EDITORIAL – Governo se vê obrigado a vetar incentivos e serviços de saúde ao cidadão
Só nestes últimos dias vimos o Governo do Estado reagir de forma contrária a duas propostas que trariam ao cidadão vantagens não só financeiras. No entanto, o foco aqui é observar o aspecto financeiro desse movimento. No primeiro caso, o governador vetou o desconto no IPVA dos veículos cujos proprietários são enquadrados como bons motoristas, isto é, motoristas sem infração de trânsito.
Isso também pode ser interpretado da seguinte forma: o motorista que não paga multa aos cofres públicos não teria por que ser beneficiado. Quem não pode ser prejudicado por isso é o caixa do governo.
No outro caso, a proposta sequer foi aprovada na Assembleia Legislativa, e a base do governo está orientada a trabalhar contra. Trata-se da intenção de um deputado que propõe a distribuição gratuita, na rede pública de saúde, o SUS, para pacientes que se enquadram na necessidade de tomar a tirzepatida, conhecida comercialmente como Mounjaro.
Nos dois casos, a alegação é a mesma: custo. O incentivo econômico aos bons motoristas faria cair a arrecadação, comprometendo o caixa do Estado. Isso fura a previsão de arrecadação, pois o IPVA é uma fonte importante de receitas.
No caso do Mounjaro gratuito à população, o próprio governo federal já disse que é impraticável pelo alto custo. Aliás, nesse caso vemos o governo do Estado concordando com os argumentos do governo federal. Quer dizer, quando a razão é a diminuição do volume arrecadado, fica impraticável trazer qualquer tipo de incentivo ao bom motorista ou oferecer cuidado à saúde do diabético.
O sistema está estrangulado e o caixa mal cobre os seus custos, gerando déficit histórico. Enquanto nós formos obrigados a trabalhar para sustentar a máquina pública, que consome grande parte dos nossos impostos apenas para pagar salários, não podemos sonhar com infraestrutura viária ou com a saúde preconizada na Constituição como direito absoluto de todos.
Esses dois exemplos são a demonstração de que não se pode sonhar com diminuição na carga tributária. São exemplos clássicos que mostram como o governo, por melhor que seja a intenção de algum agente, não tem para onde correr senão na direção do nosso bolso, do nosso suor e da nossa contribuição.
EDITORIAL - Opinião do Programa João Paulo Messer
personJoão Paulo Messer access_time15/04/2026 - 06:30
A instalação e os desdobramentos da CPI do Crime Organizado reacendem um debate profundo sobre os limites entre poder, justiça e responsabilidade no Brasil.
Em meio às expectativas de uma investigação rigorosa, o que se vê, até aqui, é um cenário que mistura esperança e frustração.
A população brasileira, já calejada por conviver com a inflação persistente e a instabilidade econômica, assiste a mais um capítulo de tensão institucional vindo de Congresso Nacional do Brasil, em Brasília.
Não se trata apenas de combater facções como o Primeiro Comando da Capital ou o Comando Vermelho. O que está em jogo é a capacidade das instituições de responder à altura aos anseios da sociedade por justiça e ordem.
Nesse contexto, muitos brasileiros percebem que oportunidades históricas de enfrentar abusos de poder acabam sendo desperdiçadas em disputas políticas e jurídicas.
O sentimento de que se poderia ter criado uma jurisprudência mais firme contra excessos ? especialmente no campo jurídico ? dá lugar à sensação de que prevalece a autoproteção institucional.
Críticas ao Supremo Tribunal Federal ganham espaço no debate público, refletindo uma desconfiança crescente de parte da sociedade quanto à atuação e aos limites da Corte.
É difícil ignorar que o cotidiano do brasileiro se tornou um exercício constante de resistência. Alta carga tributária, economia descontrolada e violência urbana já formam um tripé de desafios históricos.
Agora, soma-se a isso um ambiente político-institucional que, aos olhos de muitos, parece distante das urgências reais da população.
O risco maior não está apenas nos fatos em si, mas na erosão da confiança. Quando instituições deixam de ser percebidas como instrumentos de equilíbrio e passam a ser vistas com suspeita, o dano é coletivo e profundo.
A CPI, que poderia ser um marco de enfrentamento ao crime organizado, corre o risco de se tornar mais um episódio de desencontro entre expectativa popular e resultado concreto.
