EDITORIAL: A política fala muito e esclarece pouco.
Depois do debate político realizado ontem, na Rádio Eldorado, com três dos nove candidatos ao Governo de Santa Catarina, ficou uma comparação interessante. Os debates políticos estão cada vez mais parecidos com as atuais entrevistas coletivas do futebol.
Minha trajetória de 18 anos como repórter esportivo me permitiu acompanhar de perto esse tipo de entrevista. Houve um tempo em que, depois do jogo, o repórter perguntava ao treinador e insistia enquanto a dúvida não fosse esclarecida. Não se tratava de ouvir a resposta que se queria, mas de obter a resposta que precisava ser dada.
Hoje, diante de uma fileira de microfones, pergunta-se sobre A, o treinador responde sobre B e a entrevista segue. A dúvida permanece. Na política, infelizmente, não estamos muito distantes disso.
Os debates ficaram tão engessados pelas regras que, muitas vezes, nem o apresentador consegue cobrar objetivamente uma resposta ou impedir que o candidato fuja do tema. Pergunta-se uma coisa, responde-se outra e o relógio encerra a discussão.
Há ainda um problema maior: a fuga dos próprios debates. Candidatos que deveriam estar frente a frente para apresentar ideias, responder questionamentos e confrontar posições simplesmente optam por não comparecer.
O debate de ontem na Rádio Eldorado teve momentos interessantes e também tensão. Um deles envolveu uma denúncia feita por um dos candidatos sobre uma suposta relação societária do filho do governador com uma empresa prestadora de serviços ao Estado na área da saúde. É uma acusação grave, que precisa ser comprovada, esclarecida e respondida pelos citados.
Também houve um duro embate entre João Rodrigues e Ralf Zimmer. O clima esquentou durante o programa e permaneceu desconfortável mesmo depois que os microfones foram desligados.
Mas talvez o principal resultado do debate esteja justamente no que ficou sem resposta.
Estamos vivendo o tempo das respostas pela metade. Na política, pergunta-se muito, responde-se pouco e quase sempre existe uma tangente disponível para escapar do ponto central.
Cabe também à imprensa fazer sua parte e reconhecer quando não consegue extrair aquilo que deveria dos entrevistados. Insistir, questionar e investigar continuam sendo obrigações do jornalismo.
O problema é que chegamos a outro estágio preocupante. São tantas denúncias, acusações e escândalos que uma nova denúncia aparece antes mesmo de a anterior ser devidamente esclarecida.
E quando perguntas ficam sem respostas e denúncias sem investigação, uma palavra começa a perder força no discurso público.
Transparência.
Como está difícil falar dela.















