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  TUDO A VER: Fim da escala 6x1 e concurso de logomarca foram os assuntos desta quarta-feira

commentJornalismo access_time21/10/2026 18:30

Natália Chaves recebeu Rodrigo Custódio de Medeiros, Rodrigo Otávio Goncho, Patrícia Mariano e Dilvania Ramos

Estadual de 2027 pode ter pontos corridos e jogos únicos na semifinal e na decisão

commentEsporte access_time21/10/2026 21:04

Campeonato Catarinense deve iniciar no dia 10 de janeiro

Com quatro vitórias nos últimos cinco jogos, Yuri Tanque mira acesso acesso direto à Série A pelo Criciúma

commentCriciúma EC access_time20/10/2026 17:47

Atuando em todas as partidas desde a sua estreia pelo Tigre, atacante busca ajudar equipe a alcançar as duas primeiras colocações, que garantem vaga direta na elite nacional em 2027

ACÉLIO CASAGRANDE "DE VOLTA ÀS ORIGENS"???

access_time27/11/2018 - 04:40

Observe: trata-se um mero exercício de possibilidades, baseadas em hipóteses construídas um pouco pela lógica, pelo desejo dos personagens ou de quem os quer na condição especulada. Refiro-me a, pelo menos, três nomes de cargos estratégicos e importantes do MDB hoje. O primeiro é o da primeira dama Nicole Rocha Moreira que estaria sendo cogitada para ser candidata a deputada nas próximas eleições. Seu trabalho recente deixou um rastro de possibilidades. O outro é do atual Secretário de Estado da Saúde, Acélio Casagrande, que pode ser convidado a ser Secretário Municipal de Saúde em Criciúma. Por fim o ex-prefeito Paulo Meller pode ser convidado para permanecer na Casan, dado a excelente resposta que o seu departamento tem dado. Seria uma escolha com apelo técnico, já que ele é engenheiro e atualmente o maior “descascador de abacaxis” da empresa. Se a Casan não mantiver a melhor relação com cidades estratégicas pode ficar ameaçada.

TÁ FORA
Lucas Esmeraldino era vereador de Tubarão quando começou toda a articulação para construção do PSL em Santa Catarina. Ele foi o principal articulador do partido. Quase se elegeu senador – ainda tem expectativa de assumir por conta de um processo contra a chapa de Jorgi8nho Melo. Na semana passada ele renunciou ao cargo de vereador para agora sim dedicar-se ao governo do Estado, se não for para o Senado.

NA MOSCA
O governador eleito Comandante Moisés parecer ter acertado na mosca ao convidar o delegado Paulo Koerich para assumir a Chefia da Polícia Civil de Santa Catarina. Atualmente ele é delegado de polícia na cidade de Gaspar. É respeitado pelos colegas e a corporação da Polícia Civil. Conhece as dificuldades de uma Delegacia de Comarca. Mereceu elogios do delegado Ulisses Gabriel, ex-presidente da associação de delegados.

MAS ESTRANHO
Embora o acerto na escolha da principal autoridade na categoria dos policiais civis existe um fator intrigante. Ele escolheu primeiro um cargo de segundo escalão, sem antes definir quem será o Secretário de Estado da Segurança.

ALHOS E BUGALHOS
A classe dos jornalistas emitiu nota, ontem, repudiando atitudes da deputada estadual eleita Ana Caroline Campagnolo (PSL) que criou enorme confusão confundindo nota de opinião com matéria e disparando contra jornalistas da capital. Pelo perfil que parece chegar antes dela à Assembleia Legislativa, diríamos como disse a juíza federal Gabriela Hardt: “vamos ter problemas”.

VISITA
O deputado federal Daniel Freitas (PSL) fez visita ao prefeito Clésio Salvaro (PSDB) ontem. Chama atenção que foi acompanhado do vereador Júlio Kaminski (PSDB), aquele mesmo que coordenou a campanha de Daniel na região e que na semana passada obteve “passe livre” para sair do partido, mas até agora não disse ainda se sai ou não.

COISA AMERICANA
Foi publicada ontem no Diário Oficial de Criciúma a lei proposta pelo vereador Salésio Lima (PSD), segundo a qual o município é obrigado a contratar “seguro garantia” para obras orçadas em mais de R$ 3,5 milhões. Assim quando a obra não acontecer por qualquer razão, o seguro garante a sua execução. Nos Estados Unidos esta lei é muito comum.

MATEMÁTICA
Na entrega da primeira leva do Prêmio ACIC de Matemática, ontem, cenas emocionantes para os alunos que conquistaram os primeiros lugares. Este é hoje um dos mais belos projetos da área de educação na região.

ENGANAÇÃO CUBAMA
Em menos de uma semana todas as vagas que havia no Programa Mais Médicos foram preenchidas com sobras. A primeira interpretação que se tem para isso reforça a tese de que a vinda dos cubanos era mesmo um projeto ideológico. Reforça a tese de que o PT queria “aparelhar” a saúde com agentes cubanos em detrimento dos brasileiros. Para as prefeituras era mais cômodo contratar os cubanos, pois eram pagos pelo governo federal. Em alguns casos como em Içara foi uma questão flagrantemente ideológica. Até ontem todas as vagas ocupadas por médicos cubanos, que o governo dizia vieram por falta de mão de obra brasileira, foram preenchidas.