O Brasil precisa mais do que narrativas: precisa de ações que restabeleçam a credibilidade e reafirmem que ninguém está acima da lei. Caso contrário, o país continuará refém não apenas do crime organizado tradicional, mas de um sistema que falha em oferecer respostas à altura de seus próprios desafios.
EDITORIAL – Prática populista para aliviar a conta dos brasileiros
personJoão Paulo Messer access_time13/04/2026 - 06:20
A semana começa com o brasileiro diante de um roteiro previsível, onde o Diário Oficial se torna o principal cabo eleitoral do Planalto. O uso sistemático de medidas provisórias para injetar dinheiro público no alívio imediato do endividamento das famílias não é, como se tenta vender, uma política de Estado estruturante, mas uma tática de sobrevivência política sofisticada.
Ao converter o Tesouro Nacional em um amortecedor de faturas atrasadas, o governo federal não busca sanar as causas da asfixia econômica, mas, sim, anestesiar o humor do eleitorado antes que ele chegue à urna. É uma aritmética perversa: sabe-se que o cidadão endividado projeta sua frustração na gestão de turno, buscando, na mudança, o fôlego que o bolso já não oferece.
Portanto, ao "limpar" CPFs com canetadas de urgência, o poder público compra tempo e silêncio, camuflando a incapacidade de gerar emprego e renda real sob o manto de uma generosidade artificial. Essa estratégia transforma o contribuinte em um eterno dependente de ciclos de socorro, onde o alívio de hoje é financiado pelo déficit de amanhã, garantindo que a memória curta do consumo supere a percepção crítica da má gestão.
O que vemos é a institucionalização do populismo financeiro, que prefere gerir o sentimento de inadimplência a enfrentar as reformas que impediriam o povo de chegar a tal estado de penúria. Assim, entre o alívio momentâneo de um boleto pago e a realidade de uma economia estagnada, a engrenagem eleitoral segue moendo o futuro em troca de uma popularidade comprada a juros altos. É assim que a semana começa na vida dos brasileiros.
Editorial - Serra da Rocinha, meia missão cumprida
personJoão Paulo Messer access_time10/04/2026 - 06:20
Hoje aparecerão dezenas de pais e mães da criança. Inaugura a Serra da Rocinha, trecho pertencente à BR-285, a ligação catarinense com o Rio Grande do Sul. Vai ter inauguração, pompa, firula e muitos discursos. Se essa obra fosse inaugurada no silêncio, não nos faria lembrar a incompetência que reina no cenário administrativo, ou seja, o lado político da administração pública brasileira.
Você faz ideia do quanto foi gasto com esta serra? Não me refiro ao dinheiro empregado na obra propriamente dita, e que foram muitos milhões. Refiro-me ao que gastaram em diárias, salários e outros itens, todos da conta dos políticos que prometeram ou visitaram a obra.
Infelizmente, hoje vamos ter que aplaudir a entrega de uma obra que é parte de um contexto. Sem o total desta obra, seguiremos sofrendo a agonia do trecho gaúcho incompleto. Nem dá para dizer que os políticos gaúchos são ainda mais incompetentes que os nossos, pois, óbvio, existe um interesse em jogo. O porto de Rio Grande vira caminho longo para muitos gaúchos; por isso, aos políticos gaúchos não interessa encurtar o caminho de alguns gaúchos para o porto de Imbituba. Interesse com divisa.
Enfim, nem pela espera de 70 anos ou mais é que vamos deixar de aplaudir a entrega da Serra da Rocinha. Parte do que precisa ser feito no trecho catarinense está entregue. Agora vem a luta para federalizar a BR-285, que é a estrada que as obras desta serra e do trecho gaúcho contemplam.
Então, aplausos, sim, mas ninguém é sem memória ou sem noção para lembrar que o retrato da gestão pública é uma vergonha.
frase curta , jorlística, inteligente e critica de acordo com o texto
Inaugura-se o trecho; permanece o atraso.
Sintomas inquietantes na corrida presidencial
personJoão Paulo Messer access_time09/04/2026 - 12:50
As notícias mais recentes sobre o cenário eleitoral de 2026 podem levar à conclusão de que o presidente Lula pode não ser mais candidato. Tudo isso se conclui pelo que ele tem dito e, com isso, alimentando as especulações.
Nesta quinta-feira (8), ele disse: "Eu não decidi se serei candidato ainda". Entendo que ele condicionou a sua participação a dois fatos. Por exemplo, quando disse que só se lançará candidato se tiver "algo novo" para apresentar ao país, admitindo que a situação atual ainda é difícil.
