Coluna de sexta-feira
Moreira não atirou em Colombo
Os anúncios administrativos de Eduardo Moreira, reclamados pelos partidários de Raimundo Colombo (PSD) porque ficaram parecendo disparos contra o ex-governador, não devem ser enxergados com estranheza. Ora, Colombo perdeu ou entregou o controle do partido, que por conta disso afastou-se de Moreira elegendo-o principal adversário. Moreira desalojar peessedistas, portanto é óbvio. O governador de nove meses não tem mais tempo para deixar a sua marca. Por isso cada dia precisa ser aproveitado. Afora isso, Moreira é quem assina o fechamento do ano fiscal, possivelmente sem saber quem será seu sucessor e como a herança que deixar será tratada. Por fim, se está privilegiando apenas peemedebistas, nada mais justo, pois não tem porque “lustrar” outras siglas. Se as medidas respingaram em Colombo é porque Moreira ficou com a escolha do: “ele ou eu”.
O compromisso de Eduardo Moreira com Raimundo Colombo extinguiu-se no dia em que o ex-governador perdeu o comando do partido e não evitou o sepultamento do legado que ambos herdaram de Luiz Henrique da Silveira. Certo ou não, o pacto subentendido era o da manutenção da tríplice aliança.
A grande demonstração de que Moreira já não tinha mais compromisso com Colombo foi o evento que ocorreu dois dias após a renúncia do ex-governador. Em Lages (em casa) realizou um evento que tinha no palco todos aqueles aliados da construção anti-PMDB articulada por Gelson Merísio. Colombo perdeu o controle do evento que fez em casa.
Se Colombo fez o pré-lançamento de sua candidatura num palanque organizado pela teoria de Merísio, não tinha porque o PMDB estar presente. E não esteve. Nem como amigo Eduardo Moreira encorajou-se a ir. A verdade é que Colombo já não tinha mais escolha. Cedeu a casa para seu partido fazer a festa. A dúvida é se perdeu o comando por planos seus ou apesar pela marcha usada na condução do processo.
Bauer candidato
O PSDB fez ontem na capital um animado evento anunciado como pré-lançamento do nome de Paulo Bauer como candidato do partido a governador. Prefiro ficar com a percepção de que se trata de um “pré-pré-lançamento”. Foi apenas a definição de que o candidato é ele, nada além. E esse é um pré-requisito dos partidos: definir o nome para governador.
Culpa da prefeitura
O vereador Ademir Honorato (PMDB), da Comissão de Obras da Câmara de Vereadores de Criciúma, tentou amenizar a ausência do Governo do Estado nas obras de contrapartida oferecidas às comunidades impactadas pelas obras da Penitenciária e do CASE, ao reclamar que o prefeito de Criciúma está muito devagar, segundo ele. Disse isso entrevista ontem na rádio Eldorado.
Reação imediata
O governo municipal reagiu às críticas de Ademir Honorato, alegando que a única coisa que lhe cabe, um projeto para a pavimentação da ligação da comunidade à BR-101, está pronto e entregue ao Governo do Estado, que por sua vez não mandou o dinheiro que custearia este projeto.
Olhando de fora
Nos arredores do PMDB a desconfiança é que Eduardo Moreira pode começar a ficar isolado na corrida à reeleição. A interpretação é de que Mauro Mariani ficou ferido pela condução do processo que o retirou da preferência do partido, até mesmo com os ensaios que trabalharam com a possibilidade da candidatura de Udo Döhler. Já o senador Dário Berger pode ser outro com motivos para tirar o pé do acelerador, este por questões estratégicas. Afora isso, Moreira pode ficar sobrecarregado para tocar o governo e a candidatura. Hábil como é pode oferecer-se como cabo eleitoral do partido e não mais candidato. Tudo isso muda se houver qualquer mudança de percurso, por exemplo, com o PSDB.
PARLAMENTO A construção na Assembleia Legislativa pode ser o próximo indicativo a ser enfrentado pelo governador Eduardo Moreira. Se depender do deputado Gelson Merísio, que tem ampla influência e da lógica de construção de uma nova aliança para outubro, Moreira pode ter muita dificuldade no Legislativo.
PÁRA TUDO Nenhum raciocínio político resiste a uma notícia sobre a Lava Jato ou qualquer outro amanhecer daqueles com polícia na porta de alguém, seja no Estado ou mesmo fora dele. A cada amanhecer uma nova teoria pode nascer.
NOVA VENEZA A discussão que incendeia os bastidores da política de Nova Veneza é a imagem de Nossa Senhora do Caravággio. O governo passado tinha um projeto de um pórtico na entrada do distrito e no alto dele a imagem da santa. O governo atual fez o projeto sem a santa e com ideia de coloca-la em outro local.
SANTA CATARINA O Secretário de Estado da Saúde, Acélio Casagrande voltou a ser procurado pelo prefeito Clésio Salvaro, ontem, para tratar do Hospital Materno Infantil Santa Catarina. Acélio já confessou que este projeto é prioridade para a região.
FILANTROPIA A Casa Guido, que ontem comemorou a conquista do objetivo de arrecadar R$ 1 milhão para compra da sua sede própria é um dos melhores exemplos de doação em anonimato. Habilmente alguns ensaios de vaidade e oportunismo são logo desconstruídos.
ADVOCACIA .Foi inaugurado ontem à noite o mais novo escritório de advocacia de Criciúma. O “De Castro, Pelegrim e Pereira”, localizado no bairro Comerciário, tem um time de respeitados profissionais com especialidades em várias áreas. O evento e a sede dão uma ideia do que a banca passa a representar não só para Criciúma.
FRASE DO DIA
“A cada vez que puxávamos um extrato das contas tínhamos uma ajuda, uma doação, víamos a lembrança de alguém que depositou o que poderia para nos ajudar. Sabemos que recebemos doações de pessoas que também passam necessidades e que dividiram conosco o pouco que tem. Isso soava aos nossos ouvidos as mensagens de “Vai dar. Prossigam. Estamos com vocês”.
Otílio Paulo Miranda Pereira, presidente da Casa Guido, comentando a conquista da campanha de arrecadação de R$ 1 milhão.














