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Acidente gera óbito e deixa Quarta-linha sem energia

commentJornalismo access_time17/12/2017 02:12

Vítima colidiu veículo com um poste e cortou o abastecimento de eletricidade na localidade

Grêmio enfrenta o Real Madrid na final do Mundial

commentEsporte access_time16/12/2017 14:00

A decisão acontece logo mais as 15h 00min, no Estádio Zayed Soccer City, em Abu Dhabi (EAU)

  Tigre perde Raphael Silva e Lucão

commentCriciúma EC access_time15/12/2017 18:30

Atletas não renovaram por questões financeiras. O zagueiro já foi anunciado pelo Goiás

Denis Luciano

Sou Denis Luciano, jornalista e radialista, 38 anos, natural de Rio Grande (RS). Estreei no rádio em 1995, e atuo em Criciúma desde 2007, quando cheguei para coordenar o departamento de esportes da Rádio Eldorado. Apresento os programas Café da Tarde e Eldorado Futebol Clube, mais o Preliminar e o Apito Final em dias de jogos do Criciúma. Aqui, trataremos de tudo um pouco, do cotidiano de Criciúma e região.

Últimas postagens de Denis Luciano

Tempos difíceis

access_time02/12/2017 12:00 personDenis Luciano

A maledicência campeia. A inveja tem raízes poderosas. A mentira flui como rastilho aceso. A impetuosidade tem volúpia. A ganância possui garras. Um ano difícil se contorce entre as linhas do calendário para as despedidas de um duro 2017, que dificilmente deixará saudades, à exceção das realizações pessoais. No todo, um período pesado, em que a coletividade está plenamente castigada pela absoluta falta de coletividade. Nunca fomos tão individualistas. Seja nas cercas digitais de nossos smartphones e redes sociais, seja no silêncio cada vez mais amplo do verbo que escasseia perante à falta de afeto e desconfiança. Vivemos trevas da afetividade, potencializar do isolamento, variáveis que embrutecem o ser humano e aditivam a desesperança. Pessimismo? Não. Se a mudança de todo este cenário passa por cada um de nós, se cada um se der conta efetivamente, com ações, de que não somos o centro do universo, de que a galáxia não gira em torno do nosso umbigo, será o começo de um novo fim. Que saibamos abrir a janela e permitir o arejar da vida em conjunto.

Exemplo

Cumpro uma adorável escala neste sábado, ao subir no palco da Bem Music Hall para anunciar o show do Alceu Valença, em promoção da Rádio Eldorado com parceria do nosso DN. Aguço o improviso para deixar fluir breves linhas para o público que já estará aglomerado em suas mesas, superlotando o aconchegante ambiente, para abrir as cortinas da estrela da noite. Tratar de Alceu Valença é reverberar o genuíno, um cara que só aguçou o seu sotaque ao longa da produtiva vida cultural que teve por conta do orgulho que carrega, e que orgulho diferenciado este dos embaixadores das suas terras. Essa nordestinidade do Alceu Valença nos premia com a genialidade de um artista que dedilhou violão para hippies, que tentou ser advogado, rabiscou como jornalista e acabou músico embora tivesse pai desafinado e se julgasse pouco capaz de viver da música. Um cantor das suas circunstâncias, como se definiu no papo conosco nesta sexta no Café da Tarde, Alceu Valença é daqueles para sentar, bater o pezinho ouvindo e curtir. Brasilidade pura, de um Brasil que amamos e dá certo. Imperdível.

Até mais!

Embarco em necessário período de férias nas minhas atribuições no DN e na Eldorado. Nos próximos trinta dias, colegas nos cobrem e gravações se sucedem em faixas nossas do rádio e aqui a redação se encarregará de ampliar um pouco mais o competente conteúdo de nosso diário mais qualificado do sul para cobrir esse torrão que volta à sua identidade e suas modestas linhas nos primeiros dias do novo ano. Quase um ano da realização deste sonho, de deixar fluir raciocínios, pensamentos, debates e experiências não na primeira, nem na segunda ou terceira, mas em todas as pessoas. E neste sonho dessas cinco centenas de palavras diárias, um objetivo: ser Gente da Gente, estar não perto, mas na pele de vocês. E que essa convivência nos permita mais e maravilhosos encontros em 2018. Até lá, minha gente!

Publicada simultaneamente com a coluna Gente da Gente do Jornal Diário de Notícias.

Ho Ho Ho

access_time01/12/2017 11:55 personDenis Luciano

Inegável a capacidade renovadora que o fim de um ano tem. Do ponto de vista técnico, é básico demais defender que o simples virar de uma folhinha do calendário é suficiente para revigorar. Mas sim, há uma mística de encanto e força a girar esse período. É um limiar muito mais útil do ponto de vista psicológico que prático. Por muito tempo, quando a infância nos abre a porta da lucidez, temos a clara impressão de que o amanhecer de 25 de dezembro e o amanhecer de 1º de janeiro serão portadores de todas as boas novas quando na verdade são apenas novos dias, nublados ou ensolarados ou chuvosos e dotados das mesmas 24 horas que todos os demais. Mas o que é esse encanto que as crianças conseguem enxergar melhor que os viciados adultos, que somos todos nós? Simples, é a leveza, que quando se reaproxima das almas mais envelhecidas nos permite melhores experiências, como sorrir perante a um Papai Noel. Ontem estive com cinco deles no Café da Tarde e chegou a me envergonhar o risco de não sorrir. Mas quando menos percebi, estava lá, sorrindo. Ufa, estou vivo.

Vergonhosa

Foi com satisfação que vi a foto bem clicada – como sempre – pelo Lucas Colombo na capa do DN de ontem, na bem composta matéria da colega Bruna Borges resumindo o caótico trecho da SC-445 entre Siderópolis e Urussanga. Aquelas pedras, aqueles buracos estão certamente ainda mais castigados depois das últimas chuvas, retratando com exatidão a vergonha que nos é realçada por esta rodovia estadual. Ok, lembrarão os gestores que estamos recebendo grandes investimentos como a Via Rápida, o Anel Viário, o acesso ao Farol de Santa Marta e outros menores que qualificam nossa malha regional. Mas é uma lástima que por tantos anos ali esteja, como sempre, uma estrada que só piora mas cumpre a missão de unir duas cidades que, para se alcançarem com decência, requerem um contorno gigantesco, para os nossos padrões, por Cocal do Sul e Criciúma, quando uma linha praticamente reta resolveria. E há gente morando ali, e há progresso querendo viajar entre os lugares. Mas há carros quebrando, amortecedores castigados, caminhões lentos e sacolejantes. Eis uma
vergonhosa réplica do jogo de empurra dos gestores.