Outra questão apurada por vários analistas é a necessidade dele em reconstruir uma base de apoio sólida para enfrentar o que chama de "fascismo". Isso pode ser interpretado indicando que o isolamento político atual é um obstáculo.
Numa rápida pesquisa sobre as últimas interpretações ao que Lula vem dizendo, se constata que o que atrapalha é o desgaste na aprovação do governo. Esperto como é, Lula já percebeu que as ações governamentais não surtem o efeito esperado. Não chegam à população. Por isso, sou da tese de que Lula pode evitar uma disputa para não encerrar a carreira com uma derrota eleitoral diante de uma economia estagnada.
O colega Andre Abreu me chama a atenção com algumas publicações que estão sendo feitas pela The Economist. Essa referência na mídia internacional tem traçado comparativos de Lula e Joe Biden. Fatos como a idade avançada e seus desafios consequentes sugerem a Lula que, para sair por cima, pare por aqui.
Quer dizer, não me faltam elementos para criar em mim o cenário de instabilidade que descrevo no editorial desta quinta-feira:
www.joaopaulomesser.com.br
Editorial - O eleitor precisa ter o direito de escolher o seu representante de forma mais direta.
personJoão Paulo Messer access_time08/04/2026 - 06:30
O Brasil vive um momento político que exige mais do que análises superficiais ou discursos prontos: exige coragem para reconhecer que os modelos atuais estão esgotados. A sensação generalizada de descrédito não nasce do acaso, mas da repetição de práticas que já não dialogam com a sociedade contemporânea.
Fala-se ainda em “fidelidade partidária” como se estivéssemos diante de instituições sólidas, orientadas por princípios claros e coerentes. Mas que fidelidade é essa, quando alianças se formam e se desfazem ao sabor das conveniências? Quando o eleitor percebe que o compromisso não é com ideias, mas com espaços de poder?
A palavra fidelidade pressupõe lealdade, constância e identidade. No entanto, o que se vê com frequência é a substituição desses valores por estratégias imediatistas. O resultado é um distanciamento crescente entre representantes e representados, alimentando o ceticismo e a apatia política.
O fisiologismo, há muito tempo, deixou de ser exceção para se tornar regra em muitos ambientes. Ele se impõe sobre a ideologia, diluindo projetos e tornando irrelevantes as diferenças programáticas que deveriam orientar o debate democrático. Nesse cenário, os partidos deixam de ser instrumentos de transformação para se tornarem meras estruturas de negociação.
Talvez o aspecto mais preocupante seja a velocidade com que promessas de renovação se convertem em práticas tradicionais. Aqueles que chegaram sob a bandeira da “nova política” rapidamente adotaram comportamentos semelhantes, ou até mais intensos, do que os que antes criticavam. Isso revela que o problema não está apenas nas pessoas, mas no próprio sistema, que incentiva tais condutas.
Reinventar a política, portanto, não é um slogan: é uma necessidade urgente. Significa repensar mecanismos de representação, fortalecer a transparência e, sobretudo, resgatar o sentido de compromisso público. Não se trata de eliminar partidos, mas de exigir que tenham identidade real, coerência e responsabilidade.
É preciso também que a sociedade abandone a tolerância com incoerências evidentes. A cobrança por posicionamentos claros e atitudes consistentes deve ser permanente, e não apenas em períodos eleitorais. Sem pressão social, qualquer tentativa de mudança tende a se diluir.
A política precisa voltar a ser espaço de construção coletiva, e não de conveniência individual. Isso passa por lideranças mais comprometidas, mas também por cidadãos mais atentos e participativos.
O momento brasileiro é desafiador, mas também oferece uma oportunidade rara: a de reconstruir práticas e valores. Se a fidelidade deixou de fazer sentido nos moldes atuais, talvez seja hora de redefini-la, não como lealdade cega a siglas, mas como compromisso verdadeiro com princípios e com a sociedade.
Sem essa reinvenção, continuaremos presos a um ciclo de frustração. Com ela, abre-se a possibilidade de uma política mais legítima, mais transparente e, sobretudo, mais alinhada com o que o país realmente precisa.
Editorial - Prazo fechado, jogo aberto
personJoão Paulo Messer access_time07/04/2026 - 06:30
Com o encerramento dos prazos de filiação, os quatro meses seguintes tornam-se determinantes para a formação das alianças eleitorais em Santa Catarina. Grande parte desse período será dedicada a diálogos, conjecturas e articulações. Já entre 20 de julho e 5 de agosto ocorre a fase das convenções, momento em que os acordos precisam ser oficializados.