OFICIAL O prefeito Murialdo Gastaldon (MDB) minimiza o recomendado pedido de demissão coletiva do seu secretariado. Diz que se trata de uma prática que não surpreende porque esta equipe foi para cumprir uma etapa do governo e que todos sabiam disso.

EXTRAOFICIAL Já nos bastidores do Paço Municipal a versão é bem diferente. Primeiro chama atenção a forma como os secretários foram avisados. Tudo ocorreu em uma reunião que durou algo em torno de cinco minutos, quando lhes foi “sugerido” que deveriam colocar o cargo à disposição.

REAÇÃO A reunião sugerindo a renúncia coletiva ocorreu um dia após o prefeito ficar mais ou menos sozinho numa ato da prefeitura no bairro Presidente Vargas. O time de secretários, considerado muito técnico, não costuma acompanhar o chefe. Se for isso, vem ai uma versão mais política de governo.

REFORMA Na entrevista que concedeu à rádio Eldorado o prefeito Murialdo Gastaldon disse que vários colegas da Amrec devem tomar a mesma atitude em relação ao secretariado.

RENOVAÇÃO Em Florianópolis o prefeito Gean Loureiro (MDB) saiu de férias. Dizem que quando voltar vai passar “a caneta”, exonerando todo o secretariado.

TURISMO O vice-prefeito de Florianópolis, João Batista Nunes (PSDB), recebe por Florianópolis o título de destino prefeito no Brasil para os turistas. A entrega é em São Paulo hoje. Florianópolis é o destino preferido. Costão do Santinho, Fazenda Parque de Gaspar e Parque beto Carrero os equipamentos preferidos.

ESCULTURA O vereador pastor Jair Alexandre não é nenhum vereador da polêmica escandalosa, mas já é a figura mais conhecida no ambiente acadêmico da Unesc. Primeiro foi uma audiência púbica da Escola sem Partido, agora foi a reação à escultura de título “Gozo”, que derrubou o presidente da Fundação Cultural, Serginho Zapellini.

MARCA Chama atenção como o partido NOVO faz arrecadação. Anuncia ser o único a não usar dinheiro público e para manter-se mantém no comércio eletrônico venda de produtos que identificam a sigla. Terminou ontem a campanha de vendas de produtos como roupas, no que chamam de “Orange Friday” (a cor do partido). Entraram na onda da Black Friday.

COCEIRINHA As vezes uma doença grave só se descobre quando ela já está avançada sem chances de retroceder. Há quem diga que é o que pode estar acontecendo no Hospital São Marcos de Nova Veneza. Fontes do próprio governo garantem que já tem “tumor”, resta saber se benigno ou não.

FRASE DO DIA
“Como vai ocorrer uma ou outra alteração a partir de janeiro do ano que vem, sugerimos que todos colocassem o cargo à disposição. Isso nós dá liberdade de trabalhar sem criar constrangimento para um ou outro”.
Murialdo Gastaldon, prefeito de Içara, comentando sua decisão em sugerir que todos os seus Secretários apresentassem pedidos de exoneração.


O caminho de governador passa pelo prefeito

 personJoão Paulo Messer
access_time20/03/2026 - 10:35

Enquanto a legislação eleitoral permitir a reeleição, o governante de plantão terá sempre vantagem no processo eleitoral. Temos, em Santa Catarina, um exemplo claro de como funciona este movimento. O governador Jorginho Mello, que nunca perdeu uma eleição, por isso hábil agente político, constrói, desde o primeiro dia de governo, a sua reeleição. E não há nada de errado nisso. Pelo contrário, trata-se de uma questão de inteligência. Afinal, ocupa o cargo com a habilidade para manter-se nele.

Lembramos que um dos primeiros atos de Jorginho, quando assumiu o governo de Santa Catarina, foi percorrer uma a uma das regionais para conversar, de um a um, com os prefeitos. Independentemente de sigla partidária, ouviu as prioridades e prometeu atendê-las. Em alguns casos, pediram menos do que ele ofereceu.

Lembramos também que, no meio do seu mandato, quando foram eleitos os novos prefeitos, Jorginho foi a campo de novo para conversar individualmente com os prefeitos. Tomamos por exemplo Criciúma, onde, durante a eleição, ele teve sério embate com o ex-prefeito Clésio Salvaro. Já com Vaguinho estabeleceu relação estreita, pois Vaguinho precisa do Governo do Estado para governar. E assim Jorginho fez em todos os municípios catarinenses. Ganha, por isso, a característica de prefeito municipalista.

Conversei hoje com o prefeito de Turvo, Heriberto Schmidt, que me confirmou ser admirador de Jorginho Mello e mantém esta posição, independentemente do posicionamento que o seu partido, o MDB, tomar.

E assim, por toda Santa Catarina, prefeitos declararam a sua simpatia ao governador, o que, na verdade, é apenas a retribuição aos recursos destinados por Jorginho. A partir de agora, o governador deve administrar a forma de repassar este dinheiro para manter a fidelidade dos prefeitos.

Lembramos também que, no início desta semana, os prefeitos do Partido Progressista foram até Jorginho dizer que o apoio virá, embora o seu partido não tenha decidido isso ainda.