Fantasma

Michel Temer é uma caricatura dele mesmo. Mas não por fazer uma gestão desastrosa. Não. A reação da economia por si só já vai, aos trancos e barrancos, salvando um governo que só tem uma popularidade tão baixa, a mais baixa de todas na nossa história republicana, por ter sido tão mal parido. O nascimento traumático, à força de impeachment, e o posterior reforço no jogo de todos os governos, do “é dando que se recebe”, da compra de votos, da corrupção na espúria relação com o Congresso e partidos, tudo isso desnutre um governo que já nasceu desnutrido. Mas um mérito não se pode tirar de Temer: seu governo vai recuperando a economia. Ouvi qualificada explicação a respeito da colega Joice Quadros, em bate papo das próximas semanas no Café da Tarde da Eldorado. Vale a reflexão.

Publicada simultaneamente com a coluna Gente da Gente do Jornal Diário de Notícias.

Débeis do racismo

access_time30/11/2017 08:40 personDenis Luciano

A criatura que xingou a negritude da menininha do Malauí, filha adotiva dos atores globais – assunto da mídia nacional nos últimos dias –, ganhou imensa notoriedade nas redes sociais. A criminosa que usou e abusou do racismo em suas infelizes declarações ganhou, somente ontem, 50 mil seguidores no Instagram. É impressionante a compulsão do ser humano pelo consumo de lixo. Não somos apenas exímios produtores, somos multiplicadores do que é ruim. A velha máxima que se aperfeiçoa a cada dia, do ruim que devia dividir, multiplica, e o bom que devia somar, acaba subtraído. A exatidão matemática mede com pesada fita métrica a nossa incompetência. Penso, profunda e tristemente, que o surrado discurso de que os bons são maioria vai sendo cada vez mais surrado a cada dia. Afinal, quem consente e prestigia a bestialidade de exaltar o racismo como verdade é tão ou mais irracional e com um requinte maior de crueldade, pois se esconde na covardia de usar o discurso de terceiros para defender aquilo em que acredita. Cada elemento que curtiu a desbocada ignorante é tão ou mais racista e covarde.

Débeis dos vídeos

O delegado Márcio Campos Neves fez importantíssimo alerta ontem na Rádio Eldorado: o canalha que grava em vídeo ou fotografa um acidente expondo suas vítimas e distribui nas redes sociais é um criminoso, e como tal deverá ser tratado. E quem recebe tais conteúdos e passa adiante é tão safado e criminoso quanto. São infratores do artigo 212 do Código Penal e fomentam o crime de vilipêndio de cadáver. Isso aconteceu às pencas no sábado, quando essa gentalha que busca aparecer nas redes sociais passou adiante imagens do jovem casal morto naquele grave acidente do fim de semana em Criciúma. E voltamos à tenebrosa constatação de que postar na rede social uma bem construída crônica sobre uma obra de Machado de Assis lhe renderá duas curtidas, mas compartilhar a fotografia ou o vídeo de alguém estraçalhado fará de você uma breve celebridade. Essa busca desenfreada, vaidosa e nojenta por notoriedade, nem que seja às custas do sangue alheio, também desclassifica o ser humano e nos exige ter que fazer muita força para emergir dessas trevas onde tais criaturas nos colocam.

Débeis que xingam

Que as redes sociais se prestam como um biombo para covardes, isso é fato. Quem se prepara para cientificamente discutir diferenças raciais, quem se prepara para dar cobertura adequada a um acidente com vítimas sem expor e exercendo o legítimo direito de informar, são minoria perante a esses pseudo comentaristas e repórteres e fotógrafos de ocasião sem qualquer compromisso com a honestidade e a verdade. E no mesmo embalo surgiram os cronistas da vida alheia, que sobre tudo opinam, sobre tudo possuem teses, que extrapolam na maledicência e raramente são portadores de algum elogio sobre algo. Carregam verdades tão negativas que tornam-se incapazes de ver o bem que também existe. Não seja um desses. Compartilhe um mundo melhor.

Publicada simultaneamente com a coluna Gente da Gente do Jornal Diário de Notícias.

Maria Inês

access_time27/11/2017 13:20 personDenis Luciano

Sabe aqueles sorrisos que iluminam? Outro dia, faz meses, ela me deu a prova de que é portadora de um. Certa vez a menina Maria Inês foi fotografada no velho estúdio da Rádio Eldorado ali nos altos do Edifício Dom Joaquim. Naqueles anos 50 fervilhava no térreo o Café Rio. A menina daquela foto possuía sorriso franco perante ao microfone que a provocava a cantar. Seis décadas depois, a agora senhora Maria Inês, portadora do mesmo sorriso, cruzou comigo ontem no corredor de um supermercado. Festejava a aquisição em promoção de um daqueles varais móveis e comentava, com a simpatia peculiar, que muitos levavam o mesmo produto. Pelos breves instantes que compartilhei daquela frutífera companhia, vibrei com a oportunidade de estar diante da dona Maria Inês Conti Victor, professora espetacular que foi, pedagoga, secretária municipal, voluntária de tantas e tantas causas. Um dos tantos presentes luminosos de personalidades riquíssimas que a nossa Criciúma nos oferece com um dos grandes patrimônios da nossa terra.