Aquilo que antes se concentrava no planejamento das nominatas, especialmente voltado às chapas de pré-candidatos a deputado estadual e federal, passa agora a ganhar uma dimensão mais ampla. Isso se deve, sobretudo, à atenção direcionada às composições para o governo do Estado e o Senado.
Nos bastidores da política catarinense, já se comentam possíveis alterações em arranjos previamente estabelecidos. O governador Jorginho Mello, que tem sua chapa praticamente estruturada, costuma afirmar que ainda há um longo caminho até as convenções. De perfil otimista, ele acredita na possibilidade de atrair novas siglas para seu projeto. Mais do que isso, o recado que transmite é de que o cenário ainda não está completamente fechado, apesar das definições já encaminhadas em diversos pontos.
Esse clima também se reflete entre outras lideranças e grupos políticos. Enquanto alguns compartilham do mesmo otimismo do governador, outros permanecem atentos a eventuais perdas de espaço já negociadas. Até a realização das convenções, no entanto, nada está totalmente consolidado, como reforçam participantes das articulações para outubro.
A própria história recente da política em Santa Catarina confirma esse cenário. As alianças só se definem por completo após as reuniões partidárias e o registro oficial das candidaturas, cujo prazo final é 15 de agosto.
Um evento que merece atenção
personJoão Paulo Messer access_time31/03/2026 - 06:30
Criciúma realiza hoje o Futuro em Rota. Trata-se de uma iniciativa do setor de logística e inspiração de uma liderança focada no coletivo. Discutir a logística nos dias atuais é o que se pode chamar de prioridade das prioridades.
Embora idealizado bem antes de conhecermos o cenário atual, o debate sobre um dos setores estratégicos do desenvolvimento e da economia local parece contemplado, embora ninguém desejaria isso, com um quadro econômico e pontual na logística dos mais críticos já experimentados. Portanto, discutir logística no cenário atual não se trata de oportunidade, mas de um privilégio ou reação propositiva.
Somar entendimentos diversos, trocar experiências, juntar esforços é garantir motivação e animação. Por isso, Criciúma é conhecida como uma cidade capaz de igualar-se aos grandes centros ao provocar debates e oportunidades como o que está acontecendo hoje.
Nós, da Rádio Eldorado, ligados aos mais diversos segmentos do desenvolvimento, em especial da região Sul de Santa Catarina, sentimos-nos na obrigação de difundir a toda a nossa audiência o que hoje vai se discutir na área de logística. Entender empreendedores que conectam diversos segmentos da economia, mostrar como eles fazem e o que pensam é uma verdadeira atração da nossa programação hoje.
O Futuro em Rota, evento que acontece no final da tarde e noite de hoje na sede da SC, é aberto a todos, mas principalmente levado à nossa audiência como um presente a quem quer conhecer melhor como está e como vive a logística sul-catarinense hoje. Fora isso, a organização do evento merece aplausos por proporcionar este debate.
Até logo mais à noite, quando estaremos trazendo aqui à nossa audiência o Futuro em Rota, que merece hoje toda a nossa dedicação. Embarquemos no debate sobre a logística de hoje e de amanhã.
Editorial - Candidatos tem até sábado para definir os seus partidos
personJoão Paulo Messer access_time30/03/2026 - 06:30
Chegamos a uma semana decisiva no calendário eleitoral de 2026. Restam horas para que candidatos definam os seus partidos. O prazo termina dia quatro, sábado. Em outros tempos, mudança de partido era algo extremamente delicado. A fidelidade era uma questão de honestidade ou até de moralidade pública. Mudar de partido era como alterar os seus princípios.
Os tempos são muito diferentes e, nos atuais, a filiação partidária é um mero adereço à campanha eleitoral. Isto é, se for visto pelo eleitor. Sabe-se que, para os candidatos, isso é uma questão matemática. Questão de viabilidade eleitoral. Não se faz mais campanha eleitoral, nem se lança candidatura, sem fazer criteriosos cálculos matemáticos para se entender as reais chances de chegar lá.
Chegamos a um cenário e a um tempo em que escolher o abrigo de uma determinada sigla é mais importante do que o plano de campanha. E não se trata apenas de dizer com quem estará o candidato, pois, às vezes, a companhia influencia menos do que a viabilidade eleitoral. Temos uma semana para candidatos olharem a lista de quem concorre a este pleito e, depois, fincarem bandeira partidária.
