Divisão dos incentivos
Desde que o Secretário de Estado da Fazenda, Paulo Eli, disse na Assembleia Legislativa que existe uma “caixa preta” nos programas de incentivos fiscais, muita gente perdeu o sono. De lá para cá ficou definida a instalação de uma CPI para investigar a denúncia, Estes movimentos que mexem com interesses. E não é só de políticos. Se de um lado há interpretação de que Paulo Eli disse aquilo “sob encomenda” de uns, de outro há quem enxerga movimentos tentando neutralizar as investigações. Essa guerra teria de um lado o ex-governador Eduardo Moreira, que foi quem indicou Eli para a Fazenda e de outro Gelson Merísio, cujo cunhado Antônio Gavazzoni foi Secretário da Fazenda na maior parte do tempo nos últimos quatro governos. Na guerra destes grupos que vai pagar a conta são os empreendedores e os consumidores.
TEM QUE SABER
Aos olhos dos contribuintes existe uma verdade: se Paulo Eli disse que há caixa preta, ele tem a obrigação de abri-la. A CPI pode ser uma das formas, mas a outra deveria ser o governo que se elegeu com a promessa da transparência. Como auditor da Receita Estadual e agora Secretário da Fazenda, Paulo Eli tem a obrigação de mostrar onde estão os contratos de gaveta.
ATO DO GOVERNO
Ainda ontem o governador Carlos Moises mandou à Assembleia Legislativa uma nova versão de projeto de incentivos fiscais, tornando mais transparente e elaborada a lista de produtos beneficiados. A dúvida é se a resposta rápida faz ou não parte do que a Assembleia Legislativa costurou um dia antes com a participação de integrantes do governo. Um dia antes Moisés recebeu um projeto pronto elaborado no Legislativo.
E SE FOR
Até o final da tarde de ontem ainda não tinha sido possível comparar o teor dos projetos sobre os incentivos, o que foi elaborado na Assembleia Legislativa e o que saiu do centro administrativo. Se houver conflito no conteúdo – o que ficou parecendo – abre-se guerra e não há dúvidas quem vai ganhar: a Assembleia Legislativa.
DIA DA MULHER
O prefeito de Morro da Fumaça, Noi Coral encaminhou à Câmara de Vereadores o Projeto de Lei que prevê a criação da Semana de Conscientização e Combate ao Feminicídio. As atividades serão realizadas anualmente no mês de março, sempre em alusão ao Dia Internacional da Mulher, comemorado no dia 8.
SÓ OUVIDOS
O primeiro suplente de deputado estadual Cleiton Salvaro tem andado como se estivesse no cargo. Eleito com 15 mil votos em 2014, mas ficou fora com mais do que o dobro da votação em 2018, ele tornou-se num diferencial da última eleição. Enquanto colegas diminuíram a votação, e alguns entraram mesmo assim, ele cresceu mais de cem por cento e por conta do quociente eleitoral não entrou.
MUNICIPALIZAR A BARRAGEM
Se o processo de criação de órgãos municipais para gestção da água e esgoto seguir no ritmo ditado pelo prefeito de Criciúma, em Siderópolis o prefeito Helio Cesa Alemão irá propor a municipalização da Barragem do Rio São Bento.
NA PAUTA
O deputado federal Daniel Freitas (PSL) se encontrou ontem com o presidente da Assembleia Legislativa, deputado estadual Júlio Garcia (PSD). Na conversa não foram apenas questões relacionadas ao projeto de incentivos fiscais que agita o parlamento catarinense neste momento. Os dois falaram sobre eleições do ano que vem, especialmente em Criciúma.
JÚLIO LOPES NA CULTURA
Não está “escape” de ter sido uma grande gafe o anúncio de Júlio Lopes na presidência da Fundação Cultural de Criciúma. O governo municipal distribuiu uma nota anunciando que ele havia sido convidado pelo prefeito e aceito de pronto, embora pedido um tempo para conversar com familiares antes de definir a posse. Logo depois que a nota foi divulgada, Júlio saiu atrás para dizer que não é bem assim e que precisa falar com familiares. O retorno dele ao cargo era dado como certa. Ele quer e o prefeito também. As circunstâncias do anúncio podem ter gerado mal-estar.
HAVIA OUTRO Embora o Clésio Salvaro não tenha feito nenhum comentário a respeito, ele tinha outro nome de que quem aguardava a resposta para assumir a FCC. Demorou e depois que Júlio Lopes saiu do PSL, o prefeito solicitou ao outro candidato que se apressasse na resposta.
É DA COTA Todos os recém convidados e indicados para cargos no governo do município assumem com a missão política com vistas à eleição municipal do ano que vem. Foi assim com Nícola Martins (PR) na Fundação Municipal de Esportes.
TAMBÉM É A mesma tese da composição de equipe olhando o potencial partidário usada para alguns cargos no Executivo vale para o Legislativo. O novo líder de governo, vereador Aldinei Potelecki (PRB) agrega sigla com bom tempo de TV e eleitorado fiel e bem conduzido.
NÃO É DA COTA A indicação de Júlio Lopes para a Fundação Cultural de Criciúma não cabe na tese do reforço partidário no projeto de reeleição. Ele saiu do PSL e está sujeito a movimentos próprios do partido do filho Jessé Lopes.
DE SAÍDA O discurso do Secretário de Fazenda, Paulo Eli, denunciando suspeitas sobre incentivos fiscais distribuídos é bem visto pelo governo até o ponto de onde ele estaria sendo transparente. Daí para frente existem suspeitas de que ele o fez a serviço de quem o apadrinhou para permanecer no cargo, o ex-governador Eduardo Moreira. Ele pode estar com pelo menos um dos pés fora.
NEM TÃO UNÂNIME A julgar pela reação à nota publicada aqui ontem, com elogios ao ex-gerente regional da Casan, Vilmar Bonetti, o time de rejeição ao seu nome é grande dentro da empresa estadual.
QUE FEIO Não se restringe aos deputados à denúncia e a suspeita dos que agem em defesa de um ou outro grupo político em Santa Catarina. A cada dia mais colegas da imprensa andam se expondo através das suas ferramentas na defesa dos seus. O leitor ganha quando menos gente usa camuflagem.
FRASE DO DIA
“Eu sou louco por trabalho. Trabalho muito. Só não trabalho mais do que o Clésio Salvaro.”
Júlio Lopes, que deve assumir a presidência da Fundação Cultural de Criciúma.