Casar é bom

Eis um lugar comum: falar mal do casamento. Por ironia ou até convicção, trata-se de um esporte imensamente praticado o de criticar a instituição que opõe os valores da hipocrisia. Senão vejamos. Por mais que você seja solitário, e entenda que este é o caminho, já considerou que o mundo não é mundo sem partilha. E duas vidas sob o mesmo teto, na mesma estrada, com os mesmos princípios, objetivos e sentimento resumem o bem precioso de se casar. Feliz de quem se casa e é feliz na escolha feita. E se
não o foi, não culpe a instituição, a falência é por culpa dos homens (e mulheres), mas jamais da instituição. O casamento une, aproxima, constrói famílias. A pauta não é somente o casamento convencional, mas o casamento enquanto filosofia e até objetivo. Não se sinta envergonhado se você gosta de estar casado. E se você quer casar e ainda não chegou lá, não se intimide de reconhecer. É bom. Que mais pessoas abram mão deste véu hipócrita de achar que casamento não é algo positivo quando na verdade tanto o querem. No fim das contas, todos queremos. Somos do par, não do ímpar unitário.

“Fala muito”

Se conselho fosse bom a gente não dava, vendia. Certo? Bobagem. Você que por alguma razão precisa verbalizar, você é, digamos, político... Outro dia um cidadão conhecido em Santa Catarina foi falar sobre um determinado assunto e cometeu a indelicadeza, perante a um microfone, de falar continuamente, sem pontos nem deixas, tornando o que poderia ser uma agradável entrevista um palanque, um discurso, um monólogo. Além de ser absurdamente mal absorvido pelos ouvintes, inviabilizou a pauta, que já gerava certa insatisfação. Ou seja, falar demais só piorou o que já estava ruim e colou a pecha do inconveniente no tagarela. Me lembrei do Tite e o seu clássico “fala muito” para o Felipão. Romperam relações por conta daquilo. Não rompa relações com seus eleitores falando demais. Fale o suficiente. E aprenda a hora do ponto.

Publicada simultaneamente com a coluna Gente da Gente do Jornal Diário de Notícias.

As lendas da alça, da inovação e da SC-445

access_time23/11/2017 17:55 personDenis Luciano

Inegável a qualidade da terceira etapa do Anel Viário, entre a SC-108 ali perto do Mampituba até a Vila Zuleima. Mas esse trecho da rodovia nasceu com um erro de engenharia imperdoável: o esquecimento do acesso à Mina do Mato, Naspolini e arredores. O elevado que ali passa sobre o Anel é a Rodovia Archimedes Naspolini, uma estrada municipal, que é conectada à estrada inferior e nova por uma picada, um caminho ridículo e que contrasta com tudo o que foi feito. É como promover um casamento impecável e o padre esquecer da batina na missa. Um detalhe que faz muita diferença, mas um detalhe barato perante ao todo. O caminho de chão batido que faz a precária conexão vem se tornando perigoso, por pouco que já não aconteceram acidentes ali. E a velha promessa, de resolução do problema até o meio do ano, não se concretizou. Agora falta a prefeitura desapropriar a área para o Estado ceder os R$ 800 mil que o município vai aplicar para fazer a alça. A primeira lenda do dia.

Lenda 2: Inova

Perguntei ontem à reitora da Unesc sobre o projeto do Centro de Inovação, investimento estadual que já vem contemplando diversas regiões e nós, do Sul, ficamos para trás. De novo. Já tem Inova em Lages (óbvio) e em alguns outros município, mas o nosso não tem sequer a pedra fundamental no terreno que a Unesc destinou ao Estado. “Virou lenda”, é a definição da reitora Luciane Ceretta que não esconde o constrangimento associado à sutil indignação – ela é uma mulher elegante, não vai externar obviamente o natural e explicável incômodo com a lastimável demora –. Um dos pró-reitores da Unesc vai ao governo na semana que vem tentar saber a razão da amarração, embora a lerdeza seja uma característica das mais relevantes do poder público brasileiro. Os passos de cágado não surpreendem, mas neste caso há algo de não tão cheiroso no reino da Dinamarca, já que outros foram contemplados. Antecipemos uma explicação: a culpa parece ser do solo, já que a área era minerada. Desculpas... O Inova servirá para “desenvolver desenvolvimento”. A segunda lenda do dia.

Lenda 3: 445

A saída inteligente para quem está em Urussanga e quer chegar a Siderópolis não é pegar o caminho mais curto. Pegar o caminho mais curto é rasgar pneus, é destruir amortecedores, é se irritar e até se arriscar. O mais correto é tomar o caminho muito mais longo, por Cocal do Sul e Criciúma. Tudo porque a SC-445 no seu trecho não pavimentado, entre Urussanga e Siderópolis, é uma estrada absurdamente mal conservada. Faz alguns meses um acordo foi celebrado entre a ADR e as prefeituras. A primeira entraria com máquinas e homens, as outras com o material. Urussanga até entregou um pouco, com esse pouco se fez um pedaço da estrada, melhorando um tantinho do tenebroso piso (eu já passei, quem já passou por lá sabe bem o retrato da dor). Siderópolis? Nada. Nem um carrinho de terra. Alguém foi ali e retirou pedras pontiagudas de um trecho. Piorou. Virou um lamaçal. A terceira lenda do dia.

Boa no Paço

access_time14/11/2017 11:30 personDenis Luciano

Somos das pautas negativas. Vivemos do negativo. Logo, a proposta hoje é falar de coisas boas. Tratar de boas novas. Abordar boas notícias. Isso contagia, é mágico, faz a diferença. Começo com um elogio ao governo do município. Longe de ser bajulação, afinal quem acompanha essas linhas sabe das críticas já tecidas inúmeras vezes ao atual ocupante da cadeira de Marcos Rovaris. Mas a gestão de Clésio Salvaro está concluindo o Paço Municipal. Pude visitá-lo ontem, andei por todos os seus cantos e com o acompanhamento de dois engenheiros da prefeitura, e pude notar o zelo, o cuidado, a qualidade do que ali está sendo feito. Poderá o cidadão questionar a necessidade de uma obra tão apurada, mas a resposta é óbvia: o governo precisa sim estar abrigado com dignidade, afinal ali são prestados serviços ao cidadão, inúmeros, indispensáveis. É uma obra ampla e de dez milhões, nem é tão cara assim para a magnitude que tem. A cidade merecia voltar a ter seu governo morando com decência, e não nos puxadinhos atuais por força das chamas. Reabertura em 6 de janeiro.