Óbvio, falo aqui de uma regra, embora sempre haja exceções. Há os que já tenham feito este cálculo há muito mais tempo ou que sejam hoje donos absolutos de um colegiado eleitoral que os garanta, seja qual for a sigla em que estiverem. Mas esses casos são raros.
Há poucos dias, tivemos algumas trocas de partido, e o maior exemplo para nós, do sul do estado, é a deputada Geovânia de Sá, que saiu do PSDB, migrando para o Republicanos. Fez isso por uma questão matemática. Assim como ela, líderes fortes que migram condicionam ao seu novo partido critérios que os favoreçam, como Geovânia de Sá, que mapeou o estado assegurando reserva de área para buscar os votos republicanos. Assim, no partido Republicanos, que na urna leva o número 10, ela terá o Sul todo para ela como candidata à deputada federal.
Então, lembremo-nos de que termina dia quatro, próximo sábado, o prazo da janela partidária. Por isso, esta é uma semana que promete alguns movimentos que ainda precisam ser feitos. Uma semana em que se diz: a campanha eleitoral, para muitos, já começou.
EDITORIAL – Uma leitura da cena ridícula no Congresso Nacional
personJoão Paulo Messer access_time27/03/2026 - 06:45
As cenas de ontem mostram que não existe a menor intenção de justiça, mas a proteção dos seus e a condenação dos adversários, que, neste cenário, se tornam inimigos. Parlamentares que conseguem ser, ao protestar, ainda mais ridículos, pequenos e inservíveis à nação que precisa de equilíbrio.
Os pulinhos, socos no ar e sorrisos debochados preencheram os telejornais ontem. O pior é que os que assistiram à briguinha de palhaços investidos de autoridade revelam-se fantoches de alas radicais.
Nem a decisão de convocar e vasculhar a vida do filho do presidente da República, suspeito de fazer parte de um esquema nojento, ganhou mais espaço do que a briguinha e os pulinhos ridículos dos parlamentares que não foram para o confronto. Quer dizer, os que não são protagonistas ridículos são figurantes igualmente ridículos.
O Brasil não merece. Ou será que merece o que se viu ontem? Não sei. Só sei que ontem foi apenas mais um capítulo da vergonha nacional.
Radicalismo, insanidade e pobreza do Poder Legislativo apenas se comparam aos já falidos demais Poderes. Uma limpa neste Congresso seria uma boa alternativa, mas sabemos que não vai acontecer. Os ridículos, quanto mais ridículos, por certo serão reconduzidos. Afinal, estão lá porque pagar de ridículo neste país virou credencial para o acesso ao Poder. Que vergonha.
Editorial: Líderes de verdade estão preparados para ouvir o contraditório
personJoão Paulo Messer access_time26/03/2026 - 06:30
O papel da mídia é uma espécie de porta-voz da comunidade. Reage como eco à reação da sua audiência quando falamos de rádio, por exemplo. A posição de quem faz a comunicação social, seja em qual campo for, é a da reação que ecoa da sociedade.
Não é em vão que os veículos de comunicação sérios e consolidados, e nós pensamos sê-lo, gozam do conceito de quarto poder. É verdade que os poderes no Brasil estão apodrecidos e entregues a interesses. Mas eu considero que seguimos imunes a essa pecha ou rótulo.
Digo isso com a lembrança de que líderes e homens públicos ocupam posições naturalmente expostas ao olhar coletivo e, por isso, precisam estar preparados para conviver com críticas.
A crítica é parte inerente da democracia e do ambiente competitivo, sendo instrumento de controle, ajuste e evolução. Quem exerce liderança sem disposição para ouvir o contraditório tende a se isolar e tomar decisões menos eficazes. Comumente os rotulamos de ditadores, mesmo que não seja o melhor meio de descrevê-los.
Adversários e concorrentes existem para questionar, tensionar e oferecer visões alternativas, o que fortalece o debate público. Nesse contexto, maturidade emocional é requisito indispensável para quem deseja conduzir pessoas e projetos. Reagir impulsivamente a ataques ou discordâncias pode ampliar conflitos e fragilizar a imagem do líder.
Por outro lado, saber filtrar críticas construtivas das meramente oportunistas é uma habilidade estratégica. Líderes preparados utilizam o questionamento como ferramenta de aperfeiçoamento contínuo. Eles entendem que nem toda crítica é injusta e que reconhecer falhas demonstra grandeza e responsabilidade.