Quer dizer, mais do que ser um governador municipalista, Jorginho é um hábil construtor da sua reeleição, contando com a aposta em 295 prefeitos. Não se sabe quantos estarão, mas a estratégia é essa.

O caminho de governador passa pelo prefeito

 personJoão Paulo Messer
access_time20/03/2026 - 10:35

Enquanto a legislação eleitoral permitir a reeleição, o governante de plantão terá sempre vantagem no processo eleitoral. Temos, em Santa Catarina, um exemplo claro de como funciona este movimento. O governador Jorginho Mello, que nunca perdeu uma eleição, por isso hábil agente político, constrói, desde o primeiro dia de governo, a sua reeleição. E não há nada de errado nisso. Pelo contrário, trata-se de uma questão de inteligência. Afinal, ocupa o cargo com a habilidade para manter-se nele.

Lembramos que um dos primeiros atos de Jorginho, quando assumiu o governo de Santa Catarina, foi percorrer uma a uma das regionais para conversar, de um a um, com os prefeitos. Independentemente de sigla partidária, ouviu as prioridades e prometeu atendê-las. Em alguns casos, pediram menos do que ele ofereceu.

Lembramos também que, no meio do seu mandato, quando foram eleitos os novos prefeitos, Jorginho foi a campo de novo para conversar individualmente com os prefeitos. Tomamos por exemplo Criciúma, onde, durante a eleição, ele teve sério embate com o ex-prefeito Clésio Salvaro. Já com Vaguinho estabeleceu relação estreita, pois Vaguinho precisa do Governo do Estado para governar. E assim Jorginho fez em todos os municípios catarinenses. Ganha, por isso, a característica de prefeito municipalista.

Conversei hoje com o prefeito de Turvo, Heriberto Schmidt, que me confirmou ser admirador de Jorginho Mello e mantém esta posição, independentemente do posicionamento que o seu partido, o MDB, tomar.

E assim, por toda Santa Catarina, prefeitos declararam a sua simpatia ao governador, o que, na verdade, é apenas a retribuição aos recursos destinados por Jorginho. A partir de agora, o governador deve administrar a forma de repassar este dinheiro para manter a fidelidade dos prefeitos.

Lembramos também que, no início desta semana, os prefeitos do Partido Progressista foram até Jorginho dizer que o apoio virá, embora o seu partido não tenha decidido isso ainda.

Quer dizer, mais do que ser um governador municipalista, Jorginho é um hábil construtor da sua reeleição, contando com a aposta em 295 prefeitos. Não se sabe quantos estarão, mas a estratégia é essa.

EDITORIAL – Governo se vê obrigado a vetar incentivos e serviços de saúde ao cidadão

 personJoão Paulo Messer
access_time10/03/2026 - 06:30

Só nestes últimos dias vimos o Governo do Estado reagir de forma contrária a duas propostas que trariam ao cidadão vantagens não só financeiras. No entanto, o foco aqui é observar o aspecto financeiro desse movimento. No primeiro caso, o governador vetou o desconto no IPVA dos veículos cujos proprietários são enquadrados como bons motoristas, isto é, motoristas sem infração de trânsito.

Isso também pode ser interpretado da seguinte forma: o motorista que não paga multa aos cofres públicos não teria por que ser beneficiado. Quem não pode ser prejudicado por isso é o caixa do governo.

No outro caso, a proposta sequer foi aprovada na Assembleia Legislativa, e a base do governo está orientada a trabalhar contra. Trata-se da intenção de um deputado que propõe a distribuição gratuita, na rede pública de saúde, o SUS, para pacientes que se enquadram na necessidade de tomar a tirzepatida, conhecida comercialmente como Mounjaro.

Nos dois casos, a alegação é a mesma: custo. O incentivo econômico aos bons motoristas faria cair a arrecadação, comprometendo o caixa do Estado. Isso fura a previsão de arrecadação, pois o IPVA é uma fonte importante de receitas.

No caso do Mounjaro gratuito à população, o próprio governo federal já disse que é impraticável pelo alto custo. Aliás, nesse caso vemos o governo do Estado concordando com os argumentos do governo federal. Quer dizer, quando a razão é a diminuição do volume arrecadado, fica impraticável trazer qualquer tipo de incentivo ao bom motorista ou oferecer cuidado à saúde do diabético.

O sistema está estrangulado e o caixa mal cobre os seus custos, gerando déficit histórico. Enquanto nós formos obrigados a trabalhar para sustentar a máquina pública, que consome grande parte dos nossos impostos apenas para pagar salários, não podemos sonhar com infraestrutura viária ou com a saúde preconizada na Constituição como direito absoluto de todos.

Esses dois exemplos são a demonstração de que não se pode sonhar com diminuição na carga tributária. São exemplos clássicos que mostram como o governo, por melhor que seja a intenção de algum agente, não tem para onde correr senão na direção do nosso bolso, do nosso suor e da nossa contribuição.

EDITORIAL - Os tempos são mais do que de homenagem às mulheres

 personJoão Paulo Messer
access_time09/03/2026 - 06:20

O Dia Internacional da Mulher, celebrado ontem, merece, sim, que lembremos que é sempre uma data de reflexão. Mais do que homenagens, flores ou mensagens nas redes sociais, ele deve servir para lembrar que a luta das mulheres por direitos, respeito e igualdade ainda está longe de terminar.