Boa no Majestoso

O apelo que ouvimos do presidente Jaime Dal Farra em nosso Papo de Bola no domingo na TV Litoral Sul mexeu com brios. Estive diante de um Dal Farra que está esgotado, embora não admita. Esgotado de ser hostilizado quando deveria receber força, apoio, afinal está colocando a mão no bolso e dispensando tempo para fazer dar certo o nosso Criciúma. Já empregou R$ 16 milhões dos seus recursos e colocará mais R$ 3 milhões lá em curto prazo para deixar tudo em dia. Claro que isso é o necessário para quem assume uma gestão como ele, mas a falta de apoiadores, o isolamento do presidente parecem sinalizar que Criciúma não gosta mais do Tigre, o que seria um atentado para com a nossa história, a nossa paixão, a nossa estrela da região. Fiz a minha parte ontem então. Fui até a secretaria e reativei minha carteirinha de sócio. Por força do trabalho, nunca vou usá-la, não assisto jogos do Tigre, trabalho neles. Mas alguém vai usá-la e o mais importante, são R$ 90 a menos de rombo. Faça o mesmo. Não é pelo Dal Farra. É por Criciúma. Custa pouco.

Boa no Café

Gosto dos idealistas. Independente do que defendem, mas se sabem o que defendem, são idealistas. O mundo é melhor com eles. Embora solitários, aparentemente lunáticos, são os idealistas que ainda folheiam livros, que não negam o passado, que gostam de argumentar e não impor, mas oferecer. Os bons idealistas podem até cultuar máximas diferentes dos nossos credos, mas são plausíveis nos seus desejos. Merecem respeito. Eu não vejo os monarquistas como utópicos ou malucos, mas como idealistas. Eles entendem que um rei assessorado por um primeiro ministro faz melhor para um país que um presidente. O número 2 da Monarquia no Brasil, Dom Bertrand de Orleans e Bragança, bisneto da Princesa Isabel, trineto do Imperador Dom Pedro II, é nosso entrevistado desta quarta, 16h, no Café da Tarde. Conto com vocês na Eldorado. Até lá!

Lições de vida

access_time10/11/2017 17:30 personDenis Luciano

O Márcio Barros tem 39 anos. É adventista. Mora em Içara. Ele encarou um divórcio. Sofreu. Desta dor buscou refúgios. Um deles, na fé. Por sua igreja, encontrou um rumo novo: ser missionário. Devotar tempo, dedicação e conhecimento a uma causa. A dele não poderia ser tão nobre. Ele foi para Moçambique, um castigadíssimo país da África, colocar pela primeira vez guitarras e violões nas mãos de crianças e adolescentes. Mais que ensinar a sua arte de músico, Márcio levou dignidade. Em troca, recebeu acolhida. Conheceu o povo mais afetivo, que dá bom dia sem ser pelo protocolo, que abraça com carinho e dança mesmo que não haja música. Da pobreza que os oprime, os moçambicanos ensinam o valor do otimismo. Sem água encanada nem energia elétrica, eles não precisam de redes sociais para verborragiar nem de luxos quaisquer para serem felizes. O são com o que a natureza lhes dá. E mesmo sem dinheiro, fazem da vida o que ela deve ser: doce. Que moldemos chances de missões em nosso cotidiano para conhecer trilhas diferentes dos trilhos diários que percorremos. O coração, os olhos e alma agradecerão e corresponderão.

Devagar

Me alinho com o Rio Maina. Criciúma tem uma cidade magnífica dentro de si que sempre foi tratada com pouco zelo. Oferecer uma intendência com um punhadinho de funcionários, pouca autonomia e material restrito é nada perante ao que gera, retorna e merece todo aquele grande torrão. Nosso maior distrito carrega marcas pesadas do desleixo, governo após governo. Não faz muito, vieram com o Parque do Imigrante, uma construção esplendorosa, encravar no Rio Maina um espaço à semelhança do Parque das Nações que a Próspera fez por merecer. Mas ao saber que a obra avança a passos de cágado, com gente contada nos dedos de uma mão revirando terra diariamente ali, nos vemos diante de mais uma chaga da gestão pública brasileira: a falta de continuidade. Aliada à reinante e inegável falta de recursos, é um prato cheio para a morosidade. E olha que o parque é o pagamento de um naco da grande dívida que temos com todo aquele povo.

Sem graça

É ruim ser injustiçado né. Você trabalha muito para ter um restaurante e inventam mosca na sopa. Você cuida da padaria e acusam seu pão de ser pura química. E você zela por seu açougue para falarem mal da sua carne. A maledicência, que sempre existiu e existirá, ganhou um potencial aliado nesses tempos multimídia: as redes sociais. Elas, que em suma não estão com a culpa e aceitam tudo, são pródigas em multiplicar o ódio, o ranço e a inconseqüência de gente que parece nutrir-se da desgraça e o pior ainda, da injustiça com o alheio. E são vítimas do ser menos humano que existe, o ser humano. Outro dia, rastilhos de pólvora rondaram a cidade com fotos de um fiscal do Inmetro lacrando uma bomba de combustível. O posto foi identificado pelos mal amados e até causas do suposto lacre vieram à tona. O Inmetro logo desmentiu. Você que multiplicou esta notícia falsa coloque-se no lugar da vítima. E aprenda.

Publicada simultaneamente com a coluna Gente da Gente do Jornal Diário de Notícias.

Eucalipto é

access_time07/11/2017 09:40 personDenis Luciano

Petista é gente. Tucano, idem. Cego é gente. Surdo e mudo, também. Pobre é gente. Rico, idem. Torcedor do Avaí, do Figueirense, da Chapecoense e do JEC, são gente também. Nesse mundo individualista dos tempos atuais parece que só nós somos gente. No máximo a nossa família, o nosso cachorro, gato e o smartphone. Vai lá algum vizinho e amigo mais querido. De resto, nada. E figueira, amoreira, flamboyant, ipê, pereira, goiabeira, canela, acácia, cedro, limoeiro e outras tantas são árvores, tanto quanto o eucalipto é árvore. Faz fotossíntese? É árvore. Aos que vem minimizando a derrubada de árvores promovida pela prefeitura no Paço, e há quem argumente o papel mínimo que o eucalipto exerce, apenas sugando do solo e de pouco servindo para abrigo ou alimento de
animais, a esses lembro que “fez fotossíntese, é árvore”. Trocando em miúdos, despoluiu o ar, é árvore. Tem validade. Não é preciso despencar frutas de caules e troncos para que uma árvore seja considerada uma árvore. Se ela tem verde, se ela gera verde, se ela processa essa milagrosa transformação gasosa que nos dá o que respirar, é árvore. Agora, que é necessário um estacionamento para os servidores da prefeitura, este é outro debate. Não me venham desmoralizar o eucalipto. Ele é arvore, sim!

