OAB precisa agir. Indignação não basta
Aconteceu nesta semana em Criciúma, como de resto nas principais cidades de Santa Catarina, e em várias outras de pelo menos 14 estados brasileiros, um ato relacionado ao dito ?Manifesto pelo Estado de Direito?. Reação liderada pela classe dos advogados ao lamentável cenário desenhado pelos absurdos entregues ao povo brasileiro pelo Supremo Tribunal Federal.
E vou dizer que este evento precisa ser ampliado e que não pode se restringir a ocasiões apenas com demonstração de indignação. Indignação da OAB e de várias outras forças públicas que se associam a ele, agora.
De nada valerão estes movimentos ? em nada ajudarão estes eventos ? e digo principalmente: em nada valerão à instituição que representa a célula menor da Justiça, que são os advogados, se ele não gerar resultado prático. Não tem mais como suportar que a indignação seja o último ponto de parada nesta reação. Ouvir de ministros, como ouvimos, em plena sessão do STF, referências a compras de sentença. Ouvimos falas como as que admitem que nunca no país a corrupção esteve tão presente nos tribunais.
Ouvir isso de ministros do STF, quando a sociedade toda brasileira fala por todas as suas vozes que o Judiciário faliu, precisa ser forte o suficiente para que a OAB se erga, junto com magistrados de menor escala, como juízes de comarca ou de outros tribunais, para colocar um basta nisso. Porque do Senado Federal, que é quem poderia fazer alguma coisa de fato, não se pode esperar nada, e isso já vimos há um bom tempo. O Senado é hoje a representação do Parlamento brasileiro que se pode classificar como uma classe do rabo preso. Infelizmente, os que têm ficha limpa e que estão reagindo são minoria.
Para não sair da nossa comarca e falar do resto do país, mas me dirigir para o nosso redor, quero lembrar o quanto a categoria se indignou recentemente quando um vereador foi infeliz numa fala da tribuna da Câmara de Criciúma. Ali houve reação e consequência. Agora eu gostaria de ver a mesma reação ?com consequência? e não apenas reação como um ato de indignação. Porque senão tem gente que vai dizer que só há consequência quando o alvo da indignação for um humilde vereador que diz o que não deveria, mas que pode encontrar eco se a força dos soldados da Justiça não se mostrar forte como forte é, e precisa ser.