A escuta ativa permite compreender demandas reais da sociedade e ajustar rotas quando necessário. Além disso, transparência e coerência são fundamentais para reduzir ruídos e desconfianças. Ao comunicar decisões com clareza, o líder diminui espaços para interpretações distorcidas. Também é essencial manter postura ética e respeitosa, mesmo diante de ataques pessoais.
A serenidade diante da pressão transmite segurança e fortalece a credibilidade. Construir pontes, em vez de ampliar divisões, é sinal de inteligência política e institucional. Outro ponto importante é cercar-se de equipes qualificadas e diversas, que tragam diferentes perspectivas. Isso amplia a capacidade de análise e reduz decisões baseadas em impulsos individuais.
A liderança eficaz não busca unanimidade, mas sim legitimidade e confiança. Conviver com críticas é, portanto, parte do exercício responsável do poder. E saber transformá-las em aprendizado é o que distingue líderes comuns de líderes verdadeiramente preparados.
Editorial: A corrupção não nasce na política
personJoão Paulo Messer access_time23/03/2026 - 06:30
E segue a ameaça de falta de combustíveis. O que não é ameaça, mas sim fato, é que o preço dos combustíveis já extrapolou o teto. E sempre sob o argumento de que vai faltar, de que não tem e outras tantas razões.
Mas qual é a leitura que nós temos sobre isso?
Só vou fazer uma provocação. Você não acha que nós estamos vivendo tempos em que a pressa virou regra e não nos aprofundamos sobre nada?
Nem pensamos sobre o que acontece à nossa volta. Só aceitamos o que vem embalado no noticiário ou, pior, nas redes sociais?
Observamos os fatos pela superfície, reagimos rápido, julgamos mais rápido ainda. Mas será que estamos realmente entendendo o que acontece ao nosso redor?
Tomemos como exemplo a recente tensão entre Estados Unidos e Irã. Mal se anunciou o início do conflito, e o Brasil já sentiu seus efeitos. A ameaça de falta de combustível surgiu quase que instantaneamente. E, junto dela, o aumento nos preços, como um reflexo automático.
Mas aqui cabe uma pergunta que não pode ser ignorada: houve tempo real para que essa escassez fosse, de fato, provocada? Navios deixaram de cruzar oceanos em questão de horas? O petróleo deixou de existir de um dia para o outro? Ou será que, mais uma vez, assistimos ao velho roteiro do oportunismo? Um roteiro em que a desgraça alheia vira margem de lucro. Em que o medo coletivo é transformado em estratégia de mercado.
É cômodo culpar governos, apontar dedos para quem está no poder. Mas nem sempre o problema nasce ali. Muitas vezes, ele brota no terreno fértil da especulação. E isso nos leva a uma reflexão ainda mais incômoda.
Se essas práticas são comuns no nosso cotidiano, por que nos surpreendemos quando aparecem na política?
A verdade é dura, mas precisa ser dita: o Congresso, o Executivo e o Judiciário não surgem do nada. Eles são reflexo direto da sociedade que os elege.
Se toleramos pequenas vantagens no dia a dia, se normalizamos o “jeitinho” e o ganho fácil, acabamos legitimando comportamentos maiores e mais graves.
Não se constrói uma sociedade ética apenas cobrando de cima. É preciso começar de baixo, nos pequenos núcleos, nas atitudes diárias.
Que esta reflexão nos acompanhe. Que a gente aprenda a olhar além da superfície. E que a nossa semana seja, acima de tudo, consciente e produtiva.
O caminho de governador passa pelo prefeito
personJoão Paulo Messer access_time20/03/2026 - 10:35
Enquanto a legislação eleitoral permitir a reeleição, o governante de plantão terá sempre vantagem no processo eleitoral. Temos, em Santa Catarina, um exemplo claro de como funciona este movimento. O governador Jorginho Mello, que nunca perdeu uma eleição, por isso hábil agente político, constrói, desde o primeiro dia de governo, a sua reeleição. E não há nada de errado nisso. Pelo contrário, trata-se de uma questão de inteligência. Afinal, ocupa o cargo com a habilidade para manter-se nele.
Lembramos que um dos primeiros atos de Jorginho, quando assumiu o governo de Santa Catarina, foi percorrer uma a uma das regionais para conversar, de um a um, com os prefeitos. Independentemente de sigla partidária, ouviu as prioridades e prometeu atendê-las. Em alguns casos, pediram menos do que ele ofereceu.
