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EDITORIAL: A política fala muito e esclarece pouco.

access_time25/08/2026 - 08:00

Fonte: Produção

Depois do debate político realizado ontem, na Rádio Eldorado, com três dos nove candidatos ao Governo de Santa Catarina, ficou uma comparação interessante. Os debates políticos estão cada vez mais parecidos com as atuais entrevistas coletivas do futebol.

Minha trajetória de 18 anos como repórter esportivo me permitiu acompanhar de perto esse tipo de entrevista. Houve um tempo em que, depois do jogo, o repórter perguntava ao treinador e insistia enquanto a dúvida não fosse esclarecida. Não se tratava de ouvir a resposta que se queria, mas de obter a resposta que precisava ser dada.

Hoje, diante de uma fileira de microfones, pergunta-se sobre A, o treinador responde sobre B e a entrevista segue. A dúvida permanece. Na política, infelizmente, não estamos muito distantes disso.

Os debates ficaram tão engessados pelas regras que, muitas vezes, nem o apresentador consegue cobrar objetivamente uma resposta ou impedir que o candidato fuja do tema. Pergunta-se uma coisa, responde-se outra e o relógio encerra a discussão.

Há ainda um problema maior: a fuga dos próprios debates. Candidatos que deveriam estar frente a frente para apresentar ideias, responder questionamentos e confrontar posições simplesmente optam por não comparecer.

O debate de ontem na Rádio Eldorado teve momentos interessantes e também tensão. Um deles envolveu uma denúncia feita por um dos candidatos sobre uma suposta relação societária do filho do governador com uma empresa prestadora de serviços ao Estado na área da saúde. É uma acusação grave, que precisa ser comprovada, esclarecida e respondida pelos citados.

Também houve um duro embate entre João Rodrigues e Ralf Zimmer. O clima esquentou durante o programa e permaneceu desconfortável mesmo depois que os microfones foram desligados.

Mas talvez o principal resultado do debate esteja justamente no que ficou sem resposta.

Estamos vivendo o tempo das respostas pela metade. Na política, pergunta-se muito, responde-se pouco e quase sempre existe uma tangente disponível para escapar do ponto central.

Cabe também à imprensa fazer sua parte e reconhecer quando não consegue extrair aquilo que deveria dos entrevistados. Insistir, questionar e investigar continuam sendo obrigações do jornalismo.

O problema é que chegamos a outro estágio preocupante. São tantas denúncias, acusações e escândalos que uma nova denúncia aparece antes mesmo de a anterior ser devidamente esclarecida.

E quando perguntas ficam sem respostas e denúncias sem investigação, uma palavra começa a perder força no discurso público.

Transparência.

Como está difícil falar dela.


Educação do município não quer a do Estado como sócia

 personJoão Paulo Messer
access_time19/09/2017 - 21:17

Depois de audiência pública para discutir a municipalização de algumas escolas estaduais, nesta semana em Criciúma, a prefeitura está retirando a intenção de assumir escolas como a José de Patta (Bairro Colonial) e Luiz Lazarin (Rio Maina). A opção oferecida pelo Estado de ceder algumas salas ociosas para espécie de gestão compartilhada Estado/Município, não agrada a prefeitura. Está flagrante que o município não quer gerir escola em sociedade com o Estado. E a razão é simples. É a mesma que leva os pais deixarem as escolas do Estado migrando os filhos para o município. Notado que o município faz uma gestão muito melhor das escolas de ensino fundamental que o Estado.
O Estado demonstra, por suas atitudes, que tem nítida preferência pela manutenção dos professores oque, em alguns casos, significa vir em detrimento do aluno. Isso fica evidente com a queda na qualidade das condições dos alunos. Basta olhar para uma escola do Estado e uma do município para perceber a diferenteça, Basta notar o movimento dos pais que preferem nitidamente a escola municipal. Se o Estado não parar de ter medo de greve, contribuirá para apressar o desmanche da sua proposta de ensino. Priorizar o professor sim, nunca em detrimento do aluno. O Estado não tem conseguido manter este equilibrio.
O Sindicato está no seu papel, o professor também. O Estado é que não tem feito o seu. A rede pública de Estado se afastou dos alunos e dos pais. Pior que isso é que em muitos casos a gestão escolar está feita na base do achego político. É assim. Aproveita-se quem pode. O Estado é que não pode permitir.É natural que isso não é regra, mas o Estado tem que aprender a difundir a excessão. Reprovar a acomodação e aprovar a renovação.
Ontem a Secretária de Educação de Criciúma foi pontual: ao Município não interessa gestão compartilhada em escola alguma. E mais, usou a migração de alunos da rede estadual para a municipal para dizer que não pretende gerir nada com quem não sabe gerir. Recado duro, direto e abonado pela realidade posta aos olhos de quem se dá o tempo de analisar.

Ambiente da política

 personJoão Paulo Messer
access_time18/09/2017 - 18:28

Com a estreia do novo portal da Rádio Eldorado se amplia a possibilidade de interagirmos no ambiente da política. Mais de uma vez ao dia, preferencialmente sempre que houver fato novo, e relevante, devo comparecer a este espaço para informar e comentar. O dinamismo da política tem sido algo espetacular. Num mesmo dia o fato pode ter mais de uma versão. A certeza de amanhã é a incerteza de hoje, mas pode voltar a ser incerteza depois de amanhã.
Não há surpresa nisso tudo, nem se trata de uma questão local ou pontual. A incerteza no cenário de política nasce com as dúvidas sobre qual regra vai valer para as eleições do ano que vem. A reforma eleitoral corre risco de não mudar nada. Reforma sem nenhuma reforma. Nem mesmo o indispensável fim das coligações e a razoável cláusula de barreira devem valer. Pelo menos é o que sinalizaram os trabalhos desta semana. Depois de amanhã a informação pode ser outra.
No Estado a curiosidade maior é sobre a força da proposta de Gelson Merísio (PSD), que nasceu sob a desconfiança de todos, mas que não diminui o ritmo e até já levou o PMDB a falar em abrir mão da coligação com o PSD de Raimundo Colombo. Os peemedebistas lançam olhares sobre o PSDB que jura ter a força que não se consegue enxergar, a de ter um candidato próprio a governador. Se é que alguém tem esta capacidade é o senador Paulo Bauer, que anda silencioso demais para que quer ser candidato.
No PMDB não há necessidade de definir muito cedo quem é o candidato. Afinal, sigla acredita tem força o suficiente para eleger “um poste”. Para o Senado já fez isso na eleição passada. Acho até que é melhor que o PMDB demore ao máximo para definir o nome, pois quem sabe o “tercius” deste cenário seja o atual vice-governador Eduardo Pinho Moreira. Isso seria bom demais para o Sul.
O PPAMIN é outra sigla que ensaia candidatura própria. O PP que um dia tentou não ser PPAMIN morreu na praia pisoteado por raposas tão hábeis quanto o próprio líder progressista Esperidião Amin, que é o único com capacidade de dizer para e como o partido deve ir. Os outros da sigla, aqueles que tentam dar vida própria ao PP sem Amin não tem capacidade de respirar sem o principal aparelho progressista, o brilho da mente de Amin.
E vai ser por ai que nos vamos nos cruzar daqui por diante, aqui no blog do novo portal da Rádio Eldorado.