Pisca é

Um sujeito tirava o carro de uma garagem e a pista na qual ele planejava entrar, a oposta da calçada que ele vencia, estava com longa fila de gente que pacientemente aguardava o sinal verde para avançar. Mas o sujeito, impaciente, retirou o carro, mas sabendo da falta de espaço, e o enfiou entre dois à minha frente, ocupando a pista oposta e solenemente fazendo uso do pisca alerta para isso. Aberto o sinal, ele não somente acelerou, mas tocou por cima do carro que ali se encontrava há mais tempo exercendo o sagrado direito que o trânsito confere, da ordem de chegada. E não satisfeito com o atropelo, ainda se dignou a baixar o vidro e, de dedo em riste, berrar algum absurdo compatível com a sua incapacidade ao volante. O pobre infringido, certamente calejado por barbeiros dessa má espécie, chegou a desanimar da pista e tomar outro rumo, por óbvio para fugir de tão mesquinha influência. Pisca é vida. Respeito às leis e regras, mais ainda.

B é

Se eu fosse prefeito hoje o Tigre me proporcionaria um levante em nome de Criciúma. Alguém já parou para calcular o peso que o Criciúma Esporte Clube tem para a cidade? É diferente do Boa Esporte para Varginha, com todo o respeito ao adversário desta noite e à sua simpática cidade. Simples atestar. Vá em qualquer lugar desse país e diga que você é de Criciúma. Experimente. Qual será a primeira reação? Do garçom à recepcionista, do taxista à moça do caixa, todos serão unânimes em te associar àquele time de amarelo, preto e branco. Logo, se eu fosse prefeito hoje era um dia para eu liderar a presença da cidade
toda no Majestoso, abarrotando a nossa casa tricolor por uma única razão: não tem preço ficar na Série B. . Sorte, Tigre!

Ponto facultativo e preguiçoso

access_time03/11/2017 12:30 personDenis Luciano

Hoje esta edição do Diário de Notícias descansará solene e não manuseada nas caixas de correspondência e nos halls e nas mesas das repartições públicas. O feriado de ontem sinaliza para uma folga hoje sob o nome pomposo e inexplicável de “ponto facultativo”. Essa indecência do poder público brasileiro, um rótulo sofisticado para a preguiça, é perpetuada governo após governo e o pior, ganha explicações. Uma delas, a mais recente, é de que o ponto facultativo proporciona economia de recursos públicos, na medida em que os setores públicos permanecessem fechados e assim não consomem energia elétrica nem outros insumos do cotidiano, que todos pagamos em nossas casas e empresas. E pagamos estes também, economizados com a solidariedade dos servidores públicos e seus chefes que, preocupados com o nosso dinheiro, abrem mão de trabalhar esticando feriados, criando feriadões inexistentes e fazendo suas folgas às custas do contribuinte catarinense e brasileiro. Nas próximas explicações, sejam mais honestos, não usem uma economia com a qual vocês não se
preocupam no resto do ano. Obrigado.

Operadores

Me causa arrepios ouvir, em cada reportagem sobre os recentes e não tão recentes escândalos de roubalheira do dinheiro público, a menção aos “operadores financeiros” dos partidos. Seguimos no embalo dos rótulos, como na conversa anterior quando mencionamos os indecentes pontos facultativos para rotular as preguiçosas folgas esticadas. Os operadores nada mais são que especuladores, doleiros, gente que mexe com dinheiro grosso em nome de interesses escusos. E tem muita gente que mexe com dinheiro e é do bem, de respeito, como os trabalhadores dos bancos, que cuidam da riqueza alheia sem surrupiá-la. Mas os tais “operadores financeiros” são um supra sumo de hipocrisia, é o travestir de bandidos que agem livremente em nome de causas nada republicanas e nos vendem como se algo tão normal fosse. Se o operador financeiro de um partido tivesse somente ações legítimas, ele seria um técnico que tecnicamente cuidaria de contas da atuação política, que de fato, no campo da decência,

Omissos

Abandonar os mortos em seus túmulos, eis a questão. Ontem ouvi do maior especialista em cemitérios em toda a nossa região, o amigo Sérgio Martins, o Pinduka, que são muitos os casos de famílias de recursos e posses que, por variadas razões, não administram como deveriam as moradas eternas, os túmulos de seus antepassados. E muitos o fazem tendo herdado daquele finado que ali se encontra sepultado o dinheiro dos quais hoje usufruem. O debate aqui está distante de ser existência ou não de vida após a morte, mas sim de respeito à memória de quem fez por onde e, por mais que não tenha feito, merece o mínimo de respeito de quem carrega sangue, sobrenome e até patrimônio. Ter tempo ou vocação ou gosto para visitar túmulos e mantê-los bem cuidados não é o xis da questão, mas sim cultivar uma memória positiva de quem partiu. Colheremos o respeito que dermos.

Boas tradições

access_time31/10/2017 22:00 personDenis Luciano

Era meio da manhã. Estava eu no carro. Passei rápido. Queria ter tempo de parar, descer, comprar um pé de alface, meia dúzia de tomates, três cebolas e um pimentão. Ah e se possível um pãozinho e um agrado para a cara metade. Eu queria ir na feira livre. Me faltou tempo. Me sobrou vontade. E aquilo ficou a martelar o resto do dia. Não que não tenhamos ótimas opções na cidade em nossos abundantes supermercados, qualificados e em profusão. Mas a feira livre na antiga prefeitura respira originalidade. Ela é o campo na cidade. Ela é a mão tratada no arar da terra colhendo para a nossa saúde e bem estar. Ela é a mão que aceita moedas em troca de bens preciosos para nossa alimentação. Ela é a mão que embora a preocupação com o futuro das lavouras – os jovens não querem mais o campo –, ela terá
a perícia de fazer a sucessão da agricultura. Pois precisamos dessa gente que provê, que não atende ao urbanóide que não pode descer cinco minutos do seu carro mas atende todos os demais, que reservam preciosos minutos à doce aventura de compartilhar de uma feira livre. Não percamos esse hábito. É como ler o DN e ouvir o rádio na Eldorado. Coisas de tradição.

