EDITORIAL: O Brasil de sempre reinicia após mais uma eleição
Da mesma origem, com os mesmos personagens, o Brasil voltou a ver patrocinado um evento sem igual que, independentemente do resultado das urnas, revela um país em processo falimentar institucional. A instabilidade jurídica reinou absoluta neste domingo, como vem acontecendo nos tempos recentes da República.
Não se trata do questionamento do resultado das urnas. A totalização me parece, sim, o extrato dos brasileiros preocupados com a perda de direitos e privilégios que se somam à maioria.
Até aqui, uma percepção muito mais pessoal do que um editorial que expresse a opinião do grupo.
Mesmo considerando o resultado aceitável por expressar a vontade da maioria dos brasileiros, não há como deixar de lamentar o que aconteceu paralelamente à totalização dos votos neste domingo. E não é a paralisação das urnas por duas horas que pode levar o cidadão brasileiro a levantar suspeitas, mas o fato de a Justiça brasileira ser frouxa e instável. Justiça não é achismo ou oportunismo, tudo o que a manobra ofereceu.
O Brasil estreia nesta segunda-feira uma série de capítulos que já conhecemos. Não é desejo da maioria dos brasileiros a mudança. As razões para isso são as mais diversas e podem estar na opção oferecida. Para o conforto dos que se sentem derrotados na urna, pode haver buscas de explicações e justificativas. Mas o pior de um jogo perdido é não aceitá-lo, pois este pode ser o começo de novas derrotas.
Para o alento dos vencedores, não me parece uma vitória daquelas inquestionáveis. Nem por isso deixa de ser vitória. Afinal, foi flagrante, nos dias que antecederam o segundo turno, uma mobilização impressionante. A chamada força do “vira voto”, criada por estratégia eleitoral da esquerda, era visível, assim como a comodidade dos que já imaginavam ter vencido no primeiro turno. Não foi a decisão da Justiça que decidiu esta eleição. Foi a acomodação dos que a perderam.
A propósito, o grande perdedor deste jogo, não pelo resultado, mas por tudo o que aconteceu neste domingo, é o Brasil. O país poderia ter chegado a este desfecho sem precisar pagar a vergonha da bagunça judicial. A Justiça brasileira deveria vestir luto hoje. Já os eleitores não, pois disputa tem vencedores e perdedores. Instituições como o Judiciário não podem perder.















