Calmaria depois de uma semana tensa
Uma análise do jornalista Silmar Vieira sobre as previsões de um ciclone que agitaram a semana
Uma semana pacata com clima ameno e apenas a política para agitar as notícias. Esta era a perspectiva de todos até que um áudio com a voz de Ronaldo Coutinho do Prado viralizou no WhatsApp. Nele, ao conversar informalmente com um cliente e amigo, o climatologista deixou escapar detalhes de sua preocupação com a formação de um ciclone extratropical explosivo no fim de semana, segundo dados de um modelo numérico de previsão do tempo.
Em tom de preocupação, Coutinho confidenciava ao interlocutor que os valores apontados para as rajadas de vento no sábado (27), véspera das eleições de segundo turno, eram de “dar medo”. A indicação eram de vento potencialmente perigoso, com rajadas que poderiam atingir até 130 quilômetros por hora, praticamente em todo litoral catarinense, litoral norte gaúcho e sul paranaense. Provavelmente sem imaginar a repercussão que atingiria, o amigo resolveu repassar a informação em um grupo de WhatsApp, e pronto: pânico.
Não demorou muitas horas para que milhares de pessoas, nos três estados do Sul do Brasil, recebessem o áudio e procurassem saber de sua veracidade. Em seguida, o próprio Coutinho, em seu espaço diário de previsão na Rádio Eldorado, confirmou a veracidade do áudio e da tenebrosa possibilidade do fenômeno climático.
O que seguiu foi uma semana tensa, tanto para jornalistas, quanto para meteorologistas, Defesa Civil e outros órgãos envolvidos em ocorrências como esta. A divergência entre os dois principais modelos de previsão do tempo, o GFS (Norte Americano) e o ECMWF (Europeu), contribuiu para deixar tudo ainda mais confuso e nervoso. Cada um apresentava uma solução completamente diferente do outro para o fenômeno do fim de semana.
Os meteorologistas geralmente se utilizam da informação de pelo menos meia dúzia de modelos de previsão do tempo e ainda da própria experiência para ler além do que está escrito. Todos procuram os pontos de convergência entre os modelos, o que geralmente tende a acontecer com até três a quatro dias de antecedência. Quanto mais cedo há convergência, ou mesmo com divergências, mas com um segundo mais os padrões climáticos da época, cria-se condições para “bater o martelo” quanto a um prognóstico do clima nos dias seguintes.
Porém, apenas nas últimas rodadas da tarde de quinta-feira (25), ambos os modelos começaram a convergir levemente e, finalmente, na sexta à tarde é que ambos coincidiram numa solução que acabava não sendo a desejada pela maioria. Ambos apontavam a possibilidade de ventos não mais de 130 por hora, mas que poderiam superar os 100 ou até 110 quilômetros por hora em vários pontos da nossa região.
Afinal de contas, depois de uma semana de muito estresse, discussões e trocas de farpas entre meteorologistas e muito receio da população, o dito ciclone extratropical se confirmou. Chamou atenção o fato do fenômeno ter atingido intensidade pouco comum nesta época do ano, uma vez que são muito comuns no inverno com intensidade maior, mas costumam ser débeis agora na primavera. Ao contrário do que seria mais comum pra época, este acabou ganhando força e fazendo bastante barulho na região.
Felizmente ficou mais no barulho mesmo. No início da tarde de hoje, a Defesa Civil de Santa Catarina chegou a emitir um alerta recomendando que as pessoas evitassem deslocamentos desnecessários entre às 24 e 18 horas deste sábado (27), uma vez que seria o momento em que os ventos estariam mais fortes e pelos riscos de queda de placas, árvores ou redes elétricas. Porém, o principal efeito foram quedas de energia devido à árvores e galhos que atingiram as redes e, até onde se sabe, um episódio de queda de poste no município de Jaguaruna.
Quanto ao domingo de eleições, pelo menos no clima há consenso: tempo bom, temperatura baixa pela manhã e à noite e amena durante o dia, com ventos bem mais controlados e dentro do normal.
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