Boas notícias

É bom encontrar gestores públicos motivados. Eles fazem a coisa andar. Um papo rápido com o Luiz Fernando Vampiro, ontem, colocou do outro lado da linha um secretário empolgado. O cara que cuida da Infraestrutura é rápido nas respostas. Quando o indaguei a respeito do acesso por asfalto ao Farol ele precisou de dois minutos para contar que aquele lindo recanto do nosso litoral terá seus 2,6 quilômetros de acesso de chão batido convertidos em asfalto do bom antes do dia 15 de dezembro. Logo, estamos a um mês e meio do desfecho de um desejo histórico e que trará real impacto positivo
ao turismo no sul. Sairemos de Criciúma e percorreremos só asfalto, por uma BR duplicada e por duas SC´s em boas condições, para chegar na badalada praia ao sul de Laguna. Mais uma prova incontestável de que asfalto é progresso, e o Vampiro acerta ao apostar nele pela Via Rápida, pelo Farol e pelo Anel Viário, como também acerta o Clésio Salvaro ao inaugurar uma usina de asfalto no sábado. Temos boas notícias a comemorar.

Bons debates

O Zairo Casagrande oportunizou uma interessantíssima discussão, de alto relevo e bastante repercussão ontem no nosso Café da Tarde na Eldorado. Debatemos os bairros, seus limites, seus nomes e o status de muitos lugares que o tempo ensinou a chamar de bairros mas a falta de estrutura para tal lhes coloca em xeque. O vereador não aprofunda, mas fica claro que, como baixaremos para 93 bairros ao final dos processos atuais, vários deixarão de existir, serão absorvidos, e outros enfrentarão bons debates em audiências públicas no ano que vem, casos do Pinheirinho (que entregará o Paço à Santa Bárbara), Vila Selinger (que hoje não existe no mapa) e Primeira Linha Sangão (que vai mudar de nome para Pontilhão). Bom para a cidade é debater e conhecer a cidade. Fato.

Publicada simultaneamente com a coluna Gente da Gente do Jornal Diário de Notícias.

A importância de um abraço

access_time28/10/2017 00:30 personDenis Luciano

Uma senhora obesa entra em uma loja. Procura roupas. Passa entre as araras, vasculha os cabides. À distância, a vendedora observa já ciente que a cliente não encontrará o que procura. Instantes depois, a confirmação. “Moça, não tem nada do meu tamanho aqui. “Aí é que a senhora se engana”, responde a jovem atendente, abrindo os braços e oferecendo um aconchegante abraço. “Há quanto tempo eu não ganhava um abraço”, responde a mulher, aos soluços e chorando. O breve recorte de uma conhecida historia que roda as redes sociais ma carregou durante o papo de ontem, no Café da Tarde da Eldorado, com os amigos da ONG Médicos de Alma. Há dez anos, esse grupo, atualmente com 40 voluntários, reúne-se para levar abraços, carinho, afago, música e muita alegria para internos de hospitais e idosos dos nossos asilos. É um espetacular plantio, de colheita obrigatória, justa e muito positiva. Os participantes são unânimes: eles crescem, amadurecem e se tornam pessoas melhores oferecendo amor. Prova de que sentir e fazer algo com o sentimento segue valendo a pena!

Muito mais

Não acompanhei a Expo Mais como gostaria, mas nas breves oportunidades de visitar as palestras e ouvir as ricas falas, pude apurar o acerto do presidente César Smielevski e da sua eficiente equipe na Acic ao apostar nesse evento como o fato novo para Criciúma. Em sua segunda edição, vai assumindo a missão de propagar conhecimento, essa moeda que nunca está em crise, cujo lastro é constante e em permanente crescimento na bolsa de valores da vida. Conhecer é ter, e multiplicar o que se conhece
é nobre. A Acic cumpre sua valorosa missão assim, sem politicamente nem espetacularização, mas sim com o retorno que uma entidade de classe de fato preocupada com as próximas gerações, e não as próximas eleições, deve fazer. Outro exemplo de plantio de colheita obrigatória. Distribua conhecimento e semeie o futuro de um país, que só prosperará com densidade com o peso da moeda do saber. Fora da educação, não há salvação para o subdesenvolvimento. A Expo Mais ensinou isso.

Vale Oro!

Em um dos livros do Archimedes Naspolini lá está, com ênfase: Casa Oro, assim mesmo, sem o “u”. Era o prestigiado estabelecimento do seu Esperandino Damiani que faziam os Natais das crianças pobres mais felizes com os brinquedos que ele tomava do estoque para colocar um sorriso naqueles rostinhos castigados da gente humilde da Criciúma de ontem. Saiba que ao pisar no confortável e aconchegante restaurante do boa praça Fefê Damiani, em Nova Veneza, você estará de certa forma percorrendo os
caminhos do seu Esperandino e da Casa Oro, do homem que fazia o Natal benemerente de Criciúma. Fefê é um dos filhos desse ícone, cuja memória a cidade deveria reverenciar mais. Não porque ele abria mão da venda de um punhado de brinquedos para doá-los a quem nada tinha, mas sim pelo coração sadio, aberto, pulsante, de real incentivo às atuais e futuras gerações sobre o bem que pequenos esforços proporcionam.

Publicada simultaneamente com a coluna Gente da Gente do Jornal Diário de Notícias.