É verdade que, ao longo das últimas décadas, muitas conquistas foram alcançadas. As mulheres ampliaram sua presença no mercado de trabalho, na política, nas universidades e em espaços de decisão que, historicamente, lhes foram negados. São avanços importantes, que merecem ser reconhecidos.

Mas é impossível ignorar que, paralelamente a essas vitórias, persistem problemas graves. A violência contra a mulher continua sendo uma realidade cotidiana. Agressões físicas, psicológicas, morais e até econômicas ainda fazem parte da vida de milhares de brasileiras.

Os números mostram que o problema está longe de ser resolvido. Ontem mesmo, o delegado Márcio Campos Neves estava de plantão e escreveu nas redes sociais que, só pela manhã, atendeu a dois casos de violência contra a mulher em Criciúma.

Casos de feminicídio, denúncias de violência doméstica e episódios de assédio continuam surgindo com frequência alarmante. Isso revela que leis importantes, como as que protegem as mulheres, são fundamentais, mas, sozinhas, não são suficientes. O desafio maior está na mudança de cultura.

E não se trata de simples condenação da sociedade por esses absurdos. Temos que lembrar que a nossa cultura ainda carrega desigualdades entre homens e mulheres. Durante muito tempo, a sociedade naturalizou desigualdades e relações de poder que colocaram as mulheres em posição de inferioridade. Romper com esse padrão exige educação, conscientização e debate permanente.

É justamente por isso que datas como o Dia da Mulher não podem ser tratadas apenas como uma celebração simbólica. Precisam ser um chamado à responsabilidade coletiva. O respeito às mulheres deve ser uma prática diária: dentro de casa, nas escolas, no trabalho e nas instituições.

Ainda há desigualdade salarial, sub-representação política e muitas barreiras invisíveis que dificultam o pleno exercício dos direitos femininos. Ignorar essas questões é fechar os olhos para uma realidade que ainda exige transformação.

Portanto, mais do que comemorar conquistas, é preciso reafirmar compromissos.

Afinal, no fim das contas, não é apenas de vitórias que as mulheres precisam viver. É, sobretudo, de respeito, dignidade e da preservação da igualdade que deve existir entre todos.

EDITORIAL – O combate à corrupção começa por nós.

 personJoão Paulo Messer
access_time06/03/2026 - 06:30

A corrupção costuma ser tratada no Brasil como um fenômeno distante, quase sempre associado aos grandes escândalos que ocupam manchetes e inflamam debates públicos. Quando pensamos nela, imaginamos cifras bilionárias desviadas, contratos fraudulentos e complexas engrenagens de poder operando nas sombras. Contudo, essa visão limitada cria uma confortável ilusão moral: a de que a corrupção mora sempre no outro, nunca em nós. É justamente aí que reside uma das raízes mais profundas desse problema, que corrói a confiança pública e fragiliza nossas instituições.

A verdade incômoda é que a corrupção não nasce apenas nos palácios, nos gabinetes ou nas grandes operações financeiras. Ela germina também nas pequenas concessões do cotidiano, nos gestos aparentemente banais que normalizamos ao longo do tempo. Está no “jeitinho” para furar uma fila, na tolerância com a vantagem indevida, na tentativa de driblar regras que deveriam valer para todos. Quando essas práticas se tornam corriqueiras, formam o terreno fértil onde as grandes corrupções florescem. Afinal, sociedades que relativizam pequenas transgressões acabam criando um ambiente cultural permissivo para crimes maiores.

Isso não significa, de forma alguma, que devamos diluir ou relativizar os grandes esquemas que desviam recursos públicos e comprometem o futuro do país. Ao contrário. Escândalos de grande proporção, como o caso envolvendo o Banco Master, exigem indignação pública firme, investigação rigorosa e responsabilização exemplar. A sociedade tem o dever de reagir, de cobrar transparência e de repudiar qualquer tentativa de transformar o interesse público em oportunidade privada de enriquecimento.

Mas a coerência moral exige que ampliemos nosso olhar. Não basta condenar a corrupção quando ela aparece nas manchetes; é preciso reconhecê-la também quando se manifesta em escala reduzida ao nosso redor. Uma sociedade que se indigna apenas com os grandes escândalos, mas tolera pequenas desonestidades cotidianas, acaba reproduzindo o mesmo ciclo que diz combater.

O combate à corrupção, portanto, não se resume a operações policiais ou reformas institucionais, embora ambas sejam necessárias. Ele começa também na ética diária de cada cidadão, na recusa em participar de qualquer prática que viole o princípio da honestidade. Combater a corrupção é rejeitar o privilégio indevido, respeitar regras comuns e entender que o bem coletivo depende do comportamento individual.

Nesse sentido, a vigilância social se torna uma ferramenta essencial. Uma sociedade vigilante é aquela que observa, questiona e denuncia, independentemente da dimensão do ato corrupto. Do pequeno abuso cotidiano ao grande escândalo financeiro, tudo precisa ser exposto e enfrentado. O silêncio e a complacência são aliados silenciosos da corrupção.

Nosso papel, portanto, é duplo e intransferível. Devemos cultivar integridade em nossas próprias ações e, ao mesmo tempo, manter uma postura firme diante das irregularidades que presenciamos. Não coadunar com práticas corruptas é mais do que um gesto individual; é um compromisso com a construção de um país mais justo.

