EDITORIAL: Qual é o seu voto, qual é o seu medo, qual é a sua decisão?
Está chegando a hora do voto. A eleição é domingo. Quem imaginava, em 2018 e 2022, que o cenário eleitoral não poderia ficar ainda mais tenso não sabia o que viria em 2026. O debate se esgotou sem que o brasileiro conhecesse as reais propostas dos presidenciáveis. Vença quem vencer, terá pela frente um Brasil cheio de problemas, com ressaca moral e emocionalmente abalado.
O medo parece ter ditado as últimas horas desta campanha eleitoral. No lugar de propostas, primeiro veio a desqualificação do adversário. Depois, a disseminação do medo. Fomos inundados, nos últimos dias, por uma propaganda eleitoral sustentada nessa estratégia. A ameaça, antes dirigida ao adversário, agora se voltou contra o eleitor, numa espécie de alerta sobre o caos que poderá enfrentar, dependendo de sua escolha.
As duas candidaturas, e alguém certamente dirá que uma mais do que a outra, passaram a explorar o medo como cabo eleitoral. A decisão do voto há muito deixou de representar uma seleção das melhores propostas e deu lugar à escolha daquilo que parece oferecer o menor risco ao eleitor.
Nosso debate cotidiano passou a ser uma disputa pela necessidade de termos razão. Não se discutem mais ideias. Apenas defendemos nossas próprias convicções. A verdade não é necessariamente a versão que conhecemos. A verdade é simplesmente a verdade.
É comum olharmos para o outro e pensarmos: "Mas como ele não enxerga que está totalmente errado? Como não percebe algo tão lógico?". Do outro lado, a pessoa que estamos julgando nos olha e pensa, quando não diz, exatamente a mesma coisa.
Já não abrimos mão das nossas impressões, que se transformam em certezas. E essas certezas acabam virando exigências para que aqueles que convivem conosco adotem a mesma linha de pensamento.
"Mas é lógico que, se fulano ganhar, vai ser assim." É isso mesmo? Do outro lado, alguém pode estar pensando exatamente da mesma maneira, apenas trocando o personagem da sua certeza.
O exercício do voto é a prática da nossa liberdade, com a consciência de que toda escolha tem consequências. E não será o outro que pagará por nós. Essa conta é nossa.
Por isso, existe uma forma de olhar para o que vem pela frente: compreender que a nossa consciência precisa ser a dona dos nossos atos, e não a opinião dos outros. Se queremos ter nossa opinião respeitada, precisamos também saber ouvir e respeitar a opinião alheia.
É possível olhar para a urna sem medo, com a segurança de que a decisão tomada representa aquilo que, em nossa consciência, entendemos ser o melhor.
Não somos donos da verdade, mas somos, sim, donos da nossa vontade.