Pensa, Criciúma!

access_time25/10/2017 17:30 personDenis Luciano

O seu Hélio Soratto é um engenheiro aposentado. Ele participou de governos que ergueram obras importantes, como o Paço Municipal (Altair Guidi) e o sistema de transporte coletivo com os terminais (Eduardo Moreira). E dentre os vários elogios, fez alguns reparos importantes do alto da sua visão técnica para nossos problemas do cotidiano. Lembrou a inutilidade para Criciúma de erguer alguns viadutos, na contramão do que o mundo está fazendo para atenuar gargalos. E recordou a imensa falha do bom sistema dos ônibus em Criciúma. Não há razão de o terminal central receber linhas que não sejam as do Amarelinho. As demais, dos branquinhos hoje também acolhidos no Centro, deveriam estar nos terminais dos bairros. Era um princípio do sistema, tirando tráfego na área central, e não colocando mais ônibus lá. Fora que o terminal do Pinheirinho já deveria ser na Santa Luzia, e o da Próspera já deveria interligar com Içara e Morro da Fumaça, tirando as linhas desses municipios do tráfego da Centenário e da Rodoviária. Essas e outras reflexões o Soratto vai desenvolver com a gente hoje, às 16h05min, no Café da Tarde da Eldorado.

18,4 milhões

Que os tempos são de intolerâcia, é inegável. As redes sociais estão aí como cenário, exemplo, modelo e palco farto para o destilar dos exageros. Uma moça foi vítima de gritos machistas por torcedores do Internacional no sábado no Heriberto Hülse. Mas houve quem entendeu que a moça mereceu ser xingada. Oras, qual mulher merece em um estádio com dez mil pessoas ser chamada de p... e v...? Somente a intolerância que cega e vai perdendo a noção dos limites é capaz de justificar opiniões a favor de comportamentos não sociais. Parece que as plataformas digitais viraram o cenário virtual para o agir daqueles que
precisam de recantos da vida para encontrar a coragem para extrapolar, transgedir, verbalizar e agredir. Outro dia, aqui também comentamos as críticas a pessoas que comemoravam avanço na atenção pública aos portadores de diabetes. Os intolerantes criticavam os brasileiros com melhores condições que poderiam usufruir do benefício tanto quanto os menos abonados. Como se a diabetes escolhesse condição social para agir. O Brasil tem 18,4 milhões de diabéticos e todos, sem exceção, merecem o amparo da saúde pública.

Tomou?

A Câmara vai negar hoje a abertura de processo contra o presidente Michel Temer. Embora todas as evidências de que o sucessor de Dilma está atolado até a raiz dos cabelos nas bandalheiras recentes, mantendo essa linha do rastilho da corrupção que lambe o bonito carpete do gabinete presidencial, a compra inescrupulosa de votos que o pelotão de Temer vem promovendo entre deputados vai surtir efeito. De setembro para cá, o Planalto gastou R$ 900 milhões em emendas e empenhou mais R$ 3 bilhões. Essa pura compra de votos, indecente e escancarada, não é novidade nem criação de Temer, mas apenas a mesma batida de uma música velha, surrada e repetida. Somos muito mal representados.

Guerreiro: admirando vencedores

access_time23/10/2017 09:25 personDenis Luciano

Esses caras que se dedicam a algo bacana, que vá da sociedade à benemerência passando por qualquer escala de atividade que envolva o bem, eles merecem todos os méritos. Como o Rogerinho. O cara das motos ali do Centro. Na loja dele tem aquelas motocicletas enormes, algumas várias que meros mortais como nós temos óbvias dificuldades de até fazer funcionar, quiçá tripulá-las. Pois o Rogerinho é mais uma vez campeão brasileiro de motovelocidade. Conquistou o título pela segunda vez ontem, em Goiânia, na categoria mil cilindradas. Recebi a notícia do colega Dante Bragatto Neto no fim da tarde com real felicidade. Afinal, se trata de um guerreiro de tantos que temos. Ele, ao seu jeito, se dedica ao esporte que gosta, e padece do mesmo mal que muita gente por aqui: a falta de reconhecimento. Mas isso não é exclusividade criciumense. O brasileiro perece de uma doença muito estranha: a do pouco apreço ao sucesso alheio. Com raras exceções, vemos com aplausos mais efusivos o sucesso de estrangeiros que dos nossos. Uma triste cultura que esperamos tenhamos a capacidade de extrair da próxima geração que vem aí.

Triste

Não faço segredo que nasci no Rio Grande do Sul. E nem me envergonho disso. Pelo contrário, é uma terra de tradições fabulosas, de enorme contribuição para a história do Brasil. Mas vem encarando uma realidade difícil em diversas instâncias. Na administrativa, nem precisamos discutir. Conheço filas enormes de gaúchos que adorariam morar aqui na nossa Santa, bela e próspera Catarina. Mas no sábado tivemos uma leva extra de gaúchos que aqui proporcionaram um espetáculo que julgo lamentável. Tirando os bons lances do jogo com o Criciúma, que foi espetacular dentro e fora de campo, aquele acontecido do instante do hino nacional é digno de nota, e baixa. O Rio Grande tem um belo hino, aprendemos na tenra idade na escola, é difícil um gaúcho que não o conheça. Bonito mesmo. Mas não pode nem deve suplantar o brasileiro, como o fizeram os torcedores colorados. É uma blasfêmia repetida, nada de novo, mas desta vez soou aqui. Longe de ser algo contra o Rio Grande do Sul, mas é a favor do Brasil, do qual o Rio Grande faz parte tanto quanto os demais estados. Somos brasileiros, com muito orgulho. Certo?

Aplausos

Fabuloso o trabalho que a Apae presta. É chover no molhado repetir isso. Mas os dados que me foram repassados sexta-feira pelo presidente da Federação, Júlio César Aguiar, com quem tive a sorte de bater um bom papo, são de alegrar e muito. Nessa veia das boas notícias, das quais o hábito nos faz lamentavelmente estar um pouco longe delas, devemos saudar que 500 pessoas deixam de nascer deficientes intelectuais por ano em Santa Catarina fruto da prevenção que a Apae faz. E cerca de 200 já deixaram cadeiras de rodas e usufruem de melhor qualidade de vida por conta do pedia suit, um equipamento
extraodinário com 80 unidades no Estado, uma aqui em Criciúma. Aí está uma instituição que é séria e dá o seu recado com excelência.

Publicada simultaneamente com a coluna Gente da Gente do Jornal Diário de Notícias.