Se quisermos, de fato, transformar a realidade brasileira, precisamos compreender que a corrupção não é apenas um problema de governos ou de instituições. Ela também reflete escolhas cotidianas da própria sociedade. Romper esse ciclo exige coragem moral, consciência coletiva e disposição para agir.

Somente quando denunciarmos, com a mesma convicção, tanto os pequenos quanto os grandes casos de corrupção, poderemos começar a desmontar a cultura de permissividade que ainda persiste no país. Afinal, a ética pública se constrói na soma de milhares de atitudes privadas.

É justamente nessa vigilância permanente, crítica, ativa e responsável, que reside uma das mais poderosas armas da cidadania contra tudo aquilo que insiste em manter o Brasil refém da corrupção.

EDITORIAL – Vivemos sob a regência de um escândalo incomparável

 personJoão Paulo Messer
access_time05/03/2026 - 06:45

Apesar de tudo o que estamos vendo em paralelo no Brasil, não há como não abrir os olhos para aquele que se apresenta como o maior escândalo da história do país.

Desde os tempos do Império, da Velha e da Nova República, da ditadura, da abertura, do Brasil democratizado e do Brasil entregue à gestão de representação da massa trabalhadora, como gostam de cantarolar os aliados do atual governo Lula, nunca antes na história deste país se viu algo tão nojento e assustador como o que vem acontecendo com este tal escândalo do Banco Master.

Não que isso soe tão estranho. Não é o escândalo, mas, quem sabe, o tamanho dele que nos remete ao assustador.

Lá nos tempos passados, os escândalos eram amenizados ou varridos para debaixo dos tapetes, até mesmo com assassinatos, como foi o de PC Farias, como devem lembrar os que vivem as mazelas deste país há mais tempo. E, na madrugada de hoje, um dos homens-chave deste esquema, braço direito de Vorcaro, morreu, pelo que indicam as notícias oficiais, em consequência de suicídio, num hospital da cadeia.

O cenário nacional alcança figuras que não se restringem ao governo. Fora deste governo, dentro do governo passado e sabe-se lá por onde, neste país, há gente na lista de suspeitos.

O noticiário desta quinta-feira consegue se apresentar ainda mais assustador do que o que se teve até ontem. E não pensem que o de amanhã será menos assustador. Não cessa a inquietude sobre onde vamos parar com tudo isso.

Uma das conclusões que li hoje revela que o Banco Master era a fachada de uma máfia, cujo comandante deve ser o tal de Vorcaro. Chefe ou gerente.

O negócio é tão absurdo que o sujeito tinha capangas para ameaçar, coagir e, se fosse o caso, remover do caminho quem ameaçasse o sistema.

Encontros às escondidas com o presidente da República, relações com chefes estratégicos do governo passado são apenas alguns dos rastros deixados e agora revelados pela investigação.

Os Poderes e os poderosos estão todos envolvidos até o pescoço. O dito sistema alcançou a todos. E não são apenas os políticos. Há empresários, religiosos e outros tantos endeusados deste país que agora temem, no futuro, ter de abraçar o capeta.

EDITORIAL - Acordando em dia de guerra e olhando ao redor

 personJoão Paulo Messer
access_time04/03/2026 - 06:25

Um conflito envolvendo potências como Estados Unidos, Israel e Irã nunca fica restrito ao Oriente Médio. Mesmo a milhares de quilômetros, a gente sente aqui no Brasil os reflexos. Afinal, vivemos em uma economia globalizada. O primeiro impacto costuma ser no preço do petróleo.

O Irã é um grande produtor e está em uma região estratégica, próxima ao Estreito de Ormuz, por onde passa boa parte do petróleo mundial. Se há risco de bloqueio ou redução da oferta, o mercado reage imediatamente. O barril sobe, e isso pressiona os combustíveis no Brasil. Ainda que a Petrobras tenha política própria de preços, ela leva em conta o mercado internacional.

Assim, gasolina, diesel e gás de cozinha podem encarecer, sim. Com o diesel mais caro, o frete sobe. Como o Brasil depende fortemente do transporte rodoviário, alimentos, medicamentos e produtos industrializados acabam ficando mais caros.

A inflação pode ganhar força, corroendo o poder de compra das famílias. O Banco Central, para conter essa pressão, pode manter os juros elevados por mais tempo, o que encarece crédito, financiamento e investimentos.

Outro reflexo possível está no câmbio. Em momentos de tensão internacional, investidores buscam mercados considerados mais seguros, como os Estados Unidos. Isso fortalece o dólar e enfraquece moedas como o real. O dólar alto impacta importações, desde trigo até componentes eletrônicos, pressionando ainda mais os preços internos.

O setor agrícola também pode ser afetado. Fertilizantes e insumos agrícolas têm forte relação com o mercado internacional e com custos atrelados ao petróleo e ao gás. Qualquer alta expressiva nesses insumos repercute na produção e, consequentemente, no preço dos alimentos.

Há ainda efeitos indiretos sobre investimentos. Projetos podem ser adiados, a bolsa pode oscilar, e empresas ficam mais cautelosas. O turismo internacional também sente: passagens aéreas sobem com o querosene mais caro e o câmbio pressionado.

