Há 50 anos, era executado Che Guevara
A morte do guerrilheiro marxista interrompeu o seu sonho de estender a Revolução Cubana à América Latina
Há 50 anos, a morte do guerrilheiro marxista Ernesto Che Guevara, no dia 9 de outubro de 1967, aos 39 anos, interrompeu o seu sonho de estender a Revolução Cubana à América Latina, mas não impediu que seus ideais continuassem a gozar de popularidade entre as esquerdas.
O braço direito de Fidel Castro, que ajudou a derrotar o ditador Fulgencio Batista em 1959, foi executado numa escola na aldeia de La Higuera, no centro-sul da Bolívia, no dia seguinte à sua captura, realizada num domingo, pelos rangers do Exército boliviano, treinados pelos Estados Unidos.
Depois de 11 meses nas selvas, os guerrilheiros foram encurralados por soldados da milícia liderada pelo capitão Gary Prado, em uma ravina localizada na região de Vallegrande, no dia 8 de outubro. Durante a luta, Guevara acabou sendo ferido na perna e levado para La Higuera junto com dois companheiros.
O assassinato encerrou uma operação guerrilheira desastrosa. Com a vitória da revolução em Cuba, Che Guevara, médico formado pela Universidade de Buenos Aires que se iniciara politicamente na oposição a Perón, resolveu levar o ideal marxista para os países da América Latina, contrariando as recomendações do Partido Comunista soviético.
Esse redimensionamento ideológico acirrou as diferenças com o presidente cubano, Fidel Castro, preocupado em consolidar o bem-estar econômico na ilha. Além disso, contaram contra Che a falta de apoio do Partido Comunista boliviano (desgostoso com o fato de um estrangeiro liderar a revolução no país) e o apoio logístico às Forças Armadas bolivianas dado pelos EUA e por sua agência central de inteligência, a CIA - temerosos de que o exemplo cubano se alastrasse.
Os boatos que cercaram a execução de Che Guevara levantaram dúvidas sobre a identidade do guerrilheiro morto em Higueras. A confusão culminou no desaparecimento dos seus restos mortais, encontrados apenas em 1997 - quando o mundo recordava os 30 anos de sua morte - sob o terreno do aeroporto de Vallegrande. O corpo estava sem as mãos, amputadas para reconhecimento poucos dias depois da morte e contrabandeadas para Cuba.
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