai”, fora os demais títulos, me vendem a convicção do quanto devo ao Pato Donald e à dona Glaci. Explico: em mínima idade já era eu um consumidor infantil de gibis e entregues carinhosamente por minha saudosa mãe. O fez em profusão. Em vez de aquietar seu caçula com brinquedos de validade limitada e gosto duvidoso, optou ela pelo risco de formar um leitor contumaz. O fez. Nem as bulas de remédios andam escapando. Orgulho? Pressão. Terei eu a condição de transplantar a mesma herança? Difícil. Ah sim, não no tal ambiente lotado, mas em outro,intimista e antigo, comprei meia dúzia ou mais, de David Coimbra a Jorge Amado. Biblioteca reforçada e o sonho do mundo real e melhor dos livros na vida da gente.

666

"A vida é uns deveres que nós trazemos para fazer em casa. Quando se vê, já são 6 horas: há tempo… Quando se vê, já é 6a feira… Quando se vê, passaram 60 anos… Agora, é tarde demais para ser reprovado… E se me dessem - um dia - uma outra oportunidade, eu nem olhava o relógio. Seguia sempre, sempre em frente… E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas…". As linhas até aqui reproduzidas são de Mário Quintana, em uma de suas geniais composições, está gravada no vidro que transformou seu antigo quarto em museu no Centro de Porto Alegre, no velho Hotel Majestic. Um amigo confidenciou que passou anos trabalhando a duas quadras deste espaço e só foi visita-lo vivendo a centenas de quilômetros dali. Mais um exemplo das opções que a vida sutilmente oferece e demoramos a enxergar. Ou nunca vimos.

Publicada simultaneamente com a coluna Gente da Gente do Jornal Diário de Notícias.

Hoje é dia de Matusa!!

access_time22/09/2017 10:04 personDenis Luciano

Uma bonita festa vai acontecer hoje à noite no AM Master Hall para brindar os 40 anos da Banda Matusa. É um evento beneficente, cuja entrada você retira na Rádio Eldorado em troca de dois quilos de alimento ou um pacote de fraldas, ou então R$ 15, e a arrecadação será integralmente repassada à Cruz Vermelha para as suas obras benemerentes, que são muitas e reconhecidas. Um acerto estrondoso do Matusa fazer uma festa assim. Por todo o apelo que a banda tem é de se esperar um evento para encher a casa, com custo tão baixo e uma proposta tão bacana. A festa começa às 20h com o DJ Belada fazendo o som e depois das 21h a alegre turma do Matusa sobe ao palco com sucessos de todas as épocas para sacudir o povo. É evento indispensável na agenda da região. Afinal, saudar Matusa é exaltar algo muito genuíno, muito nosso, em tempos em que a tradição anda fora de moda e continuar é tão difícil, essa turma é exemplo não só de longevidade, mas de compromisso e dignidade. São estrelas!

Diabéticos

A colega Karina Manarin fez uma ponderação bastante importante em um grupo de WhatsApp ontem sobre uma ideia que chega ao Senado visando a
isenção de impostos para diabéticos. A pauta precisa de 20 mil assinaturas de adesão para entrar em discussão em Brasília. Houve um ataque à manifestação pontual e importante da colega, de alguém que julgou inoportuna a matéria levando-se em vista o padrão social de quem pudesse vir a ser contemplado. É sabido o quão desgastante é fisicamente e o quão pesado é no orçamento de qualquer um conviver com esse problema que grassa, que se alastra. O diabético não o é por escolha, mas por alguma situação que a saúde impõe. O debate é válido. Mas a preocupação que me ocorreu a partir de uma intempestiva reação a uma pauta tão importante e proposta em alto nível é justamente o quanto está fácil baixar o nível das discussões. Não está mais em voga o diálogo, a troca de ideias racional. Ontem recebi de um colega jornalista conceituado de São Paulo uma manifestação com esse teor vinda daqui de Criciúma, de um “debate” em baixaria sobre um assunto qualquer. Por mais respeito nos diálogos, sim!

Incompetentes

Foi do vice-governador a definição. A incompetência (de alguém) causou o constrangimento que vivemos, da suspensão que já dura alguns dias e vai se estender por mais alguns das operações do SAER em Criciúma. O helicóptero está ali, no pátio, parado, sem poder alçar seus voos que nos conferem segurança e alavancam em casos extremos de saúde, por um problema burocrático qualquer. Alguém esqueceu de providenciar a publicação de um documento e o resultado aí está, totalizaremos mais ou menos uma semana sem esse serviço fundamental, que foi uma conquista histórica para a região, dando guarida aos bandidos e fomentando o desamparo na já castigada saúde pública. A incompetência na área privada é paga com desemprego. Manda embora. E na esfera pública? E assim vamos torcendo para que não aconteça a próxima incompetência...

Publicada simultaneamente com a coluna Gente da Gente do Jornal Diário de Notícias.

Votar

access_time21/09/2017 15:58 personDenis Luciano

O prefeito de Içara tem liderado um movimento que visa propor a união regional em torno de Eduardo Moreira ao governo do Estado em 2018. Não é tão simples assim, há instâncias partidárias, debates, trocas, afinal é dando que se recebe e todo tipo de pacto que envolve a montagem de palanques. Mas um fator é louvável na mobilização assinada pelo inteligente Murialdo Gastaldon. Debater, no tempo certo, a necessidade do voto pelo Sul. É isso que em linhas indiretas ele faz, respingando nas demais instâncias, já que de novo elegeremos senadores, deputados federais e estaduais no embalo do presidente e do governador. Mais dramático que apelar pelo voto na região – está mais do que provada a importância da representação política em quantidade, qualidade são outros quinhentos... –, é fazer o eleitor lembrar do peso, da importância, do realce que o voto deve ter. Afinal, você lembra em quem votou na última eleição? Aproveito e compartilho um segredinho: tenho um caderno antigo no qual anoto todos os votos da minha vida desde 1996. Me assusto às vezes. Me alegro em outras. Mas estão lá, minhas dezenas de votos com convicções, ideologias e algumas decepções.