Afinal, em um mundo interligado, guerras regionais têm efeitos globais, sim, e nós, brasileiros, também acabamos pagando parte dessa conta.

EDITORIAL – TSE define prazos e regras à eleição de 2026

 personJoão Paulo Messer
access_time03/03/2026 - 06:20

Estão definidas as regras do jogo eleitoral de 2026. O TSE reuniu-se ontem. A Inteligência Artificial é o grande adversário do processo de escolha dos nossos representantes. Foi-se o tempo em que se atribuía às pesquisas a má influência sobre a opinião pública.

Devemos nos vacinar contra influências provocadas por narrativas mentirosas que devem jorrar pela internet. A ferramenta que nos permite dar velocidade à comunicação é, hoje, a mais perigosa arma da sociedade. A internet não pode ser consumida como remédio, mas deve ser manuseada como um perigoso veneno, inclusive em um processo eleitoral como o que se avizinha.

Apesar das medidas e cautelas aprovadas ontem pelo Tribunal Superior Eleitoral, não há a menor esperança de que a eleição deste ano será um jogo limpo. Muito pelo contrário: esse jogo já foi desonesto no passado e se tornará ainda mais perigoso.

Uma arma na mão de cada um, cego ou não, cujo alvo vai do simples leitor ao homem público que decidir entrar no jogo para se apresentar como representante da sociedade. As baixarias, mentiras e ameaças não conseguirão ser controladas, e isso o Tribunal Superior Eleitoral já admitiu. Cabe, por isso, ao eleitor saber que estamos entrando em um jogo perigoso e malicioso.

A interpretação dos fatos precisa ser feita com cautela e checagem. A força dos veículos oficiais se reforça, mas, obviamente, não é imune à amaldiçoada manipulação da opinião pública.

As regras do jogo eleitoral, o calendário e o que deve ser observado foram definidos pelo TSE ontem. O órgão faz o anúncio dessas definições com um ato quase confessional: caberá ao cidadão ser o juiz da verdade, pois a capacidade de fiscalização do órgão regulador fica muito distante da realidade. Será o jogo do Deus nos acuda?

EDITORIAL – Mês de 31 dias, sem feriados e com escala 6x1

 personJoão Paulo Messer
access_time02/03/2026 - 06:30

Março chega como quem abre a janela depois de um verão intenso e convida à ação.
É um mês inteiro, robusto, com seus 31 dias bem distribuídos no calendário.

Em um ano marcado por tantos feriados, março surge quase intacto, pronto para produzir.
Quando o mês oferece cinco domingos, oferece também quatro semanas completas de trabalho.
É tempo de ajustar metas, organizar ideias e transformar promessas em prática.

Março não é apenas passagem: é impulso.
É o mês que pode se tornar o mais produtivo do ano.
Sem grandes interrupções no calendário, ele exige foco e constância.
A rotina da escala seis por um segue como engrenagem que sustenta o ritmo do país.

Ainda vivemos sob a lógica do esforço contínuo, da semana que constrói resultados.
E há dignidade nisso: produzir é também participar da construção coletiva.

Mas março não é só trabalho; é também movimento político.
Em ano eleitoral, o mês ganha contornos estratégicos.
É quando se intensificam articulações e decisões partidárias.
O prazo para mudança de partido por parte dos deputados aquece os bastidores.
Alianças se redesenham, discursos se ajustam, projetos ganham nova forma.

O eleitor atento percebe que março antecipa o tom da disputa que virá.
É um mês de definições silenciosas e movimentações decisivas.

Enquanto isso, a vida comum segue seu curso, firme e produtiva.
Cada dia útil é oportunidade concreta de avançar.
Cada semana completa é chance de consolidar resultados.

Março nos desafia a transformar tempo em realização.
Que seja, portanto, o mês da disciplina, da estratégia e da produtividade.

EDITORIAL: Abertura do Programa desta quinta-feira (26)

 personJoão Paulo Messer
access_time26/02/2026 - 06:30

Os movimentos políticos do PL, ontem, em Brasília, mostram que, de novo, em 2026, vamos trilhar o caminho da escolha do voto dos brasileiros pela rejeição. Flávio Bolsonaro já toma forma de candidato a presidente. De outro lado, já está definida a pretensão do PT com a reeleição de Lula.

Eleição polarizada não é o melhor caminho, aqui ou em qualquer lugar. A resposta do "sim" ou "não" é muito estreita para que um país vasto se manifeste, mas é o que haverá no novo ano. Parece-me que, pela construção das candidaturas, a tal terceira via, que teve candidatos muito fracos em 2022, se repita em 2026.

Cabe ao eleitor a missão da escolha, e a pior delas é a negação ou a abstenção. Trata-se de um cenário que provoca os brasileiros a optar. A partir de agora, também Santa Catarina, com candidaturas definidas, deve entrar na disputa eleitoral. Uma eleição bastante antecipada para os padrões do eleitor brasileiro. Mas é preciso lembrar que tem sido assim. As escolhas se restringem entre o que não queremos e o que não desejamos. Assim, ficamos praticamente na obrigação, sem a opção de votar com tranquilidade, temendo perder o voto.