Lembramos também que, no meio do seu mandato, quando foram eleitos os novos prefeitos, Jorginho foi a campo de novo para conversar individualmente com os prefeitos. Tomamos por exemplo Criciúma, onde, durante a eleição, ele teve sério embate com o ex-prefeito Clésio Salvaro. Já com Vaguinho estabeleceu relação estreita, pois Vaguinho precisa do Governo do Estado para governar. E assim Jorginho fez em todos os municípios catarinenses. Ganha, por isso, a característica de prefeito municipalista.
Conversei hoje com o prefeito de Turvo, Heriberto Schmidt, que me confirmou ser admirador de Jorginho Mello e mantém esta posição, independentemente do posicionamento que o seu partido, o MDB, tomar.
E assim, por toda Santa Catarina, prefeitos declararam a sua simpatia ao governador, o que, na verdade, é apenas a retribuição aos recursos destinados por Jorginho. A partir de agora, o governador deve administrar a forma de repassar este dinheiro para manter a fidelidade dos prefeitos.
Lembramos também que, no início desta semana, os prefeitos do Partido Progressista foram até Jorginho dizer que o apoio virá, embora o seu partido não tenha decidido isso ainda.
Quer dizer, mais do que ser um governador municipalista, Jorginho é um hábil construtor da sua reeleição, contando com a aposta em 295 prefeitos. Não se sabe quantos estarão, mas a estratégia é essa.
O caminho de governador passa pelo prefeito
personJoão Paulo Messer access_time20/03/2026 - 10:35
Enquanto a legislação eleitoral permitir a reeleição, o governante de plantão terá sempre vantagem no processo eleitoral. Temos, em Santa Catarina, um exemplo claro de como funciona este movimento. O governador Jorginho Mello, que nunca perdeu uma eleição, por isso hábil agente político, constrói, desde o primeiro dia de governo, a sua reeleição. E não há nada de errado nisso. Pelo contrário, trata-se de uma questão de inteligência. Afinal, ocupa o cargo com a habilidade para manter-se nele.
Lembramos que um dos primeiros atos de Jorginho, quando assumiu o governo de Santa Catarina, foi percorrer uma a uma das regionais para conversar, de um a um, com os prefeitos. Independentemente de sigla partidária, ouviu as prioridades e prometeu atendê-las. Em alguns casos, pediram menos do que ele ofereceu.
Lembramos também que, no meio do seu mandato, quando foram eleitos os novos prefeitos, Jorginho foi a campo de novo para conversar individualmente com os prefeitos. Tomamos por exemplo Criciúma, onde, durante a eleição, ele teve sério embate com o ex-prefeito Clésio Salvaro. Já com Vaguinho estabeleceu relação estreita, pois Vaguinho precisa do Governo do Estado para governar. E assim Jorginho fez em todos os municípios catarinenses. Ganha, por isso, a característica de prefeito municipalista.
Conversei hoje com o prefeito de Turvo, Heriberto Schmidt, que me confirmou ser admirador de Jorginho Mello e mantém esta posição, independentemente do posicionamento que o seu partido, o MDB, tomar.
E assim, por toda Santa Catarina, prefeitos declararam a sua simpatia ao governador, o que, na verdade, é apenas a retribuição aos recursos destinados por Jorginho. A partir de agora, o governador deve administrar a forma de repassar este dinheiro para manter a fidelidade dos prefeitos.
Lembramos também que, no início desta semana, os prefeitos do Partido Progressista foram até Jorginho dizer que o apoio virá, embora o seu partido não tenha decidido isso ainda.
Quer dizer, mais do que ser um governador municipalista, Jorginho é um hábil construtor da sua reeleição, contando com a aposta em 295 prefeitos. Não se sabe quantos estarão, mas a estratégia é essa.
EDITORIAL – Governo se vê obrigado a vetar incentivos e serviços de saúde ao cidadão
personJoão Paulo Messer access_time10/03/2026 - 06:30
Só nestes últimos dias vimos o Governo do Estado reagir de forma contrária a duas propostas que trariam ao cidadão vantagens não só financeiras. No entanto, o foco aqui é observar o aspecto financeiro desse movimento. No primeiro caso, o governador vetou o desconto no IPVA dos veículos cujos proprietários são enquadrados como bons motoristas, isto é, motoristas sem infração de trânsito.