Reclamar

Um cliente da Criciúma Construções me ligou. Cortês, educado, simpático, desfiou uma série de adjetivos ao humilde jornalista aqui antes de elencar suas razões de revolta. E elas são reconhecidas, típicas de todos aqueles alinhados com o problema social ocasionado pela citada construtora na perigosa ciranda em que ela entrou e afundou tanta gente consigo nos últimos anos. Este cidadão trabalhador, por exemplo, teve que vender um carro outro dia para participar do rateio das despesas milionárias da conclusão de um prédio, em ponto estratégico de Criciúma, pelo qual já havia pago antes com o financiamento feito, assim como dezenas de credores. Esse amigo recebeu com extrema estranheza os dados ontem enfatizados pela mídia sobre o atual momento da crise da aludida empresa. A redução estratosférica da dívida em poucos meses e a confiança de quem cuida da recuperação judicial não anda tão de acordo assim com a triste rotina que segue sendo encarada pelas vítimas. É o que registra este e outros clientes mais. O tempo dirá.

Reconhecer

Conheci o Odilor Martins certa vez, há alguns anos, quando por indicação do Alexandre Farias fui prestar um serviço na comunicação da Sociedade Recreativa Mampituba. Fiquei quatro meses lá, no outro período em que em paralelo partilhava de espaço aqui no líder Diário de Notícias. Me embrenhei pelos bastidores desse clube fantástico, tocado por tanta gente séria, de valor e de respeito em nossa sociedade, e o Odilor é um desses, que deu seu recado por lá. Foi um tocador de obras no Mampituba, um realizador de eventos, um cara que aglutinou diretores e fez a grandeza de nosso maior clube social. Iniciar o dia ontem com o aval do Odilor a essas acolhedoras linhas é sinal que a partilha vem sendo feita com eficiência. Nosso foco é vocês.

Publicada simultaneamente com a coluna Gente da Gente do Jornal Diário de Notícias.

Aplausos!

access_time19/09/2017 11:44 personDenis Luciano

Sabe aqueles dias que você sente um orgulho redobrado de fazer parte de um grupo? No nosso caso, de dois. Estar pela segunda vez no corpo do Diário de Notícias permite um agregar de responsabilidade com prazer, pela certeza da repercussão e da solidez de um jornal que chegou para ficar e já na liderança, o que é ainda melhor. E a Rádio Eldorado, que viveu uma noite de êxtase ontem recebendo um time muito bacana de convidados que brindaram com o nosso líder Henrique Salvaro a chegada do novo portal da Eldorado, que nada mais é que um canal de multiplicação do conteúdo gerado pela emissora e à altura da rádio que mais produz programação própria em Santa Catarina. Nos discursos do vice-governador Eduardo Moreira e do prefeito Clésio Salvaro a representação daquilo de mais valoroso que para nós existe: o retorno. Que comunicar requer respeito, integridade e culto aos valores, disso sabemos. E quando o reconhecimento vem de nossos líderes, é sinal que tudo está sendo bem feito. Vivas à Rádio Eldorado, um carinho que senti no abraço de tantos e tantas ontem.

Aplausos 2

Longe de ser segredo a dificuldade para se promover cultura neste país. Desde quando apanhei a programação do Festival Nacional de Teatro Revirado, que está atravessando a semana promovendo os vinte anos do brilhante Cirquinho do Revirado, tenho pensado no quão contorcionista está sendo o Reveraldo Joaquim e a sua turma para trazer tanta gente de valor no campo das artes e do teatro. Como o Martin Martinez, um argentino que há 25 anos se dedica à arte de ser palhaço. No picadeiro, conheceu países, gente, se moldou, teve filhos e distribui duas mensagens muito interessantes: uma sobre o improvisar. Outra, do Chaves. Quanto ao improviso, ele é daqueles que programa uma apresentação para a praça, a chuva cai e alguém oferece o salão de um restaurante. Lá vai ele, refaz o necessário e reforça que a vida é isso. Quanto ao Chaves, ouviu ele certa vez de uma família que acompanhava inúmeras vezes a mesma apresentação que, tal qual o satírico mexicano, eles conheciam todas as suas falas e, ao final das contas, riam igual. Eis a magia. Magia resultante
da determinação destes guerreiros.

Aplausos 3

Eis um aplauso invertido. A demissão do Luiz Carlos Winck no Criciúma foi daquelas difíceis de explicar. Outra noite, faz alguns meses já, convivi mais de duas horas com o Winck, ocasião em que ele foi nos visitar em nosso programa de TV na Litoral Sul aos domingos. Fui de motorista, o busquei e o entreguei em seu apartamento, ali pelas bandas do Paço em obras, passando por entrevistador e nos intervalos, batemos um bom papo sobre as coisas da vida, de Criciúma, da bola, do passado e do futuro. Confirmei a impressão de sempre, de um cidadão honrado, digno, trabalhador. Com tantos bons resultados em condições adversas, pensei que o Criciúma anunciaria a renovação imediata do contrato dele e trataria de lhe dar um bom time. Fizeram o contrário. Aplausos ao Winck.

Publicada simultaneamente com a coluna Gente da Gente do Jornal Diário de Notícias.