É óbvio que teremos outras candidaturas, mas, até pela demora em suas definições, pode-se medir o quanto a polarização vai marcar a eleição. Resta, entretanto, aos brasileiros, a experiência de outros tempos, em que, na briga pelo poder, só quem não pode perder é o cidadão eleitor. Perder amigos, perder relações familiares, perder a saúde, perder a razão de ser eleitor brasileiro. Essa briga do nós contra eles não pode atingir as relações entre os eleitores. Só quem não pode perder somos nós mesmos. Portanto, que sejamos ponderados.

Editorial: O real cenário do Brasil

 personJoão Paulo Messer
access_time25/02/2026 - 06:30

Não há como se arriscar a fazer um comentário analítico quando não se conhece profundamente a área. Ainda assim, vale registrar os dados divulgados nas últimas horas sobre a situação econômica dos brasileiros.

A leitura revela um Brasil vivendo uma questão intrigante. Refiro-me ao fato de que, enquanto os indicadores oficiais apontam inflação mais comportada e desemprego em mínimas históricas, a realidade das famílias conta outra história.

Foi divulgado o chamado Mapa da Inadimplência da Serasa. Nele, a revelação de que quase metade da população adulta, 49,66%, tem dívidas em atraso. Ou seja, não consegue pagar suas contas.

Falta educação financeira e sobra crédito fácil. Muitos transformam o limite do cartão em extensão da renda. As apostas esportivas drenam orçamentos já apertados. E ainda há estímulos oficiais ao endividamento, como o consignado, que pode virar armadilha para quem não planeja.

O resultado é dramático. Dados mostram que mais de um quarto das dívidas está concentrado em bancos e cartões. Em seguida, vêm contas básicas, como água e luz, sinal claro de que o sufoco já atinge o essencial.

É importante observar que temos juros elevados. A Selic está em 15% ao ano, com juros reais próximos de 10%. O crédito rotativo do cartão beira 450% ao ano.

CNPJs também estão inadimplentes. A renegociação ajuda, mas é paliativa. Se não houver redução da carga fiscal e dos juros, não há outra saída senão a dos aeroportos internacionais.

Indicadores oficiais apontam inflação mais comportada e desemprego em mínimas, mas a realidade conta outra história.

Eleição em Morro da Fumaça mostra força do prefeito Guollo

 personJoão Paulo Messer
access_time22/02/2026 - 07:11

Apostar na chapa de Situação em eleição de cooperativa de eletrificação é sempre barbada. Ou quase sempre. No Morro da Fumaça, neste fim de semana um resultado chamou a atenção. A Situação venceu a eleição para formação do Conselho Fiscal popr apenas 21 votos num universo de pouco mais de três mil votos.

A Chapa Um somou 1.562 votos contra 1.541 da Oposição. A diferença mínima pode ser reduzida para 11 deputados, que se votassem de forma diferente teriam dado a vitória à oposição. A partir dai acendeu um alerta sobre a atual diretoria administrativa. Primeiro porque a Oposição guardou a estratégia até o final do período susrpreendendo a Situação. Outro aspecto que acomodou a situação foi o possível - ou confirmado - apoio do ex-prefeito Noi Coral, o que dignificaria o governo municipal desinteressado. Não foi o que aconteceu.

O atual prefeito Eduardo Guollo, que foi vice de Noi, assumiu a postura de comandante do navio e liderou a articulação da Oposição. Pelo visto a gota d´água não é fato do atual presidente administrativo Rudi Recco ter admitido que pode trabalhar para mudar o estatuto da entidade e com isso permanecer por pelo menos mais um mandato. Este foi o argumento fote da oposição.

O prefeito Eduardo Guollo apostou numa estratégia arriscada. Poderia ter sofrido a mesma reviravolta que o prefeito Dalvânia Cardoso sofreu em Içara (Cooper Aliança) e o prefeito Ademir Magagnin morreu em Cocal do Sul (Cooper Cocal). Ambos sairam chamuscados ao perder as eleições recentes em suas cooperativas. Guollo apostou, perdeu por 21 votos mas num processo que lhe deu muita força.

Editorial - O cenário econômico revela a máquina pública operando no vermelho

 personJoão Paulo Messer
access_time20/02/2026 - 10:35

O Brasil assiste, ano após ano, a um enredo fiscal que já não surpreende, apenas preocupa. Em 2025, a situação das contas estaduais se deteriorou pelo quarto ano consecutivo, confirmando aquilo que muitos gestores evitam admitir: o setor público, nos estados, opera no limite de sua capacidade financeira e política.

O enfraquecimento da atividade econômica atingiu diretamente o coração da arrecadação: o ICMS. Quando o consumo desacelera e a produção perde fôlego, o principal tributo estadual sente primeiro. E, sentindo primeiro, compromete tudo o que vem depois, ou seja, folha de pagamento, investimentos e manutenção de serviços essenciais.

A dependência excessiva de um único imposto revela não apenas fragilidade econômica, mas também falta de diversificação fiscal.

Ao mesmo tempo, governos que renegociaram dívidas ganharam um fôlego temporário. Mas o que deveria representar reorganização estrutural acabou servindo, em muitos casos, como combustível para a expansão de gastos. Às vésperas do calendário eleitoral, investimentos aumentaram, despesas correntes cresceram e a prudência fiscal foi relativizada. A história brasileira já mostrou como esse roteiro costuma terminar.

