Coluna de Quarta-feira
Governo sofre derrota
Com apelo de que estaria reduzindo a alíquota do ICMS de 17 para 12 por cento o governador Eduardo Moreira editou a Medida Provisória 220, que precisava do aval da Assembleia Legislativa. Como nunca aconteceu antes nos tempos de Raimundo Colombo, os deputados rejeitaram a matéria por 24 votos a 12. Há mais de uma leitura a se recolher da votação que aconteceu ontem. A principal delas é que o governador não tem mais de uma dúzia de votos. É verdade que a proposta não é simples e já provocou barulho no setor varejista. Nem mesmo um anunciado acordo do governo com a FIESC representando a indústria e a FECOMÈRCIO representando o setor varejista foi suficiente.
Resistência técnica
Tecnicamente havia indicações de que o governador não conseguiria passar a matéria no plenário da Assembleia Legislativa, assim como não conseguiu fazê-lo na comissão que analisa a matéria de forma preliminar. A teoria de redução de carga tributária como fica parecendo quando o governo anuncia redução de 17 para 12 por cento do ICMS não é completa. Em síntese ela significava prejuízo ao setor varejista.
Derrota política
Depois de longos anos sem oposição – desde o primeiro governo de Luiz Henrique da Silveira – o Executivo voltou a ter minoria na Assembleia Legislativa. No ambiente político porque a sua bancada encolheu muito por dois fatores. Um deles provocado pelo próprio governador que transformou o governo como sendo de um partido só: o MDB. Há de considerar que o deputado Gelson Merísio (PSD) está a fim de mostrar força no parlamento.
Bico trincado
Se for olhado apenas pelo lado político a votação de ontem na Assembleia Legislativa expõe uma ruptura já prevista e cantada em prosa e verso pelos emedebistas. O deputado Marcos Vieira, presidente do PSDB, que é dado nos bastidores como de bom entendimento com Eduardo Moreira votou diferente da sua bancada. Ele foi favorável ao governo. Há quem diga que isso se sustenta também quando o assunto é o futuro do partido em relação a coligações.
Na platéia
Nos bastidores da eleição de ontem na Assembleia Legislativa um dos mais agitados da plateia era o empresário Luciano Hang, dono da maior rede de varejo do estado e uma das maiores do pais. Até pouco tempo ele figura na lista de possíveis candidatos a governdor.
Caso antigo
Um grupo de vítimas do processo de falência da Criciúma Construções se deparou com novo aborrecimento. Eles estão sendo processados pelo ex-financeiro da empresa, Ramon Geremias, que foi preso com o dono da empresa Rogério Cizeski. Isso porque estas pessoas usaram as redes sociais para atacá-lo. Em média o atacado está pedindo acima de R$ 2 mil por cada pessoa identificada. Geremias foi acusado e preso, mas segue se defendendo para provar inocência. Por isso considera que foi condenado pelas redes sociais e busca ressarcimento.
Reação
As pessoas processadas por Ramon Geremias por atacá-lo nas redes sociais anunciam que estão formando um grupo para entrar na Justiça com um instrumento conhecido como pedido reconvencional, ou seja, pretendem processar quem lhes está processando. A alegação das pessoas processadas é que elas são vítimas duas vezes.
Servidores podem fazer greve
Pelo andar das negociações a tendência é de que os servidores municipais de Criciúma tenham que analisar a possibilidade de greve. A conclusão é a partir das informações de que o governo não arreda pé da ideia de reajuste apenas do índice da inflação, enquanto o sindicato aprovou em assembleia índice bem superior – o dobro.
SEM CONVERSA Os líderes dos Sindicatos dos Trabalhadores da Indústria Plástica de Criciúma e região retiraram-se da mesa de negociações alegando que não havia patrão na conversa. As empresas enviaram apenas advogados e administradores. Os representantes dos trabalhadores alegaram desrespeito. Já os patrões alegam que a negociação se trata de uma peça de gestão das empresas.
JUDICIAL O prefeito Clésio Salvaro foi condenado em primeiro grau por ter colocado uma placa de inauguração da pavimentação de uma rua que não é pavimentada. Isso ocorreu ainda no seu primeiro governo. A condenação é para que ressarça o município no valor da placa. Cabe recurso.
CAUSA A obra em questão são as das ruas Luiz Neto e Eloisa Rós, ambas localizadas no bairro São Luiz. O autor da ação é o advogado Alessandro Schlemper Kikiuo.
NO PROCESSO Na mesma ação que condenou o prefeito Clésio Salvaro a ressarcir os cofres públicos no valor de uma placa de obra inaugurada, foram citados vários outros, entre eles o vice-prefeito na época, Márcio Búrigo. Ele e os demais, entretanto, foram absolvidos.
AINDA BEM A desistência do ex-ministro Joaquim Barbosa em concorrer à presidência da república teria gerado alívio nos mais sofisticados gabinetes do Judiciário em Brasília. Isso porque ele conhece como ninguém os bastidores daquele Poder. Sua eleição poderia significar ameaças.
AMEAÇA Diz-se em setores de Brasília que se Joaquim Barbosa fosse mesmo candidato o ex-presidente Lula poderia ter maior facilidade de ganhar a liberdade e ainda concorre à eleição, pois seria uma forma de evitar que Barbosa chegasse o Executivo.
CÁ ENTRE NÓS O ex-ministro Joaquim Barbosa não tem o menor potencial de um político. Se fosse candidato desistiria na primeira semana. Diferente da vida que levava no Judiciário, numa campanha teria que trabalhar muito num ritmo físico extenuante.
ESTRESSANTE O vereador Moacir Dajori tem confessado aos mais próximos na Câmara de Vereadores de Criciúma que anda apreensivo. Dia sim, outro também, o gabinete da presidência recebe alguma consulta se já chegou a notificação da Justiça que determina seu imediato afastamento.
Ô DE CASA Pela primeira vez desde que foi inaugurada em 1955 a casa oficial do governador, a Casa da Agronômica, como é conhecida será visitada por um grupo de alunos hoje. São os vereadores mirins de Blumenau. A recepção será feita pela primeira dama Nicole Torret Rocha e o governador Eduardo Moreira.
FRASE DO DIA
“Não acredito que esta eleição mude o país. O Brasil tem problemas estruturais gravíssimos, sociológicos, históricos, culturais, econômicos”.
Joaquim Barbosa, em entrevista ao jornal Valorr Econômico.














