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Editorial: abertura do Programa João Paulo Messer desta quarta-feira (29)

access_time29/04/2026 - 06:30

Fonte: Produção

Nesta semana, reacenderam na memória os episódios de 8 de janeiro de 2023, casos absurdos tanto pela forma como foram cometidos quanto pelas consequências impostas. Observados no contexto do Brasil, revelam uma página inquietante da nossa história recente.

Ao comparar as penas aplicadas aos envolvidos nesses atos com aquelas destinadas a crimes cometidos por agentes de colarinho branco, sobretudo por figuras do alto escalão, o contraste expõe um país que tem motivos para se envergonhar. Escancara-se a forma desigual com que o Brasil trata os seus.

O fato é que, seja no orçamento ou nas leis, o país foi capturado por um grupo de poder que nasce, em grande parte, das próprias escolhas eleitorais. Eleitos sob a confiança do voto, homens e mulheres passam a agir como se pudessem se apropriar daquilo que pertence à coletividade, a democracia e a liberdade.

Casos como o da mulher que escreveu “Perdeu, Mané” com batom na estátua da Justiça, em frente ao Supremo Tribunal Federal, ganharam enorme repercussão. Ela foi enquadrada em crime grave, com pena que supera 15 anos de prisão, em um país onde delitos como homicídio qualificado ou tráfico internacional de drogas, por vezes, recebem punições menores. Condenar uma pessoa sem antecedentes e sem uso de armas a 17 anos de prisão levanta questionamentos sobre proporcionalidade.

Há ainda episódios que ampliam o debate. Um deles é a morte, no Complexo da Papuda, de um homem conhecido como Clesão. Em Santa Catarina, um idoso de 71 anos foi condenado à prisão por doar R$ 500 para custear ônibus de manifestantes a Brasília. Já nesta semana, Fátima de Tubarão obteve o direito à prisão domiciliar após condenação de 17 anos.

A sucessão de casos alimenta a percepção de que há distorções na aplicação da Justiça. Declarações de autoridades, ainda que contestadas ou fora de contexto, acabam reforçando a ideia de distanciamento entre o poder e a sociedade.

Aos poucos, consolida-se a impressão de que parte das estruturas de poder se coloca acima da lei. Por conveniência, e muitas vezes por sobrevivência, forma-se uma casta que, ao alcançar determinadas posições, se isola, torna-se imune e distante das dificuldades que afetam a maioria da população.

Nesse cenário, cresce a sensação de que a promessa constitucional de igualdade perante a lei não se concretiza na prática.


Educação do município não quer a do Estado como sócia

 personJoão Paulo Messer
access_time19/09/2017 - 21:17

Depois de audiência pública para discutir a municipalização de algumas escolas estaduais, nesta semana em Criciúma, a prefeitura está retirando a intenção de assumir escolas como a José de Patta (Bairro Colonial) e Luiz Lazarin (Rio Maina). A opção oferecida pelo Estado de ceder algumas salas ociosas para espécie de gestão compartilhada Estado/Município, não agrada a prefeitura. Está flagrante que o município não quer gerir escola em sociedade com o Estado. E a razão é simples. É a mesma que leva os pais deixarem as escolas do Estado migrando os filhos para o município. Notado que o município faz uma gestão muito melhor das escolas de ensino fundamental que o Estado.
O Estado demonstra, por suas atitudes, que tem nítida preferência pela manutenção dos professores oque, em alguns casos, significa vir em detrimento do aluno. Isso fica evidente com a queda na qualidade das condições dos alunos. Basta olhar para uma escola do Estado e uma do município para perceber a diferenteça, Basta notar o movimento dos pais que preferem nitidamente a escola municipal. Se o Estado não parar de ter medo de greve, contribuirá para apressar o desmanche da sua proposta de ensino. Priorizar o professor sim, nunca em detrimento do aluno. O Estado não tem conseguido manter este equilibrio.
O Sindicato está no seu papel, o professor também. O Estado é que não tem feito o seu. A rede pública de Estado se afastou dos alunos e dos pais. Pior que isso é que em muitos casos a gestão escolar está feita na base do achego político. É assim. Aproveita-se quem pode. O Estado é que não pode permitir.É natural que isso não é regra, mas o Estado tem que aprender a difundir a excessão. Reprovar a acomodação e aprovar a renovação.
Ontem a Secretária de Educação de Criciúma foi pontual: ao Município não interessa gestão compartilhada em escola alguma. E mais, usou a migração de alunos da rede estadual para a municipal para dizer que não pretende gerir nada com quem não sabe gerir. Recado duro, direto e abonado pela realidade posta aos olhos de quem se dá o tempo de analisar.

Ambiente da política

 personJoão Paulo Messer
access_time18/09/2017 - 18:28

Com a estreia do novo portal da Rádio Eldorado se amplia a possibilidade de interagirmos no ambiente da política. Mais de uma vez ao dia, preferencialmente sempre que houver fato novo, e relevante, devo comparecer a este espaço para informar e comentar. O dinamismo da política tem sido algo espetacular. Num mesmo dia o fato pode ter mais de uma versão. A certeza de amanhã é a incerteza de hoje, mas pode voltar a ser incerteza depois de amanhã.
Não há surpresa nisso tudo, nem se trata de uma questão local ou pontual. A incerteza no cenário de política nasce com as dúvidas sobre qual regra vai valer para as eleições do ano que vem. A reforma eleitoral corre risco de não mudar nada. Reforma sem nenhuma reforma. Nem mesmo o indispensável fim das coligações e a razoável cláusula de barreira devem valer. Pelo menos é o que sinalizaram os trabalhos desta semana. Depois de amanhã a informação pode ser outra.
No Estado a curiosidade maior é sobre a força da proposta de Gelson Merísio (PSD), que nasceu sob a desconfiança de todos, mas que não diminui o ritmo e até já levou o PMDB a falar em abrir mão da coligação com o PSD de Raimundo Colombo. Os peemedebistas lançam olhares sobre o PSDB que jura ter a força que não se consegue enxergar, a de ter um candidato próprio a governador. Se é que alguém tem esta capacidade é o senador Paulo Bauer, que anda silencioso demais para que quer ser candidato.
No PMDB não há necessidade de definir muito cedo quem é o candidato. Afinal, sigla acredita tem força o suficiente para eleger “um poste”. Para o Senado já fez isso na eleição passada. Acho até que é melhor que o PMDB demore ao máximo para definir o nome, pois quem sabe o “tercius” deste cenário seja o atual vice-governador Eduardo Pinho Moreira. Isso seria bom demais para o Sul.
O PPAMIN é outra sigla que ensaia candidatura própria. O PP que um dia tentou não ser PPAMIN morreu na praia pisoteado por raposas tão hábeis quanto o próprio líder progressista Esperidião Amin, que é o único com capacidade de dizer para e como o partido deve ir. Os outros da sigla, aqueles que tentam dar vida própria ao PP sem Amin não tem capacidade de respirar sem o principal aparelho progressista, o brilho da mente de Amin.
E vai ser por ai que nos vamos nos cruzar daqui por diante, aqui no blog do novo portal da Rádio Eldorado.