Os números do Banco Central são eloquentes: superávit de apenas 0,04% do PIB, o pior desempenho desde 2014, quando houve déficit. Trata-se de um equilíbrio meramente contábil, quase simbólico. Um resultado que não representa solidez, mas, sim, um fio esticado ao máximo antes de romper.

O Relatório Resumido da Execução Orçamentária confirma a tendência preocupante: enquanto as despesas avançaram 5,7% acima da inflação, a receita cresceu apenas 3,4% em termos reais.

A conta é simples e insustentável. Gastar sistematicamente mais do que se arrecada, mesmo em ambiente de crescimento modesto, é pavimentar a próxima crise.

Não se trata apenas de números frios. Trata-se da capacidade do Estado de honrar compromissos, investir com responsabilidade e oferecer serviços públicos minimamente eficientes. Quando a máquina pública cresce sem lastro, quem paga é o contribuinte, seja por meio de impostos mais altos, seja pela precarização dos serviços.

O discurso da responsabilidade fiscal não pode ser seletivo, ativado apenas quando convém politicamente. A falência do setor público não acontece de um dia para o outro; ela se constrói lentamente, na soma de decisões populistas, na ausência de reformas estruturais e na resistência em enfrentar privilégios.

Se nada mudar, o superávit mínimo de hoje poderá ser o déficit estrutural de amanhã. E, como sempre, a conta chegará, não para os governantes de ocasião, mas para a sociedade que sustenta o Estado.

O carnaval do Nós e Eles

 personJoão Paulo Messer
access_time19/02/2026 - 06:30

O carnaval revela que continuamos divididos entre nós e eles no país. A vitória da escola Unidos do Viradouro no carnaval do Rio de Janeiro é apenas a confirmação de uma tradição da disputa na avenida, sem interferência externa. É o que aparenta.

Mas foi na zona da degola, como se diz no futebol, ou seja, no rebaixamento, que reside a atenção dos carnavalescos desinteressados em harmonia, samba-enredo e outros quesitos. O que importa mesmo do carnaval do Rio, aqui para nós no Sul, assim como na maioria das regiões do Sul do Brasil, é que a escola que homenageou Luiz Inácio Lula da Silva caiu.

A leitura é de que a queda se assemelha ao que vem por aí nas urnas.

Daí, entretanto, retiro outra interpretação: a de que o carnaval reforça a tese de que somos dois lados — o que apoia Lula e o que o rechaça. Não se trata de ser petista ou bolsonarista. Trata-se de ser contra ou a favor do governo Lula. E tudo tem uma explicação simples: a reprovação aos modos de operação do governo que, há mais tempo, permaneceu no poder — os oito anos de Lula, os quase quatro de Dilma Rousseff e mais quatro de Lula. Tempo suficiente para dar ao Brasil a certeza do que o brasileiro da produção, do labor, da luta pelo pão de cada dia, não quer.

Nem os quatro anos de Jair Bolsonaro, que se propôs a romper com esse modelo, foram suficientes para que se tivesse clareza sobre o que o brasileiro quer. Concluiu-se, nesse período, apenas o que não se quer.

Os articuladores petistas têm a certeza de que o melhor adversário de Lula é, novamente, Bolsonaro. Os bolsonaristas têm a convicção de que o melhor adversário é Lula. Mas qual será a certeza do brasileiro da labuta, do trabalho e pagador dessa conta? É o que se poderá dizer quando mais esta eleição passar.

O que restou do carnaval não foi a comemoração da vitória da Viradouro na Sapucaí, mas a derrota da escola que homenageou Lula. Rebaixada.

Editorial - Carnaval da “descultura”

 personJoão Paulo Messer
access_time18/02/2026 - 10:10

É comum ouvirmos que o resgate cultural do país precisa ser incentivado. Verbas públicas são despejadas por meio de canais que se apresentam como vetores para que o brasileiro não se desconecte de sua história nem esqueça seus heróis. Afinal, esses são pontos básicos do princípio cultural de qualquer sociedade que se preocupa, minimamente, com a conexão entre os tempos: origem e realidade como base para sustentar o futuro.

O que se viu na avenida, em grandes desfiles como os do Rio de Janeiro e de São Paulo, foi a demonstração de que o carnaval já não pode ser considerado, automaticamente, um evento que referencia a cultura brasileira. As poucas “grandes” escolas que se atreveram a abordar o mundo agro, por exemplo, o fizeram de maneira distante da realidade.

No Rio, a mesma escola que protagonizou a polêmica homenagem ao herói Lula tentou associar o ex-presidente ao agro, como se tratasse o setor como um conservante gigante, e não como conservador. Nem a semelhança das palavras é suficiente para esclarecer o recado transmitido.

Em São Paulo, a escola do Tatuapé buscou resgatar sua histórica ligação com o mundo rural, mas acabou revelando desconhecimento sobre o tema. A comunidade tornou-se, ao longo do tempo, uma região voltada ao comércio e aos serviços, distante do que representa o agronegócio na atualidade.

O mais próximo que o carnaval chegou do setor agro veio de Santa Catarina: Balneário Camboriú apostou em um show de música sertaneja. Ainda assim, quando se fala em resgate cultural, o carnaval dos grandes centros do país merece nota zero no quesito originalidade.

Desconhecer o mundo agro não é crime. O que não se pode é sustentar narrativas superficiais com gordas verbas públicas.