Tigre mau

access_time19/10/2017 12:15 personDenis Luciano

O Criciúma foi enfrentar o Internacional no turno da Série B, lá em Porto Alegre. E deu dois shows. Dentro de campo, o time do Luiz Carlos Winck jogou redondo, venceu boa parte do tempo e só não saiu de lá com três pontos por uma fatalidade nos acréscimos. Foi um empate interessante mas com gosto de quero mais. E fora de campo, nas arquibancadas, mais de mil tricolores fizeram o Tigre pulsar forte na capital gaúcha. Foi uma festa linda de se ver, foi o momento de êxtase do sofrido torcedor do Criciúma na atual temporada. Agora, neste sábado, o Tigre recebe o Inter. Em situações opostas. O adversário vem para somar mais três pontos rumo ao título. O Criciúma começa a cumprir tabela, no primeiro de oito jogos sem muito objetivo. Qual seria a obrigação do Tigre? Encher o estádio com a sua gente, com ingresso barato para agradecer e se desculpar. Mas não. Ingresso caro e o pior, com espaço ampliado para a torcida adversária. Dinheiro pelo dinheiro. Futebol é dinheiro, fato, mas é momento também. E o momento não é para ganhar em cima da festa adversária, mas sim para aproximar os seus. Errou e feio o Tigre.

Fura-fura

Pouca coisa é mais irritante que estar em uma fila e ver alguém burlando, furando, passando na frente. Não é verdade? É a falta de educação em uma potência elevada este estilo desagradável de levar vantagem em tudo. Nem sempre precisamos estar em primeiro, nem sempre precisamos colher um resultado, ganhar algo. Nem sempre. Passe pelo Terminal Central. Ali, paralelo à pista da Centenário que leva à Próspera, defronte à praça vira e mexe acertada em cheio pelos bêbados e desgovernados do volante, há um buraco na cerca. Alguém derrubou a grade que separa o terminal de ônibus da rua. Colocaram uma tela plástica ali. O que muitos espertinhos tem feito? Utilizam aquele vão para entrar no terminal sem pagar. Sabemos que a passagem de ônibus em Criciúma é cara, mas procurar um buraco na grade para chegar à plataforma sem pagar, além de perigoso, é o cúmulo da chinelagem. “Ah mas os caras roubam milhões em Brasília e não dá nada”. É por atitudes assim e justificativas assim que nada muda. Você que dribla a cerca para entrar no terminal sem pagar é um dos brotos da Floresta Amazônica da corrupção.

Centro de Eventos

O assunto é surrado, mas toda vez que Criciúma abriga um evento, volta à carga. Nos falta um Centro de Eventos. O José Ijair Conti, com todo o respeito à espetacular figura humana ali homenageada, de tradicional família e grandes serviços prestados à nossa cidade, mas aquilo é um pavilhão que abriga eventos, diferente portanto de um centro especializado em eventos. Ali você escorre de suor. Você estaciona em um ambiente de chão batido e torce para não chover, senão será no meio da lama, quando encontra vaga. E, ainda assim, nossos bravos organizadores seguem nessa luta. Quando teremos um centro de eventos público e decente? Antes de evocar demagogias, vamos olhar o futuro. Ele está logo ali, nos atropelando.

Publicada simultaneamente com a coluna Gente da Gente do Jornal Diário de Notícias.

E o povo?

access_time17/10/2017 21:30 personDenis Luciano

Há uma briga pesada nos bastidores da saúde opondo médicos e enfermeiros. Cansados do que consideram uma “invasão ao ato médico”, profissionais da Medicina foram à Justiça contra os enfermeiros visando limitar a atuação deles. E conseguiram. A partir de uma liminar, a turma da
enfermagem está proibida de indicar medicamentos e encaminhar exames em atos que agilizavam o atendimento ao povo, já tão castigado no atendimento. Essa medida, que visa proteger mercado dos médicos, criou embaraços em pleno Outubro Rosa, quando as mulheres são chamadas para seus preventivos que eram colhidos por enfermeiros, que agora não podem mais fazê-los. Na falta de médicos em quantidade suficiente, criou-se um verdadeiro caos, com gente dando com o nariz na porta dos postos de saúde Brasil afora. Proteger o mercado é um fator, importante e decisivo, mas para isso privar milhões de pessoas de um atendimento resolutivo, isso beira a insanidade. Baixem as armas e achem uma solução, por favor.

Olha a hora

Por quatro anos tive a feliz oportunidade de ser professor no curso de Jornalismo da Faculdade Satc. Foram oito anos e meio de muitas felicidades naqueles corredores. Primeiro, como acadêmico, depois, como facilitador. Mas qual a razão de tratar de professores dois dias após a data a eles dedicada? Pensei nesses felizes tempos, de interação com nossos futuros (e muitos atuais) jornalistas, ao contemplar brevemente o fim de tarde ontem. E pensar nesse “brevemente” que conferimos a momentos que poderiam ser tão especiais não fôssemos tão ditados por relógios e rotinas. A velocidade da vida nos impede de vivê-la como deveríamos, eternizando os instantes. O primeiro fim de tarde “útil” do horário de verão – ao qual muito aprecio – nos brindou de novo com um lindo entardecer, que me acompanhava naqueles tempos de chegada na sala para preparar tudo à espera dos alunos. E servia de pano de fundo para pensamentos. Memórias agora associadas, unidas, e sempre nos bonitos fins de tarde de verão lembrarei dos tempos em que começava a hora berrando um sonoro “olha a hora” para indicar aos meninos e meninas que era chegada a nossa hora.

Vergonha

Por falta de R$ 553 mil ao mês, o DNIT do Rio Grande do Sul está em vias de suspender as operações de manutenção de dois túneis na BR-101 na altura do município de Maquiné. Ponto obrigatório de passagem para milhares de passageiros aqui da região que tomam o Sul como destino ou
origem, o Morro Alto deverá ficar sem o tráfego a partir de novembro e, por falta da verba, os motoristas serão obrigados a tomar um desvio que aumentará a viagem em 11 quilômetros, pela antiga estrada que servia ao trecho. A crônica falta de planejamento, que reeditou um exemplo mancheteado ontem pelo DN, no impasse das verbas para a Serra da Rocinha, desnudam a forma inconseqüente como se administra um país. Lança-se obras ao sabor do improviso e, claro, dos apelos das urnas, dos
empreiteiros, dos lobbistas e oportunistas de ocasião.

Publicada simultaneamente com a coluna Gente da Gente do Jornal Diário de Notícias.