Isso também pode ser interpretado da seguinte forma: o motorista que não paga multa aos cofres públicos não teria por que ser beneficiado. Quem não pode ser prejudicado por isso é o caixa do governo.
No outro caso, a proposta sequer foi aprovada na Assembleia Legislativa, e a base do governo está orientada a trabalhar contra. Trata-se da intenção de um deputado que propõe a distribuição gratuita, na rede pública de saúde, o SUS, para pacientes que se enquadram na necessidade de tomar a tirzepatida, conhecida comercialmente como Mounjaro.
Nos dois casos, a alegação é a mesma: custo. O incentivo econômico aos bons motoristas faria cair a arrecadação, comprometendo o caixa do Estado. Isso fura a previsão de arrecadação, pois o IPVA é uma fonte importante de receitas.
No caso do Mounjaro gratuito à população, o próprio governo federal já disse que é impraticável pelo alto custo. Aliás, nesse caso vemos o governo do Estado concordando com os argumentos do governo federal. Quer dizer, quando a razão é a diminuição do volume arrecadado, fica impraticável trazer qualquer tipo de incentivo ao bom motorista ou oferecer cuidado à saúde do diabético.
O sistema está estrangulado e o caixa mal cobre os seus custos, gerando déficit histórico. Enquanto nós formos obrigados a trabalhar para sustentar a máquina pública, que consome grande parte dos nossos impostos apenas para pagar salários, não podemos sonhar com infraestrutura viária ou com a saúde preconizada na Constituição como direito absoluto de todos.
Esses dois exemplos são a demonstração de que não se pode sonhar com diminuição na carga tributária. São exemplos clássicos que mostram como o governo, por melhor que seja a intenção de algum agente, não tem para onde correr senão na direção do nosso bolso, do nosso suor e da nossa contribuição.
EDITORIAL - Os tempos são mais do que de homenagem às mulheres
personJoão Paulo Messer access_time09/03/2026 - 06:20
O Dia Internacional da Mulher, celebrado ontem, merece, sim, que lembremos que é sempre uma data de reflexão. Mais do que homenagens, flores ou mensagens nas redes sociais, ele deve servir para lembrar que a luta das mulheres por direitos, respeito e igualdade ainda está longe de terminar.
É verdade que, ao longo das últimas décadas, muitas conquistas foram alcançadas. As mulheres ampliaram sua presença no mercado de trabalho, na política, nas universidades e em espaços de decisão que, historicamente, lhes foram negados. São avanços importantes, que merecem ser reconhecidos.
Mas é impossível ignorar que, paralelamente a essas vitórias, persistem problemas graves. A violência contra a mulher continua sendo uma realidade cotidiana. Agressões físicas, psicológicas, morais e até econômicas ainda fazem parte da vida de milhares de brasileiras.
Os números mostram que o problema está longe de ser resolvido. Ontem mesmo, o delegado Márcio Campos Neves estava de plantão e escreveu nas redes sociais que, só pela manhã, atendeu a dois casos de violência contra a mulher em Criciúma.
Casos de feminicídio, denúncias de violência doméstica e episódios de assédio continuam surgindo com frequência alarmante. Isso revela que leis importantes, como as que protegem as mulheres, são fundamentais, mas, sozinhas, não são suficientes. O desafio maior está na mudança de cultura.
E não se trata de simples condenação da sociedade por esses absurdos. Temos que lembrar que a nossa cultura ainda carrega desigualdades entre homens e mulheres. Durante muito tempo, a sociedade naturalizou desigualdades e relações de poder que colocaram as mulheres em posição de inferioridade. Romper com esse padrão exige educação, conscientização e debate permanente.
É justamente por isso que datas como o Dia da Mulher não podem ser tratadas apenas como uma celebração simbólica. Precisam ser um chamado à responsabilidade coletiva. O respeito às mulheres deve ser uma prática diária: dentro de casa, nas escolas, no trabalho e nas instituições.
Ainda há desigualdade salarial, sub-representação política e muitas barreiras invisíveis que dificultam o pleno exercício dos direitos femininos. Ignorar essas questões é fechar os olhos para uma realidade que ainda exige transformação.
Portanto, mais do que comemorar conquistas, é preciso reafirmar compromissos.
Afinal, no fim das contas, não é apenas de vitórias que as mulheres precisam viver. É, sobretudo, de respeito, dignidade e da preservação da igualdade que deve existir entre todos.













