Coluna de Quarta-feira
Caminho do abate não tem volta
O esforço para minimizar o impacto social e econômico – ou vice-versa – com o fechamento da unidade da JBS em Morro Grande deve crescer. Além da reunião de prefeitos, ontem, na semana que vem Judiciário e Ministério Público envolvem-se na operação. As circunstâncias adversas são quase uma sentença de morte à qualquer esforço. Os prefeitos encontraram como primeiro caminho a mobilização política junto à empresa. Mas qual ação política pode ter peso diante de uma empresa que carimbou os políticos com o seu carimbo de doações? Afora isso havemos de lembrar-nos que o frigorífico da JBS ainda não é da JBS, mas sim da Tramonto, que apresentou programa de recuperação fiscal baseado em 30 pagamentos, dos quais metade está paga rigorosamente dentro do previsto. O imbróglio administrativo é por si desanimador.
Recuperação
Lembrando que a Tramonto teve seu plano de recuperação judicial aprovado baseado integralmente nos pagamentos da JBS. Os R$ 60 milhões seriam pagos em 30 parcelas. Metade delas quitadas e tudo rigorosamente no previsto. É necessário que a Justiça diga agora o que é de quem. Uma coisa foi esclarecida: o terreno não é do município, como chegou a se especular.
A missão
Ficou com o deputado Manoel Mota a missão de convencer o governador a receber autoridades do sul que irão pedir apoio para negociar com a JBS uma saída para a unidade de Morro Grande.
Um lá, outro cá
Hoje, quando o governador Raimundo Colombo estiver botando o pé em solo catarinense, de retorno da viagem à Portugal, onde foi comemorar os 75 anos de Jorge Bornhausen, sábado, Eduardo Moreira estará tirando o pé do solo rumo à Amsterdam (Holanda), para a lua de mel ao lado da esposa Nicole.
Peemedebistas
Encontro do PMDB da capital, segunda-feira à noite, mostrou de novo que segue ampliando a sintonia de peemedebistas com os tucanos. A reunião foi provocada pelo prefeito Gean Loureiro (PMDB), da capital e o tucanato presente foi levado pelo vice-prefeito João Batista Nunes (PSDB).
Udo fora
Difícil imaginar que o PMDB possa fazer um encontro ampliado na capital e o prefeito de Joinville, Udo Döhler não comparece. É porque ele está fora do páreo. Mauro Mariani foi apresentado como candidato a governador, mas Eduardo Moreira e Dário Berger não pareciam nem um pouco menos candidato, tanto por seus discursos quanto pela reação da plateia.
Outro lado
Se em Florianópolis o PMDB parece ter “tudo dominado”, no outro lado da ponte o reinado é da tríplice aliança formada por PSD, PP e PSB. Nesta semana os três partidos reuniram-se num gesto de apoio a Gelson Merísio. Estavam os prefeitos de Biguaçú, São José, Palhoça, Tijucas e São João Batista da grande Florianópolis.
Luto oficial
A Unesc publicou em sua página nota de pesar pela morte do reitor Luiz Carlos Cancellier de Olivo e decretou três dias de luto oficial. A reitora Luciane Ceretta participou do cerimonial de despedida ao colega, ontem na capital. Ela assim como todos os demais reitores de universidades do Estado encontrava-se em Florianópolis para o encontro de reitores que aconteceu segunda-feira e ontem.
Interpretando a cena
Uma das melhores leituras que tive para este cenário de responsabilização, espetacularização e repercussão da morte do reitor da UFSC, Luiz Carlos Cancellier de Olivo, foi feita em entrevista pelo delegado de Polícia Civil, Márcio Campos Neves. Todas as leituras podem ser feitas, mas jamais culpar a ação policial pela atitude tomada pelo investigado. Havemos de lembrar que as notas oficiais divulgadas por instituições, sugerem responsabilização pela morte. A autoridade não disse, mas com algum exagero é como se as primeiras análises estivessem cunhando a frase de que “suicidaram o reitor”. Mesmo que se possa discordar do método policial, não é possível generalizar. A condenação às circunstâncias que envolveram a prisão são tão questionáveis quanto a própria tentativa de associar o fato a todos os outros.
A ONDA Assim como a OAB e outras instituições, inclusive o ex-presidente Lula “surfou na onda” do suicídio do reitor da UFSC. Com mais uma de suas pérolas, ontem ele disse que não tem pretensões de se suicidar e que já provou a sua inocência. O lamentável episódio de Santa Catarina está sendo usado para fragilizar a Lava Jato.
VOLTOU Quem reapareceu foi a ex-senador Ideli Salvatti. Ela está de volta ao Brasil e vai residir na grande Florianópolis, após ocupar cargo estratégico na ONU, após servir de fiel escudeira do ex-presidente Lula no Senado.
PÁSMEN Ideli Salvatti retornou à mídia com uma pérola digna de quem voltou para arrasar. Emitiu nota sobre a morte do reitor Luiz Carlos Cancellier comparando o fato à revolta coletiva que ficou conhecida como “novembrada” em 1979. Em nota disse que com o suicídio o reitor “deu aula magna de Justiça”.
REAÇÃO Imagino com que cara representantes do Governo do Estado irão à direção da JBS pedir para rever alguns procedimentos em relação a unidade da empresa em Morro Grande. Isso se atenderem mesmo o pedido que os prefeitos do Sul farão diretamente ao governador nas próximas horas.
FUMAÇA Em relação a Casan o prefeito de Morro da Fumaça, Noi Coral, deu cartada perfeita, mas o jogo pode ficar “encardido” logo ali a frente. Isso porque ele só tem três dos nove votos e para criar o SAMAE necessita do apoio do Legislativo.
OLHOS Ontem de novo houve movimento em favor a instalação do Banco de Olhos em Criciúma. Este assunto virou “novela”. Apesar de ter sido inaugurado em janeiro ele não foi instalado pela prefeitura de Criciúma por falta de dinheiro. O custo mensal é de R$ 40 mil e hoje não há previsão deste investimento.
DIFERENÇAS De novo ficou evidente nesta semana a diferença de gestão de crise do PMDB em relação aos demais partidos. A sigla catarinense fez um encontro na capital e aprovou repúdio à direção nacional, condenando os peemedebistas envolvidos em escândalos. Enquanto isso o PSDB se desdobra em defender Aécio Neves e o PT “vitimiza” os seus.
FRASE DO DIA
“A prisão pode ser a causa, mas jamais a culpada pela morte do reitor.”
Delegado de Polícia Civil, Márcio Campos Neves ao comentar as circunstâncias da morte do reitor da UFSC, Luiz Carlos Cancellier de Olivo.














